|
Lótus,
a Flor Proibida | |||||||
|
Os monges budistas do templo Doi Suthep, logo ao amanhecer levam nas mãos os botões rosados da flor de lótus, espalhando um perfume suave no ar...
Gostava de acordar cedo, dizia que quem dorme muito vive menos. Naquela manhã iria à Celta precisava encontrar Lolita que havia sumido à duas semanas. Lorraine pensou: Lolita era mesmo caprichosa! Brigou mais uma vez com o jardineiro, e partiu para Celta. Era demais para ela Lorraine, ter que deixar os compromissos do Château, para ceder aos caprichos de uma criada. Mas Lolita não era uma funcionária qualquer! Quem é que lhe preparava aqueles banhos de florais maravilhosos, toalhas cheirando a essência de rododentros? E os chás, os vinhos, que só ela conseguia acertar a temperatura e o tipo ideal para cada prato! É, realmente ela merecia uma atenção especial.
Lorraine pensou: Tenho que trazer Lolita de volta antes que minha casa se desmorone. Lorraine vestia conjunto preto de linha, echarpe com detalhes coloridos, botas pretas de couro e óculos de sol que deixavam o seu rosto ainda mais elegante. Quando
saiu no jardim o motorista já a esperava com o motor da camioneta
em funcionamento. Lorraine então disse: Partiram
em disparada. Lorraine ao volante como sempre, e Jerônimo ao lado.
Lorraine adorava dirigir levava o motorista sempre consigo somente para
o caso de uma emergência. Jerônimo sempre dizia aos outros
criados: Chegaram
em Celta depois de percorrer por uma hora o caminho maravilhoso que
levava ao vilarejo. Celta ficava as margens do Rio das Pérolas,
próxima a Serra das Bromélias. O lugar era paradisíaco.
A estrada que dava acesso a vila era toda de pedra e vez ou outra cortada
por quedas d´água e cachoeiras enormes que rasgavam as
montanhas e que envolviam a estreita rodovia. A camioneta voava a cada
curva, enquanto Jerônimo fazia o nome do pai a cada salto. Lorraine
então dizia: Depois de uma montanha com mais de 40 metros, escura como o bronze grego de Rodes, avistaram Celta, lá embaixo, um pontinho perdido naquele paraíso sem fim. A pequenina e aconchegante aldeia de pescadores era composta de mais ou menos 30 casas. As choupanas eram de madeira e pedra e os telhados foram feitos com indaiá trançado com precisão de artista. A vegetação era serrana e composta de vários tipos de pinheiros. Lorraine
parou em frente a casa de janelas vermelhas que Jerônimo havia
indicado. Lorraine
desceu e bateu na porta da pequena casa. Logo mais, a porta se abriu
e de lá saiu uma moça com seus vinte e três anos,
cabelo amarrado num rabo de cavalo e vestido de chita florido. A
Camioneta deu uma freada brusca logo depois da primeira curva. Jerônimo
que estava no banco traseiro bateu com a cabeça de encontro à
de Lolita que deu um grito. Lorraine
então desceu rápido do veículo e disse: Então
Lolita respondeu: Lorraine
então disse:
Quando
Lorraine chegou ao Château já passavam das 14 horas. Malena
veio correndo ao seu encontro. As
moças estavam dispostas em fila quando Lorraine entrou. Cada
garota tratou de providenciar a melhor pose já que o negócio
era impressionar a patroa. Lorraine então perguntou a Malena: Então
Lorraine se sentou em sua cadeira giratória de couro, pediu o
champagne e acendeu o cigarro. O líquido gelado e acetinado borbulhou
na taça. Ela então deu um gole na bebida olhou para as
garotas e apontando o dedo indicador disse: Malena
então separou as cinco candidatas escolhidas, e Lorraine disse: Malena saiu acompanhada das cinco meninas, para que pudesse então dar início aos preparativos para a entrevista.Quando Mel entrou na sala Lorraine continuava sorvendo seu champagne enquanto tragava sua piteira negra. Ela
então disse: Lorraine
se aproximou de mansinho, tocou os seios de Mel. A moça ficou
meio constrangida mais Lorraine falou: Arrancou a blusa da moça e deixou que os dois lindos e jovens seios saltassem. Os mamilos eram rosados como pêssegos maduros. Lorraine chegou então próxima da garota que permanecia sentada e somente com a pequena saia. Lorraine massageava a nuca de Mel e a garota gemia. A boca de Lorraine grudou nos mamilos da menina enquanto suas mãos afastavam as lindas pernas da garota. Os dedos encontraram o local mágico de Mel que Malena já havia tido o cuidado de deixar desobstruído sem a presença da calcinha. A boca de Lorraine se encarregou de sugar a lava que descia queimando sua garganta de Vesúvio. Naquela
noite Lorraine foi tarde para casa, estava exausta, afinal não
era nada fácil entrevistar 04 garotas em um mesmo dia. Falou
baixinho consigo mesma: La Maison des Violettes Em Estilo europeu a casa era toda em aroeira e vidro. A madeira usada na construção fora cuidadosamente retirada de Vento Verde e da Serra das Bromélias, um trabalho de entalhe totalmente artesanal. Ficava no ponto mais alto de Vento Verde. Foi projetada minuciosamente de forma que quem a olhava lá de baixo, imaginava que seria impossível o acesso a tamanho precipício. Pela manhã, ficava como que suspensa sob as nuvens e a noite envolvida no feitiço da lua. Havia somente um caminho íngreme que levava até o local. A casa possuía uma varanda enorme sendo que na parte lateral havia uma estufa com raridades de orquídeas e as paredes eram cobertas de violetas de todas as cores. A sombrosa varanda coberta com pérgola de madeira era ocupada pela flor da paixão. Havia um caminho de seixos que levava até o maravilhoso jardim onde gerânios, tulipas, antúrios e acácias vibravam viçosas. Havia também um pequeno lago nos fundos da propriedade cujas águas lodosas eram cobertas por um tapete de flor sagrada. Os campos eram ocupados de lírios, sendo que o espaço que restava, era todo utilizado com o cultivo das mais variadas espécies. Lótus tinha trinta e dois anos, era perfumista e morava em Vento Verde desde que chegara de Marselha à dez anos. Era filha de um conceituado botânico que havia lhe dado o nome por considerá-lo o símbolo máximo da pureza espiritual. O pai sempre contava que em uma de suas viagens ao norte da Tailândia conhecera a bela flor e desde então se apaixonou por ela passando a vida inteira a estudar a planta e sua jóia preciosa. A mãe da moça havia falecido quando ela tinha apenas nove anos de idade. Desde então a menina fora criada pelo velho estudioso das plantas que lhe ensinou a alquimia e o poder que a natureza escondia. Quando Lótus completou os estudos o pai já havia falecido, mas a herança genética que ficou gravada em seu sangue de francesa, dizia que ela deveria dar seqüência aos velhos sonhos do pai. Lótus na época havia acabado de terminar o noivado de dois anos com seu primeiro e único namorado. O moço havia trocado a noiva por uma outra mulher a uma semana do casamento. Lótus estava com ódio dos homens, se sentindo traída. Chorou muito nos primeiros dias, mais depois chegou a conclusão que tinha sido melhor assim. A vida de casada na verdade era uma fuga, a realização de um velho desejo da mãe: Vê-la dona de casa e cheia de filhos. Lótus sempre amou a liberdade e nunca havia se apaixonado de verdade. Então procurou a eterna e confidente amiga e juntas decidiram partir para o Brasil. Vida morava com Lótus desde que chegaram em Vento Verde. Foram elas as responsáveis pelo projeto paisagístico da Maison des Violettes. Vida era uma mulher de quarenta anos que fazia o estilo esotérico, amava as plantas tanto quanto Lótus. A mulher que tinha jeito de cigana adorava jogar tarô e estudar as fases da lua. Lótus era bela. Tinha os cabelos castanhos claros, olhos verdes de jade, boca carnuda e sensual, pernas longas que unidas ao corpo de marfim formavam um conjunto perfeito. Era uma mulher reservada e nas poucas vezes que ia a Celta os pescadores diziam que Poseidon havia lhes enviado um presente divino. Era suave como o vento das manhãs embora às vezes se transformasse no tufão das madrugadas. Medo não fazia parte de seu vocabulário. Era temida por todos da vila. Se alguém ateasse fogo ou cortasse árvores na floresta, ela descobria em questão de segundos. Seu olfato refinado e excelente conhecedor dos odores era sua mais poderosa arma. Se o problema fosse ladrão de madeira, o negócio era espantar o larápio com uns bons tiros de espingarda. Mas se o caso fosse queimada, ia até a vila chamava todos os moradores para ajudar e não sossegava até que o incêndio tivesse controlado. Ela era a Deusa defensora daquelas matas. Le Château Rouge Assim a vida seguia no Château com a presença de Lorraine e de suas funcionárias. O centro de estética era um lugar exótico e de luxo. Ficava em um riquíssimo bairro de Tâmara fixado no centro de um quarteirão oculto por jardins, fontes e lagos. A gerente, Malena, e a proprietária, Lorraine, gerenciavam o lugar com mãos de ferro. As garotas eram treinadas por Lorraine que estava sempre observando tudo que acontecia através de câmaras escondidas que eram distribuídas por todos os aposentos. Assim a grande esteticista Lorraine podia presenciar tudo que estava acontecendo com a clientela e estar sempre oferecendo treinamento especializado para que as garotas executassem o serviço com perfeição. As meninas passavam constantemente pelas suas mãos com a desculpa da patroa conferir se realmente estavam aptas a prestar um bom atendimento às clientes. Lorraine acreditava na sua habilidade com as mulheres, entendia cada uma delas e era disputada loucamente por todas. Nem todas as mulheres que iam até o Château procuravam a orgia. Muitas nem tinham conhecimento de tudo que o lugar oferecia. As mulheres freqüentavam o local devido ser maravilhoso, requintado, possuir profissionais de gabarito. As clientes eram mulheres da mais alta e refinada sociedade Tamarense e a missão do Château era o de não medir esforços para satisfazê-las. Enfim cada cliente tinha o que procurava, e Lorraine estava ali atenta para lhe atender os desejos. A ala oriental do Château havia sido decorada nas cores: vermelho e dourado e possuía três salas. A primeira era utilizada para a prática da moxabustão. O calor provocado pela queima das folhas secas de artemísia deixava o ambiente aromatizado e tranqüilo. A moxa ou termoterapia era procurada pelas mulheres para tratamento de diferentes afecções. Na segunda sala ficava a gueixa Kioko que era uma anfitriã perfeita. As clientes adoravam sua companhia, diziam que a moça era uma excelente confidente. Kioko era uma oriental belíssima, usava maquiagem carregada, magnífico quimono de mangas largas de seda tingido e amarrado pelo obi ricamente bordado. Os cabelos eram cuidadosamente penteados e ornamentados com ouro e contas coloridas. O leque era desenhado com motivos orientais. A arte da gueixa era a sedução, o canto e a dança que ela dominava com perfeição. Kioko tocava o shamisen de cordas que encantava as clientes. Ela vendia as mulheres o sonho da mulher perfeita. A cerimônia do chá acontecia no jardim que dava acesso a sala dois. A anfitriã levava a cliente até a esteira que estava disposta no chão e então as duas se sentavam. Havia já preparado num canto o braseiro onde jazia a chaleira do líquido verde. A gueixa então pegava uma concha e servia o chá oriental. As
clientes saiam satisfeitas e comentavam com as amigas: Na terceira e última sala da ala oriental, havia um ambiente ostentado pela luxúria e riqueza. A cama de massagem possuía o lençol de veludo vermelho. A música que inundava o ambiente era suave. Funcionava ali a sessão de massagem, e a massagista era a japonesa Aiko, que com seus dedos maravilhosos exercia as técnicas terapêuticas do Shiatsu. Ela estava sempre trajada com seu quimono japonês escarlate e com os cabelos presos por duas adagas sai douradas. Servia saque ou chás afrodisíacos da Maison des Violettes, respeitando sempre o gosto da cliente. Aiko começava a sessão de Do-In, hidratando o corpo com óleos ou cremes de flores e então deslizava os dedos pelo corpo sempre tomando o cuidado de ir sentindo qual era o ponto energético onde a paciente mais necessitava que fosse pressionado. As mulheres freqüentadoras assíduas do Château Rouge encontravam ali tudo o que mais queriam na vida, serem tratadas com Deusas. Lorraine como boa comerciante e estudiosa dos segredos e gostos femininos, fazia promoções para atrair a clientela tais como: A primeira visita ao centro de estética era oferta da casa. Em data de aniversário cada cliente recebia como presente um dia inteirinho no Château Rouge, isto é, a cliente tinha a oportunidade de experimentar a magia de todas as salas e com certeza depois de conhecer os mimos das garotas seriam eternamente suas escravas. Havia a sala onde funcionava a depilação. A maravilhosa negra Bombom era a responsável. A sala possuía as cores prata e laranja. Nas paredes foram colocadas fotos de mulheres nuas de tirar o fôlego. Quando a cliente entrava pela primeira vez levava um susto, mas Bombom logo dizia: - Porque o espanto o que é bonito é para ser mostrado, não acha? E além do mais como é que você iria escolher como deseja ser depilada? E
então continuava: Não
satisfeita, Bombom continuava o incentivo: A cliente então depois de ouvir todo o rosário de elogios desfiado por Bombom, se derretia toda e meio tímida a princípio, mas logo depois acabava concordando por se lembrar que sempre desejou ser depilada nas regiões mais íngremes e de difícil acesso sem jamais ter a coragem de expressar o tão sonhado desejo. Assim que a cliente se acomodava mesa depilatória, as luzes da sala eram apagadas e somente um abajur era ligado. Havia música suave e o incenso queimando no lindo prato de cristal. Bombom estava sempre de shortinho curtinho de couro dourado e camisetinha abóbora que deixava seu ventre a mostra. Nos braços trazia tatuada uma serpente fininha enrolada. A cera de mel e algas depois de levemente aquecida no réchaud era aplicada nas pernas, axilas ou virilhas das clientes. Bombom então com a ponta de seu macio dedo indicador, mergulhava na cera morna e em seguida batia com segurança no local a ser depilado. Quando puxava o produto, tomava o cuidado de ficar dando tapinhas e cariciando o local depilado. Era sucesso na certa, a dor era amenizada e a cliente adorava. Tinha uma cliente toda madame que se chamava Zélia Dolois; era toda arrogante. Era só chegar na sala de Bombom que se derretia toda. Bombom tirava a calcinha de Dona Zélia que depois de uma taça de chamapagne abria as pernas e deixava Bombom tirar até o último pelinho. Ainda dizia: - Bombom, você possui mãos de fada. Sabe que eu não deixo mais ninguém botar a mão em mim. Até o marido dispensei. Massageia mais um pouquinho aqui e botava a mão de Bombom no seu talismã de prazer. Lorraine também, a pedido de alguma cliente, cedia suas garotas para uma noitada. Mulheres muito bem casadas pagavam um alto cachê pela companhia das meninas. O lugar era conceituado e de sigilo absoluto. Os maridos jamais iriam imaginar que o motivo de tanta alegria em tirar férias na Europa e voltar tão leve fosse uma garota do Château ao invés de compras e mais compras. A academia funcionava o dia todo. Eram responsáveis a ruiva Tesouro, a Loura Mel e a esfuziante Pérsia. Alguns aparelhos de ginástica foram projetados por Lorraine. Havia um modelo de bicicleta ergométrica que era diferente das tradicionais. No selim havia um massageador que quanto mais a ciclista pedalava mais o massageador massageava. As atletas que possuíam a libido alterada quase se matavam de tanto pedalar. Ali havia profissionais que através de toques e massagens ensinavam as mulheres as maravilhosas técnicas de como descobrir a própria sexualidade. A música alegre e agitada oferecia incentivo a malhação. Tesouro tinha o corpo todo douradinho enquanto Mel era clarinha como uma fina porcelana. Trabalhavam atendendo as clientes com exercícios e acompanhamentos nos aparelhos. Exótica tinha os cabelos curtinhos, peito largo de boa apreciadora de musculação. Ela era capaz de levantar quilos e quilos com as pernas. Era a mais procurada pelas mulheres para ajuda nos exercícios. Capítulo III Lorraine desde aquele dia em Celta não havia conseguido tirar a tal perfumista da cabeça. Tinha fascinação pelas mulheres, e o fato de Lótus lhe parecer misteriosa havia despertado-lhe a curiosidade. Perguntou a Malena sobre os perfumes e cosméticos da Maison des Violettes e esta lhe dissera o que ela já sabia: Que eram de excelente qualidade e que eram trazidos para o centro de estética por uma tal moça que se chamava Vida. Lorraine então perguntou a respeito de Lótus mas Malena desconhecia sua existência. Lorraine resolveu que iria fazer uma pequena visita la Maison des Violettes. Tomara o caminho que levava a Serra das Bromélias, naquele dia logo nos primeiros raios do sol. Estava ansiosa e queria ficar só, por isso dispensara a companhia de Jerônimo. Estava linda como sempre; trajava uma calça marrom escuro por dentro das botas de pelica da mesma cor. A camisa de mangas longas era pérola, em torno do chapéu havia um lenço com detalhe acobreado e no rosto óculos de sol de marca italiana. A
chuva caía de mansinho e a camioneta cor grafite percorria os
quilômetros deslizando e soltando um risco de fumaça no
ar. Até o deus do sol estava oculto naquela manhã. Quanto
Lorraine chegou a Celta, la Maison des Violettes estava envolvida pelas
brumas de Vento Verde. Então Lorraine tomou o estreito vale e
a sensação que teve era que estava sendo invadida por
uma ansiedade de adolescente. O novo, o desconhecido, fazia seu coração
pulsar forte no peito e a respiração de tão apressada
quase a sufocava. Parou por um instante e pensou: Depois de vinte minutos de subida, conseguiu avistar alguma coisa que se movia bem na beira do caminho. Chegando próximo observou que era um enorme carvalho daqueles que parecem ter mais ou menos 500 anos. A árvore era gigante como nunca vira, e a folhagem agitava diante do vento que batia freneticamente. Lorraine olhou com atenção e viu que bem junto ao tronco, havia uma placa entalhada em madeira e escrita com letras vermelhas: Seja bem vindo la Maison des Violettes e logo abaixo, as boas vindas do velho amigo carvalho.
O laboratório ficava em um chalé próximo do campo dos narcisos. Havia uma enorme janela que dava vista para uma araucária e que Lótus adorava ficar observando. Havia prateleiras de madeiras em torno de quase todo o aposento, sendo que num canto ficava uma cama de viúva toda trabalhada em jatobá e palhinha. Como a perfumista varava noites exercendo a aromaterapia, era comum pernoitar no chalé das tulipas, nome este dado por Vida, já que o lugar era contornado pela flor vermelha. Lótus
estava vestia um velho macacão jeans desbotado, camiseta celeste
e tênis de couro. Estava feliz, naquele dia iria criar uma nova
fórmula de fragrância. Seus dotes olfativos lhe diziam
que aquela seria uma grande descoberta no reino dos perfumes. Desde
que chegara de Paris seu grande sonho foi o de produzir um perfume que
pudesse encantar a todas as mulheres. Lótus não queria
um perfume qualquer, deveria ser algo que causasse furor nas pessoas
que o sentissem. Algo novo, jamais provado, tão forte e bom como
o orgasmo de uma fêmea no cio, mais que durasse horas, dias... Em sua mesa de carvalho já estavam distribuídos frascos, pistilo, funil de vidro, copos de medida, bastão de mexer, o alguidares e a grande e bojuda garrafa de misturar as tinturas. Lótus apanhou na prateleira de madeira, a tintura de alecrim, o espírito de vinho, o âmbar e o extrato de sândalo que estavam depositados em frascos de vidro. Misturou a composição tomando o cuidado de colocar algumas gotas de essências frescas. Assim que terminou agitou o frasco com leveza fazendo fluir o aroma doce pelo ambiente que somente a arte da perfumaria seria capaz de decifrar. Pegou um lenço de linho branco e borrifou o perfume. Sacudiu o tecido no ar como se estivesse se abanando, era para que o álcool se evaporasse. O perfume precisava ser cheirado em seu estado livre. Levou o tecido até as narinas e cheirou o buquê, a fragrância era boa, mais ainda estava faltando alguma coisa, não conseguia detectar o que era. Tentou por várias vezes a mistura alterando a dosagem de algum produto, mas quando terminava, tinha certeza que não aquilo que sonhara. O dia amanheceu e Lótus não havia conseguido acertar o perfume. A moça então se encheu de fúria, atirou o frasco no vitral da janela que se partiu em mil pedaços. A camioneta parou em frente la Maison des Violettes, Lorraine saltou apressada do interior do veículo, o vento forte bateu em seu rosto trazendo até ela a poeira de rosas. Então ela gritou: - Hei, tem alguém aí? Vida
saiu da casa toda apressada, apesar de possuir alguns quilos a mais
tinha um belo rosto. Usava saia longa estampada, blusa de seda vermelha,
brincos de argola, e nos cabelos loiros um lenço colorido. Tinha
quarenta anos e jeito de cigana. Trazia nos braços um grande
buquê de narcisos. Vida
então disse: Quando as duas mulheres entraram a lareira ardia no canto da sala, o calor das brasas era aconchegante combinado com a mobília toda em madeira rústica. Havia um tapete colorido no chão de pedras onde almofadas de pena de ganso repousavam em desordem. A imagem do Buda que ficava sobre o aparador, estava depositada em um prato de cristal e seus pés estavam cobertos por flores brancas em formato de coração. As cortinas de bambu compradas em Celta, ofereciam leveza ao ambiente contrastando com o cheiro de madeira queimada. Lorraine
olhou tudo ao seu redor medindo com os olhos cada objeto e cada detalhe
e disse: Então
Vida disse: Vida então encheu a chaleira de ferro com água cristalina e botou no fogo. Saíram pela varanda que dava para os canteiros dos miosótis. Lourraine olhava fascinada a beleza da plantação. Olhou a parreira coberta com uma enorme trepadeira de orquídeas amarelas e disse: - Que flores são essas? Eu nunca vi nada igual. Vida
respondeu: Quando
retornaram a sala, a chaleira já estava em processo de ebulição.
Vida retirou da cristaleira, três xícaras de porcelana
que colocou sobre o velho baú de madeira que servia como mesa
e então foi até o armário de madeira e escolheu
entre dezenas de potes de vidro onde havia flores secas em forma de
estrela. Abriu o recipiente e de lá tirou um punhado que lançou
na velha chaleira de ferro. O ambiente foi banhado pelo perfume mágico
do líquido. A porta bateu com força e Lorraine olhou assustada. - Mon Dieu, que cheiro delicioso de anis e de mais alguma coisa que eu ainda não detectei mais que com certeza descobrirei rapidinho. Olhou
surpresa para Vida que disse: A
perfumista estendeu a mão e disse: Lorraine
não conseguia tirar os olhos de Lótus, a presença
da francesa mexia com a esteticista de forma reveladora. Por duas vezes
Lorraine se pegou gaguejando coisa que jamais havia acontecido. Sabia
que precisava sair dali urgentemente, antes que fosse tarde demais.
Mal havia acabado de tomar o chá e foi logo dizendo: - Lótus fez questão de acompanhar Lorraine até a varanda e quando esta deu a mão para a despedida, a perfumista ficou fascinada... Era a essência que há anos ela procurava... Tudo prometia ser um maravilhoso final de semana. As garotas do Château combinaram de sair logo cedo que era para aproveitar melhor cada momento daquele dia. Lorraine resolveu que iria levar as garotas para um passeio até sua maravilhosa casa de praia. Assim que chegaram, Pérsia e Mel ocuparam o mesmo quarto. Lorraine tratou logo de arrumar seus pertences na cama mais distante, deixando as duas garotas mais próximas já que eram namoradas. Lorraine
estava deitada em sua cama, mas sentia que estava pintando um clima
no ar. As duas garotas juntas em seu quarto estava mexendo com a sua
cabeça, deixando-a excitada. Já havia levado Mel para
a cama dias desses e agora vê-la nos braços de Pérsia
fazia com que ela ficasse enlouquecida. Foi quando Pérsia fazendo
carinho em Mel disse: Lorraine
se levantou e caminhou até as duas garotas. Pérsia então
falou: Lorraine
ficou sem palavras e olhou assustada para as duas. Pérsia então
disse: E
dizendo isso pegou nas mãos de Lorraine e juntou nas de Mel.
Lorraine então beijou Mel com volúpia enquanto Pérsia
ficava olhando morrendo de paixão. Lorraine tomou Mel com força
a moça gemeu de prazer. As mãos de Lorraine acariciavam
os longos cabelos de Mel massageando seu corpo e procurando abrigo.
Mel tinha a respiração ofegante e gemia baixinho. Pérsia
então puxou Lorraine e Mel para a cama. Pérsia tirou a
blusa de Mel deixando à vista os lindos seios. Pérsia
pegou os seios de Mel que estava sentada na cama e disse a Lorraine: Pérsia
olhava para Lorraine segurando cada seio em uma das mãos e oferecia
a patroa dizendo: Então,
Lorraine e Pérsia começaram a sugar os mamilos de Mel.
A moça gemia de prazer. E as duas mamavam com força e
voracidade. Mel caiu deitada enquanto Lorraine e Pérsia continuavam
grudadas naquela fonte de prazer. Lorraine foi percorrendo devagarzinho
com os dedos procurando sentir melhor o fogo daquele encontro. Começou
a beijar as pernas de Mel e dizia: E enquanto Mel gemia nos braços de Pérsia, Lorraine se encarregava de beber a seiva que aquela fêmea deixava escorrer de sua fonte. Mel tremia de excitação e foi então que Lorraine penetrou e lambeu até a última gota que havia naquele oásis. Mel ficou imóvel sentindo a explosão do orgasmo rasgando seu peito. Lorraine
queria mais, observou que Pérsia estava com os dedos massageando
o próprio clitóris que se encontrava exposto e gemia de
tesão. Lorraine disse: Lorraine subiu em cima de Pérsia e a penetrou com dois dedos enquanto com uma das pernas batia suavemente na própria mão fazendo movimentos de ir e vir o que fazia com que Pérsia urrasse de loucura. Lorraine foi intensificando os movimentos batendo com força no monte de vênus de Pérsia até que a moça gritasse de dor e prazer. Dormiram juntas uma nos braços da outra. Depois da visita na Maison des Violettes, Lorraine estava estranha, várias vezes havia sonhado com a garota e Lótus não lhe saia do pensamento. Era a mulher mais linda que já tinha visto. Disse para si mesma: Lorraine, Lorraine, deixe de pensar besteiras, aquela garota cheira a encrenca. Muitas vezes acordava a noite e pegava a estrada de Celta, depois na metade do caminho resolvia voltar. Lembrou daquele dia na Maison des Violettes e sentiu saudades das flores de Vento Verde. Então descobriu que havia encontrado uma boa desculpa para rever Lótus. Estou precisando arejar a cabeça, onde mesmo que eu li que o ar das montanhas rejuvenesce! Capítulo
IV
O Prazer duraria para sempre... O perfume de mulher me invade, é intenso, tira o controle, me deixa nua, depois só Deus sabe... Era final de mês e época da colheita do jasmim. Vida e Lótus partiram logo no cair da noite. Os cálices brancos deviam ser colhidos antes do nascer do sol do contrário perdiam o perfume. O cheiro frágil e exótico se espalhava pelos campos e as duas mulheres iam apanhando as flores e as depositando nos cestos de palha trançada. Lótus e Vida trocavam o dia pela noite. Colhiam a flor assim que entardecia, em seguida iam para o laboratório, onde os espíritos das flores seriam enclausurados. O jasmim era uma espécie de flor muito sensível que não permitia que sua alma fosse arrancada de maneira fácil. Para que rendessem seu perfume seria necessário: paciência e sedução. Assim como a rosa, o jasmim é uma das notas florais mais importantes para a composição dos perfumes. Amassar castanhas de macadâmia na prensa, raspar raízes ou colher pétalas de rosa para depois realizar o processo de maceração eram outras das técnicas da arte da perfumaria. Lótus e Vida passavam dias produzindo os mais preciosos perfumes, sabonetes, óleos e essências. Amavam o que faziam. Em Vento Verde Lótus estava confusa com seus pensamentos. Precisava colher a essência que faltava para compor o seu buquê. Conseguira identificar imediatamente o odor que sempre procurara assim que o sentira. Por mais que recorresse a sua paleta com uma infinidade de fragrâncias, nunca havia cheirado um aroma tão atenuante como aquele. Queria aquele perfume, e iria busca-lo. O dia tinha amanhecido com o canto dos pássaros da Serra das Bromélias. Era época dos hibiscus que estavam cobertos de flor. Os beija-flores voavam como loucos em torno das flores de vermelho vivo. As borboletas dançavam em torno dos gerânios. Lótus pediu a Vida que fosse até Tâmara procurar por Larraine e que levasse a ela um convite para jantar na Maison des Violettes. Vida partiu no Jeep vermelho a caminho do Château Rouge, levava consigo uma ikebana exuberante, estrelas de flor da paixão.
O centro de estética estava apinhado de gente. As garotas do Château corriam apressadas, a clientela era exigente e Lorraine ultimamente andava nas nuvens e desligada do mundo. Quando
Vida chegou no Château Rouge, foi recebida com cerimônias
por Malena que lhe disse: Quando Malena disse a Lorraine que Vida estava no Château a sua procura, Lorraine sentiu um aperto no estômago mas se conteve. Não queria que Malena confirmasse a esquisitice que tinha se apossado dela nos últimos tempos. Não queria que soubessem que uma simples perfumista fosse responsável por aquela cara e sorrisinhos idiotas que tinham tomado seu rosto ultimamente. Por isso se preparou toda, subiu nos saltos e foi até Vida. Quando Lorraine chegou na sala e viu o ramalhete nos braços de Vida quase caiu das pernas. Então disse: -
Bom dia, tudo bem? Mais
uma vez Lorraine se sentiu uma adolescente idiota, tinha certeza que
suas faces estavam coradas como maçãs maduras. Então
respondeu: Vida
entregou o buquê da flor do maracujá e também o
cartão que estava escrito com uma letra bonita e segura. Lorraine
leu a mensagem que dizia sobre o jantar naquela noite. Então
disse: -
Sabe o que é, Lótus é muito imprevisível
resolve algo com a mesma velocidade que muda de idéia. Lorraine
então pensou: Eu não posso deixar uma mulherzinha boba
me amedrontar, afinal eu sou a grande Lorraine, a devoradora de mulheres,
e além do mais eu mesma disse que iria até Vento Verde!
Então disse: Vida e Lótus preparavam o jantar que seria servido naquela noite. Eram vegetarianas radicais por isso o menu era composto de salada afrodisíaca, era um segredo que acompanhava Lótus a anos e que somente ela sabia preparar. Era servida acompanhada por torradas com pasta de alho. Vida preparou uma massa verde com molho de tomates maduros, gorgonzola e manjericão. Como bebida seria servido vinho branco francês. A mesa estava enfeitada com orquídeas raras, escolhidas a dedo por Lótus na Serra das Bromélias. A toalha era branca, o jogo de jantar era antigo, herança da mãe de Lótus. Quando anoiteceu, o ambiente cheirava a especiarias, a lareira estava acesa e Vida tocava o violão, sentada nas almofadas. Lótus adorava aquele clima de preparação. A espera era algo que a excitava e além do mais fazia tanto tempo que não recebia visitas... Pediu a Vida que tocasse para ela La Vie en Rose. A amiga tocou enquanto Lótus cantarolou a bela canção de Edith Piaff. Vida
então olhando para o relógio disse: Então Vida fugiu para seus aposentos, deixando Lótus a espera de Lorraine. Lótus esperava ansiosa pela chegada da visita, andava de um lado para outro sem trégua. Havia tomado um banho de florais digno dos deuses, usava um longo branco, todo de renda francesa que deixava seu lindo colo salpicado de sardas exalar a sensualidade aflorada em sua pele. Estava descalça, tinha os cabelos caídos pelas costas nuas e presos de um lado, por uma jóia preciosa em forma de flor. A boca sensual, cor vermelho sangue. Lótus ouviu o barulho do carro de Lorraine assim que ele entrou no vale. Então, perfumou o ambiente com almíscar e esperou. Lorraine parou com uma freada brusca e foi logo descendo. Lótus a esperava na varanda. Lorraine
estava toda de negro. Usava um vestido tomara que caia justo de veludo
que lhe realçava as formas voluptuosas. As botas de salto alto
eram de pelica e tinha as mãos forradas por luvas que iam até
os cotovelos. Assim que viu Lótus sentiu o coração
pular dentro do peito mais se conteve. Então disse: Então
Lótus disse: Lorraine
entregou a perfumista uma bela caixa dourada com um laço de fita
vermelha. Lótus então disse: Lótus
abriu o presente, dentro havia um lindo anel com uma flor de lótus
brilhante. Então a moça disse:
Le Dîner O jantar foi servido a luz de velas. O vinho branco estava mergulhado em um maravilhoso balde de cristal da boêmia. A música escolhida por Lótus era tranqüila... Durante a ceia as duas mulheres falaram sobre os mais variados assuntos. Lorraine jamais havia falado tanto de si. Em poucas horas revelara coisas a perfumista que nem ela se dava conta. Uma coisa era não podia negar: Lótus era muito inteligente, se interessava por tudo, sabia um pouco de tudo. Lorraine
evitava os olhos de Lótus e esta percebeu isso imediatamente.
Lótus queria seduzir Lorraine e faria de tudo para conseguir
isso. Beberam taças e mais taças de vinho até que
Lótus sugeriu: Lorraine estava meio apreensiva, aquela mulher estava mexendo realmente com a sua cabeça. Estava maluca por ela. Sentia que Lótus a queria e não havia porque fugir. Tentaria qualquer coisa para tê-la nos braços. Além do mais, depois que tivesse feito amor com Lótus estaria livre de tudo aquilo. Era sempre assim desejava uma mulher até que a tivesse levado para cama! Então
Lorraine concordou com um aceno de cabeça. Em seguida Lótus
deu um lindo sorriso sedutor, indicou o caminho de seixos que levava
até o chalé das tulipas e disse: Capítulo
V
O Prazer duraria para sempre... O perfume de mulher me invade, é intenso, tira o controle, me deixa nua, depois só Deus sabe... Percorreram o caminho até o chalé sentindo o perfume da madrugada que invadia suas almas. O chalé estava escuro e a perfumista acendeu um candelabro de prata que estava em cima da velha mesinha de aroeira. A luz das velas deixava o ambiente na penumbra. Lótus,
como excelente anfitriã, pegou duas taças e depositou
no fundo do recipiente cerejas vermelhas, então pegou uma garrafa
de vinho na geladeira e despejou o líquido transparente. Lótus
então mostrou a Lorraine: Então
Lorraine disse: E
dizendo isso caminhou até uma das prateleiras e perguntou: Lorraine
levou o frasco de estoraque até o nariz e tirando a tampa cheirou
e disse fazendo uma careta: Lótus
deu uma risadinha e disse: Então
Lótus pegou um belo frasco de vidro e retirando a tampa disse: Lorraine
disse: Lótus
despejou uma pequena quantidade do líquido dourado na palma da
mão, levou até as narinas e aspirou: Depois
foi até Lorraine e estendeu a mão a ela e disse: Lorraine
cheirou o óleo brilhante e sorriu satisfeita dizendo: Então
Lótus falou: Levou
Lorraine até a cama de viúva e pediu que ela se deitasse.
Havia pouca luz no aposento e a figura de Lorraine se mostrava ainda
mais bela. Lótus então chegou de mansinho e disse: Abriu o feicheclair e o vestido de Lorraine abriu, deixando as costas a mostra. Lótus continuou, retirando as peças com delicadeza: as botas, as meias de seda e por fim o vestido. Então Lótus também se despiu, ficando completamente nua. Lorraine
olhou para Lótus e disse: Lorraine obedeceu prontamente apesar de não estar acostumada a receber ordens. Aquele clima e a bebida a estava deixando maluca. Estendeu as finas mãos. Lótus pegou com força arranhando a pele de Lorraine com suas unhas de gata selvagem. Lótus abriu a gaveta do armário e de lá tirou duas algemas. Lorraine se deixava levar pela fantasia e pela luxúria do momento, enquanto a perfumista lhe prendia os pulsos nas grades da cama. Lorraine olhava para Lótus com seu olhar de sedutora que sempre fora. Então Lótus mordeu e arranhou o corpo de Lorraine, beijou e lambeu entre as pernas da mulher e pode sentir que ela estava inundada de desejo. Lótus
pegou a taça de vinho que estava na mesinha ao lado, levantou
e disse: Bebeu o líquido acetinado se deliciando com o sabor da pérola vermelha que estava depositada no fundo da taça. Então beijou o ventre de Lorraine, e as pernas e com as mãos afastou as coxas macias. Beijou-lhe o triângulo perfumado e enfiou a língua com força no túnel em chamas e depositou ali a cereja antes mergulhada no vinho. Lorraine gemia e chamava por Lótus: - Venha minha princesa, eu quero você! Lótus então beijou os lábios de Lorraine com violência e desejo. Depois escorregando entre as pernas arrancou com a língua a cereja flambada no mel. Pegou uma almofada de cetim rosa, e colocou o lindo traseiro de Lorraine sobre ele. A perfumista então pegou os materiais que utilizaria logo mais. Massageou o clitóris de Lorraine até que o vulcão entrasse em errupção e a lava escorresse. Com a ajuda da espátula colheu a secreção e depositou dentro do frasco. Coletou com uma pipeta os últimos restos da fragrância de fêmea. Quando Lótus terminou, estava impregnada dela. Lorraine
então disse: Lorraine saiu enlouquecida pela noite de Vento Verde. Lótus não se continha de tanta emoção. Iria realizar o que mais desejara em toda a sua vida produzir o melhor perfume de todos. Iria destilar o néctar que acabara de colher, misturaria os odores e encontraria a harmonia perfeita entre os diferentes aromas. Então dali iria nascer um eterno perfume. Acendeu o fogareiro e preparou o destilador. Separou então as pétalas de flores, folhas, o espírito de vinho e os demais componentes que iria utilizar. Quando o dia nasceu Lótus havia acabado de fabricar o seu perfume. Iria lhe dar o nome de Prazer. Tinha certeza que iria seduzir as mulheres com o seu novo invento. Levou o lenço ao nariz e sentiu o buquê, se enfeitiçou por ele. Encharcou do líquido precioso espalhando pelo corpo e molhando os cabelos. Encheu a banheira com o líquido precioso. O recipiente estava transbordando quando Lótus entrou nele e então mergulhou. Bebeu o Prazer até que seu corpo foi ficando leve e ela só tinha certeza de uma coisa: de todas as fragrâncias que existia na face da terra a mais bela era a extraída da mulher! Lorraine estava nua, coberta apenas com um lençol de seda vermelho. O cheiro do ar era almiscarado e ao seu lado estava Lótus. Lorraine mergulhou o rosto na sua pele clara e percorreu o ventre até os seios, percorreu novamente o seu rosto e acariciou-lhe os cabelos, voltando até o ventre e descendo até seu sexo, até suas pernas. O seu sexo róseo exalava um perfume suave com suas pétalas entreabertas. Lorraine então provou com seus lábios o sabor do fruto e se embriagou com o extrato alucinógeno da flor. Fazia frio naquela manhã de sábado quando Lorraine acordou. A janela aberta deixava a rajada de vento entrar no quarto elevando as cortinas como se fossem anjos em festa. A taça de champagne sobre a mesa, ainda conseguia sentir o cheiro da flor de ouro. Ela agora se lembrava, como em pequenos flashes, as imagens do sonho foram voltando em seus pensamentos... Lótus, Lótus a flor proibida... Fazia uma semana que tudo tinha acontecido. Apesar da revolta que lhe invadia o peito nada podia superar o que sentia naquele momento. Precisava dela, só queria ela... O clarão dourado da lua cheia inundava aquela noite... Era como se tudo tivesse perdido o sentido sem Lótus. Lorraine decidiu que iria até ela logo que o dia nascesse. Quando chegou na Maison des Violettes o lugar estava deserto. Caminhou pelos terreiros, correu pelos roseirais. Chamou por Lótus e não teve resposta. Entrou na sala da casa e observou que apesar do monge não estar em seu altar, o cheiro do lótus ainda estava presente. Lorraine caminhou até o lago de nenúfares e cantou o mantra junto com os Ventos Verdes da Serra das Bromélias. FIM
| |||||||