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O
Mistério das Amazonas
Por LAISA MACKENNA laisamackenna6@yahoo.com.br |
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O grupo
de estudiosos havia partido da grande metrópole logo pela manhã.
Seriam várias horas de vôo até a capital da grande
floresta. O rio
naquela manhã cinzenta tinha em suas águas brancas, aparência
de tranqüilidade e magia, mais a correnteza era forte e traiçoeira.
A neblina do rio envolvia a embarcação que partia firme
e silenciosa. A revoada das garças brilhava na neblina. O grupo
desembarcou em Conchal das Águas, que era uma vila de ribeirinhos.
Aqueles caboclos eram intermediários entre dois mundos: a floresta
e a cidade.As águas eram cortadas pelas grandes gaiolas, balsas
ou em "popopos", que era uma pequena embarcação
usada por aquele povo. Mas Atena adorava seu trabalho, a amada com certeza acabaria esquecendo e perdoando, assim que ela chegasse e a envolvesse em seus braços. Atena despertou olhares dos afoitos índios, apesar de trazer o corpo sempre coberto pelo seu traje costumeiro: camisa de mangas longas, calça folgada de elástico na cintura, botas de cano longo estilo militar e seu velho chapéu de abas que a protegia do sol. Os dias na aldeia eram movimentados já que necessitavam de uma certa organização para viver. Precisavam produzir o necessário para suprir suas necessidades. As famílias viviam nas ocas ou malocas, em torno da praça principal. As mulheres cuidavam da roça, faziam cerâmicas, cozinhavam, teciam e preparavam a farinha de mandioca. Os homens eram responsáveis pela pesca e caça que faziam em poder de flechas feitas com lanças com pontas de osso, armadilhas feitas com cestos ou ainda veneno de vegetais. A aldeia naquele dia estava animada. Todos corriam de um lado para outro com os preparativos. Naquela noite aconteceria um ritual no centro da ocara. Atena estava ansiosa, fazia somente uma semana que se encontrava ali e já se encantara com aquele povo que achava maravilhoso. As mulheres
ianomâmis eram muito sensuais, isso mexia com o instinto selvagem
da arqueóloga.A tribo estava com o corpo todo pintado com tinta
feita com extratos naturais e que eram preparadas pelas índias.
As índias desfilavam seus seios: grandes, pequenos, caídos, firmes. Atena observou as maravilhas da natureza feminina: mamilos brotando como flor no peito das garotas índias. Os corpos eram adornados por penas decorativas, miçangas e pequenas hastes que enfeitavam as orelhas. Atena estava sentada em um tronco conversando com Mike quando viu que uma linda indiazinha chegou até ela e lhe disse: - Que colar bonito! Atena estava usando um colorido colar de contas. A garota então falou: -Eu quero esse colar! Atena então respondeu:- Claro. Qual é o seu nome? - Tika. Atena então tirou o amarrado de contas do pescoço, entregou o objeto a garota que com um sorriso disse: - Obrigada! A festa corria animada, havia música e muito cauim. Atena e Mike já estavam alegres, a bebida era forte e animava. A lua coroava o céu da aldeia e Atena se sentia só naquela noite. Estava com saudades de Anália e pensou: - O que será que aquela danada está fazendo agora?Atena saiu de mansinho e foi se aconchegar em sua rede, embalada pelas recordações e pelo perfume da mulher amada. Quando o dia amanheceu, Atena resolveu dar um passeio. Caminhava seguindo o curso do rio quando observou a presença das índias que tomavam banho nas águas claras do riacho. Atena ficou de longe observando a cena divertida das garotas. Atena estava distraída com a brincadeira das meninas que não havia observado que próximo a uma pedra enorme, havia uma jovem índia morena que a observava. Quando Atena viu, ficou sem jeito e tentou desviar os olhos, pois viu que se tratava de Tika que lubrificava o corpo maravilhoso com óleo de raízes.Atena procurou se afastar do local quando a jovem chamou: - Atena, me ajude um pouquinho! Atena então pensou: Meu Deus, o senhor está de prova que sempre estou quieta em meu canto, mais a tentação me chama, a carne é fraca... Atena então chegando próxima ao barranco, olhou para a garota que lhe disse: - Pegue e espalhe em meu corpo! A moça entregou a cumbuca de barro que estava cheia com óleo de odor amadeirado e gostoso. Atena
começou espalhando o líquido pelas costas da garota. Conforme
Atena ia massageando a pele dourada, a moça ia fazendo gestos
sensuais que começaram a pirar a cabeça de Atena. - Agora espalhe em minhas pernas, gosto de deixar tudo lubrificado, assim fica melhor. Atena agora podia sentir a frescura e a rigidez da pele dourada em suas mãos. O corpo aveludado da garota a enfeitiçava e exalava odores que a deixava em estado de êxtase. Quando
começou a massagear o bumbum perfeito de Tika, Atena estava explodindo
em desejos, mas se continha diante daquela ninfeta. Atena estava de joelhos sobre a pedra grande que servia de leito para aquela criatura do pecado. Quando Atena se curvou para friccionar a pele da diabinha, a moça se virou então e disse segurando os seios com as mãos: - Passe aqui Atena, os bicos estão meio ásperos você não acha? Atena sentiu o sangue latejar em suas têmporas. Pegou então o mel e lambuzou os mamilos delicados da menina. A garota então falou: - Você gosta de mel? Atena tentou ser forte e disse: - Claro!- Experimente esse que é ótimo! Atena então rezando a todos os deuses da floresta para que lhe dessem força, pegou a cumbuca e levou o dedo para experimentar. - Experimente esse que é mais gostoso! A indiazinha segurava os próprios seios próximo a boca de Atena. Atena então decidiu naquele momento deixar de lutar contra a encrenca que acabaria se metendo. Abocanhou o mamilo com tal fúria que jogou a moça de costas na pedra. Atena sugava com força, enquanto suas mãos tateavam aquele corpo de fêmea no cio. A índia então disse: - Nossa você gosta mesmo de mel, danadinha! Então Tika se sentou, pegou a cumbuca com o líquido dourado, despejou entre as pernas e disse: - Venha mulher branca, venha, beba o quanto quiser! A arqueóloga
então abocanhou o sexo da moça e lambeu com voracidade.
Atena sentia que estava tendo um orgasmo naquele instante. A moça
de debatia de prazer enquanto enfiava as garras na pele de Atena. As castanheiras gigantes, com seus troncos lisos e escuros, abrigavam centenas de aves que festejavam anunciando a chegada da chuva. Uma nuvem de borboletas coloridas tingiu o céu da mata, formando nuvens em movimento que rapidamente desapareceu como que por encanto mergulhando na cortina verde e viva das árvores. Ouviu
se um som estranho e sinistro e logo em seguida um estrondo partiu o
horizonte ao meio. Agora o cheiro era de poeira, de terra molhada, cheiro de vida, cheiro de verde. O grupo de pesquisadores, estava no território dos ianomâmis há quase quarenta dias, haviam encontrado dezenas de vestígios como: pedaços de cerâmica, de ferramentas e de fogueiras - que eram preciosas peças do passado. Atena,
Richard e Cícero trabalhavam há dias em um local onde
era grande a concentração de pinturas feitas nas rochas.
Eles usavam de toda sua habilidade para retirar as camadas espessas
de sedimentos formadas com o passar dos anos. Os pedaços de carvão encontrados nas escavações e pertencentes a resquícios de fogueiras eram super importantes, pois através do material carvão, era possível saber em que época aquele local fora habitado. Cícero, Richard e Atena, munidos de pincéis, pinças e pazinhas, recolhiam material arqueológico, que iam guardando em saquinhos transparentes, que deveriam enviar para a datação com carbono 14, que é o elemento químico usado para identificar a idade de fragmentos orgânicos. O trabalho era duro e lento, as escavações já atingiam o leito de pedra. Todos os padrões estratigráficos observados foram mapeados, desenhados o perfil e fotografados. O solo conforme ia sendo removido era todo peneirado imediatamente com precisão, sendo que praticamente todos os objetos encontrados, exceto poucas rochas caídas das cavernas, foram conservados. Remanescentes de flora e fauna foram envolvidos em papel fino sem ácido, depois foram depositadas em caixas que receberam etiquetas. Atena ia registrando as informações em um Laptop Zenith.Os estudiosos saiam logo cedo da aldeia ianomâmi, passava o dia todo nas escavações e pesquisas e retornavam a tardinha para a maloca. .A aldeia ficava em um maravilhoso ponto geográfico, o local era isolado devido ao relevo acidentado e aos rios e cachoeiras que dificultavam o acesso às terras dos índios. Atena estava encantada com aquele mundo mágico e chegou a participar em certas ocasiões do cotidiano dos nativos. Partia de manhãzinha com o objetivo de coletar plantas medicinais como: salsaparrilha, muirapuama, catuaba e o xexuá. Havia também a busca pelas canas para o preparo de flechas, fibras para cordas, cera, resinas e cal para a pintura corporal. Os índios também cultivavam a arte, sendo que o motivo da mesma, vinha da terra, da floresta e do rio. Era lá que eles buscavam as matérias-primas para confeccionar: vasos de cerâmica, cestas, máscaras, instrumentos musicais, adornos feitos de cocos, sementes, unhas e ossos de animais, penas de pássaros e conchas. Atena admirava o respeito que os ianomâmis dispensavam a figura do pajé. Ele era a figura mais influente da aldeia. Ele era o líder espiritual e médico, pois os índios acreditavam que as doenças eram do corpo e da alma. O pajé era o responsável pela interpretação dos sonhos. Era ele que defendia a tribo dos maus espíritos, indicava os melhores lugares para caçar, pescar, facilitava os partos, protegia as pessoas e lugares. Ele era o grande conhecedor das ervas e seus poderes, usava algumas para curar doentes, outra para se comunicar com os mortos, outras com os deuses. O pajé era o membro mais velho e sábio da tribo. O REAHU Atena naquele tarde havia chegado mais cedo do local onde a escavação estava sendo realizada. Estava tão cansada que estava sentada em um tronco de madeira que servia de banco e que ficava próximo à maloca que o grupo estava hospedado. Atena tinha as mãos sujas de terra, tirara o chapéu e deixava que o vento brincasse com o seu cabelo e lambesse seu rosto, lavando sua alma e carregando seus pensamentos para que fosse se perder nas árvores frondosas da floresta. Atena estava pensando em Anália, sentia saudades da pele fresca e cheirosa da namorada. Estava esboçando um sorriso quando seus pensamentos foram interrompidos pelos gritos de Tika que chegava correndo toda faceira. Ela logo foi dizendo: - Atena, você sabia que na próxima semana teremos o Reahu? Atena então respondeu:- Não, eu não estava sabendo. - Pois é, é a principal festa para o nosso povo. Dura a semana toda e reúne habitantes de várias aldeias. Teremos banquetes e rituais. Eu adoro esta festa, ela é alegre, bem tirando o momento que os mortos são lembrados... - Tika, você realmente me surpreende, nem parece uma indiazinha. - Sabe o que é Atena, eu gosto de alegria, de movimento, não vejo nenhum mal nisso. Eu já estou me preparando, quero estar bem bonita para a festa. Tika falava com Atena, gesticulando as mãos e movimentando o corpo. Atena pensou: Essa diabinha é bela e o pior é que a danada faz de tudo pra me provocar. Desde aquele dia no riacho, ela vivia procurando por Atena que disfarçava e procurava evitar qualquer proximidade com a afoita indiazinha. A aldeia estava toda sendo preparada para receber os visitantes que foram chegando e Mike observou que a maioria dos velhos ianomâmis falava o dialeto Ianoman. Os índios passavam o dia todo comendo, cantando e dançando. A música era tocada por uma flauta de osso e um tambor.Os convidados estavam todos no centro da aldeia participando da festança, quando os pajés ali presentes, inalaram uma poderosa droga psicoativa, composta de três plantas amazônicas: yakuana, parora e maxahalahanakë. Segundo diziam, os pajés quando cheiravam a yakuana, começavam a ver luzes que vinham de longe e que então encontravam os espíritos do Sol, da Lua, das estrelas, dos rios, das montanhas. O grupo estava unido em um canto, onde observavam todos os acontecimentos da festa, estavam ansiosos com tudo e não pretendiam perder detalhe.As índias desfilavam seus corpos untados com óleos vegetais e ornamentados com tintas coloridas. Richard então disse:- Essas mulheres são super sensuais, você não acha Mike? Mike respondeu:- Concordo colega, e o melhor: As danadas possuem sangue quente nas veias! Mike então continuou dizendo:- Ontem mesmo eu fui abordado por uma indiazinha maravilhosa que me espreitou na parede da maloca bem no momento em que eu ia entrando para dormir.A festa corria animada quando o grupo entrou na choupana para dormir, estavam cansados e no dia seguinte teriam muito trabalho pela frente. O quarto era amplo e as redes ficavam próximas uma das outras, Atena estava quase adormecendo quando ouviu um barulho, olhou assustada e percebeu que um vulto estava próximo a rede de Mike. Atena olhou e viu que se tratava de Tika que estava em pé ao lado do leito do colega.Atena ficou quieta e não pode deixar de ver a silhueta da bela indiazinha. Mike acordou e então observou a mulher nua que se encontrava diante de si. Mike usava pouca roupa, devido ao calor que fazia. Atena viu quando Tika enfiou a mão dentro do short do moço e começou a acariciar o membro do amigo. Mike começou a gemer baixinho e Tika não se contentando, puxou a roupa de Mike, então começou a passar a língua no enorme bastão que se mostrava ereto apesar da pouca luminosidade. Tika lambia com vontade, passando a língua devagarzinho, começando na base seguindo até a ponta, onde permanecia por segundos sugando e acariciando com os lábios o objeto de prazer. Então
Mike puxou Tika pela mão e a garota se acomodou sobre o falo,
deixando cada uma das pernas cair em uma das extremidades da rede. Tika
então deu as mãos a Mike e começou a viagem, Atena
olhou mais uma vez e era como se a rede de Mike fosse um barco e a bela
Tika estivesse no meio de uma tempestade e remasse com agilidade e buscasse
a margem em busca da salvação. Precisava aliviar os pensamentos e jogar água fria na cabeça. Estava sentindo a brisa da madrugada no rosto, e tomava uma tequila que havia levado consigo. Estava quase adormecendo embalada pelo canto de alguns índios que ainda se encontravam próximos a fogueira que ainda se encontrava acesa no centro da maloca quando Tika apareceu. Ela disse a Atena:- Sabe que hoje estou louquinha por você! Atena então respondeu:- Imagino.- Sabe que eu fui até o chapono te procurando e acabei encontrando seu amigo? - Verdade? E daí? - Bem, acabei ficando com ele, mais sabe que continuo louca por você? - Tika trate de ir dormir e me deixar em paz. - Nossa como você é brava, não precisa ficar nervosa eu só quero ficar com você. Atena então disse: - Eu não sabia que você gostava de ser penetrada. - Pois é eu não sabia é que eu gostava de ser possuída por uma mulher até aquele dia na beira do riacho. Tika estava com os seios soltos ao vento e os mamilos estavam rígidos diante do frio da noite. Ela então se sentou no colo de Atena, ficando cara a cara com a arqueóloga. Tika então beijou a boca de Atena que correspondeu o beijo com fúria. Então Atena com um movimento brusco e repentino, segurou Tika em seu colo com o bumbum voltado para cima. A garota se debatia enquanto Atena lhe dava palmadas no traseiro. Capítulo 3: Guerreira é aquela que sangra, não lamenta, busca seu objetivo A manhã estava luminosa, as gotas do sereno da madrugada, brilhava como contas de cristal nos ramos floridos que abrigava o caminho de terra, coroado pela copa das árvores frondosas. O grupo saiu logo nos primeiros raios do sol. Haviam combinado que dessa vez iriam mais longe, precisavam atingir o ponto sugerido por Richard.Para chegar até a aldeia da borracha, sacolejaram pelos 85 km de estrada mal conservada, onde combinaram que encontraria Mestre Zito, que os levariam rio abaixo até o pico de cristal. Mike
reclamava a cada solavanco no velho Jeep cor de azeitona. O velho segurava um copo com um líquido amarelado que pelo cheiro não era difícil identificar se tratar de aguardente. Foi logo falando para Cícero:- E aí gente, comé que foi a viagi? Cícero então respondeu:- Excelente, o barco já está pronto para continuarmos? O velho abriu um sorriso deixando a mostra à arcada encardida e cariada, e disse: - E Mestre Zito é de faiá? Vamo lá moçada a velha companheira tá nos esperando. O barco de Mestre Zito era coberto com palha de ourucurí, o vento batia de um lado para outro, e ajudava a levar a velha embarcação, que ganhava velocidade a cada rajada. Navegaram durante cinco horas, margeando pelo majestoso rio Negro, o mais bonito da Amazônia pela cor, vastidão e serenidade impressionantes, que parecia uma fita metálica perdida no horizonte verde.Mestre Zito parou "a companheira", amarrando-a em um velho embarcadouro que encontraram. O grupo então começou a escalada pela trilha que levava ao pico de cristal. Teriam
que dormir quatro noites na floresta. O início da caminhada requeria
muita ginga. Era preciso ir driblando o amaranhado de cipós e
árvores da mata inundada até ela ceder lugar á
floresta densa, que era enfeitada de bromélias e orquídeas.
Os macacos e as araras faziam algazarra. As nuvens do pico eram grandes e densas como a mata, possuíam a forma de véu de noiva. Começaram a subida do morro, painéis de rochas de várias cores. Ao lado, duas pedras gigantescas se equilibravam em outras menores. As montanhas desenhavam o perfil de uma deusa, seus seios fartos e cabelos escorridos, que adormecia no coração da floresta. Era maravilhoso apreciá-la da fortaleza. Na escalada ao pico, do alto não se via nada. Era como se tudo estivesse nas nuvens e que, lá embaixo, só houvesse um abismo, indefinível, atroz. Chegar ao topo exigia espírito de aventura, paciência e obstinação. Em certo momento, a paisagem de montanhas formava um rico desenho que contrastava com a pobreza da aldeia da borracha que agora podia ser vista como um pequeno ponto perdido lá embaixo.Em um certo trecho do percurso, Atena avistou alguma coisa que brilhava ao longe, correu para ver do que se tratava. Observou que a luz que ofuscava seus olhos, possuía reflexos furta-cores. O objeto estava em cima de uma rocha um pouquinho abaixo da que o grupo estava. Atena olhou e viu que para apanhar o objeto, ela deveria saltar e atingir o nível inferior. O vão que havia entre uma pedra e outra era relativamente grandes, mesmo assim a arqueóloga resolveu arriscar, as pedras eram escorregadias e o movimento exigia precisão e habilidade. A arqueóloga primeiro mirou bem o ponto, depois deu um salto tentando alcançar o topo da rocha. O grupo atônito presenciou a queda da companheira que desapareceu no penhasco. AS GUERREIRAS AMAZONAS As Guerreiras Amazonas eram mulheres incas, conhecidas como: as "virgens do sol" que foram raptadas pelos espanhóis quando estes estiveram na Terra do Sol. Elas foram obrigadas a viajar com eles. Os espanhóis na época desciam o rio Amazonas, depois de dias se fartando da companhia das mulheres incas, e em certo momento, abandonavam-nas na selva. Um certo dia um grupo de mulheres revoltadas se juntaram, formando uma comunidade feminina. Muitas delas já chegavam na selva com o ventre cheio. Essas mulheres "guerreiras amazonas", geravam filhos mestiços de incas com os espanhóis, e foi aí então que nasceu o povo ianomâmi. No passado elas amputavam ou queimavam o seio direito, de tal forma engenhosa que pudessem melhor manejar graciosamente o arco, de onde disparavam flechadas letais, em suas lutas permanentes (daí o nome Amazonas, que em grego significa "sem seios" ). Elas habitavam grandes e numerosas aldeias, viviam sem a presença dos homens, dos quais nada dependiam, a eles recorriam somente em curtos períodos, apenas para saciar seus desejos e manter a continuidade de suas existências. Libertárias e valentes, esse contato se fazia em dois ou três momentos durante o ano, ocasião em que eram recebidos e desfrutados. A CIDADE DAS AMAZONAS Atena acordou em uma aconchegante casa de pedra, estava deitada em uma cama toda de madeira, nas janelas haviam cortinas tecidas com bambu coloridos. Atena tentou se levantar, sentindo uma dor terrível na perna, percebeu então que seria impossível caminhar. Então gritou:- Hei, tem alguém aí? Apareceu na única porta da taba uma mulher linda: corpo bem torneado, cabelo longos, lisos e negros, olhos escuros. A nativa usava apenas uma minúscula tanga de pele marrom.A mulher caminhou até Atena e disse: - Você deve permanecer quieta, sofreu um acidente e por um bom tempo não será capaz de caminhar. Então Atena disse:- Quem é você? E onde estou? - Sou Naiá, e você está na cidade das amazonas. Atena então pensou estar sonhando. Já lera muito sobre as antigas amazonas, e segundo diziam elas haviam existido há muito tempo e mesmo assim, sempre deixavam em dúvida sua existência já que existiam muitas controvérsias a respeito do assunto. Então disse: - Como isso é possível? - Nossa aldeia fica aqui no alto da montanha, no coração da floresta, cultuamos até hoje alguns costumes do nosso antepassado. Somos filhas das guerreiras amazonas, as filhas do sol. Venha vou lhe mostrar: E dizendo isso à bela e jovem mulher, pegou Atena nos braços. Apesar da aparência frágil a mulher possuía uma força esplendorosa. Levou Atena para fora da cabana, deitando a moça em uma rede artesanal que ficava em uma varanda.Nesse momento surgiram de todos os cantos várias mulheres com o semblante fechado. Atena observou que ali havia uma aldeia muito bem cuidada e organizada, e com um forte esquema de segurança. Naiá então disse:-Vamos levá-la ao templo da deusa. As mulheres Atena e a colocaram em uma outra rede que era fixa em uma vara de bambu, depois duas índias em uma ponta e duas na outra, começaram a caminhada. O TEMPLO DE ARTEMIS As guerreiras atravessaram a aldeia, subindo pelo caminho que levava a uma enorme rocha, caminharam por horas e então Atena pode contemplar um fabuloso jardim. Uma passarela de pedras uniformemente colocadas, que acompanhavam até uma curta e larga escadaria que levava ao grande templo. Parte da passarela era coberta pela sombra de uma árvore gigantesca, seu tronco forte e grosso, a copa vasta que formava quase que uma cúpula por cima das cabeças dos visitantes. Havia a esquerda um lago de águas calmas onde se avistava flores em formato de pratos gigantes. Ao redor os campos de flores multicoloridas, e tão cheirosas que quando a brisa às atingia, inundava o ar de perfume.Mais adiante havia um lago cristalino como um espelho no meio da grama. O local era silencioso e tranqüilo, então Naiá disse: - Chegamos ao Santuário de Ártemis. Quando pararam estavam ao pé de uma grande escadaria, os degraus eram de pedra, as paredes do lado de fora, possuíam nelas figuras esculpidas de guerreiras e de alguns cervos. As portas eram de madeira e talhadas com desenhos de ninfas. As portas estavam abertas. As mulheres entraram pelo grande templo, carregando Atena. Percorreram um amplo salão, quando chegaram em um corredor longo. As paredes eram adornadas com pedras coloridas que formavam mosaicos de cenas campestres. Quando chegaram ao fim do corredor, em frente às portas de cedro do salão. A jovem Naiá então disse: - Eis a nossa grande senhora. A mulher estava sentada no fundo do salão em uma cadeira de cipós trançados. A mulher aparentava possuir 50 anos, tinha os cabelos ondulados e avermelhados, trajava um vestido todo em couro, os pés cobertos por botas de cano longo de um marron quase preto e um corsário de couro. Possuía uma grande tiara dourada em sua cabeça e um cinturão também em couro, cingia sua cintura. A mulher então se apresentou:- Meu nome é Titânia. Sou líder da cidade das Amazonas. É uma honra para nós tê-la em nossa cidade, Atena. Atena então respondeu:- Muito obrigada, estou um pouco confusa, não consigo entender tudo o que estou vivendo. - Entendo o que você está sentido. A cidade das Amazonas esteve sempre oculta do resto do mundo. Creio que estar aqui é realmente algo difícil para você, não é mesmo? - Sim. Mais juro que tudo isso está me causando um enorme fascínio. Agora me diga uma coisa: Como é que vocês conseguem viver escondidas do resto do mundo? - Isso é um segredo que somente nós as amazonas sabemos, e infelizmente no momento não poderemos lhe revelar. Atena então disse:- O que vocês fazem perdidas nessa grande floresta? E porque me trouxeram para cá? - Calma Atena, uma pergunta de cada vez!- Primeiro: vivemos aqui porque amamos e cultuamos os nossos antepassados, mais também temos um objetivo que você em breve saberá. Segundo: escolhemos você não foi por acaso, já estávamos de olho a tempo em alguém que pudesse nos ajudar em nossa grande missão. - Como assim? - Calma, já explico: Precisamos de alguém que possua alguns conhecimentos em matéria de civilizações antigas e também que não seja de nossa tribo. E antes que você faça mais perguntas gostaria de lhe dizer que no momento é o que eu tenho para lhe dizer, mais pode ficar tranqüila que cuidaremos de você e que você ficará ótima .- Quer dizer que vocês já me conheciam? Como foi possível? - Esqueceu que você está há dias vivendo nessa floresta? Atena
então abriu um sorriso e disse:- É realmente as mulheres
sempre me surpreendem! O
milagre da vida era embalado e conduzido pelos lábios das amazonas...
- Vou lhe contar um pouco da nossa estória, assim você começa a entender e a tomar melhor conhecimento dos fatos. A senhora então se sentou e pediu que as mulheres que acompanhavam Atena a colocassem sentada na cadeira ao lado. Então começou a narrar: - Minha bisavó mandou construir esse templo em homenagem a Deusa Ártemis, dizem os nossos ancestrais que Ártemis quando jovem viveu por um grande período em nossa floresta amazônica, na época já existia aqui as guerreiras amazonas, Ártemis se juntou a elas, se tornando a grande Deusa da caça e protetora dos animais selvagens. Ela era apaixonada pelo lugar e aqui onde foi construída a cidade das amazonas, foi exatamente o local onde nossas parentas acreditam que viveu a guerreira Ártemis.Dizia minha bisavó, que Ártemis resolveu viver aqui na floresta sem vínculo nenhum com qualquer homem, depois que presenciou a dor de sua mãe no parto do irmão Apolo que era filho de Zeus e marido de Hera. Ártemis nasceu antes de Apolo, sendo assim, teve a missão de ajudar a mãe que se chamava Leto no parto do irmão. Ártemis sentiu muita revolta ao ver o sofrimento da mãe e resolveu então viver distante da companhia dos homens.Segundo minha bisa me disse, Ártemis foi embora da cidade das amazonas, quando chamada pelo irmão para retornar a cidade grega de Éfeso (Turquia) onde sua mãe se encontrava a beira da morte.
Ela
havia deixado seu coração aqui na cidade perdida, as mulheres
então decidiram construir esse templo já que o de Éfeso
fora destruído com o passar dos anos e hoje só resta dele
uma única das cento e vinte e sete colunas de mármore. Quando Titânia terminou a estória, seus olhos estavam mergulhados em lágrimas e então ela disse:- Bem por hoje paramos por aqui, depois continuo a lhe botar a par de tudo. Dizendo isso Titânia saiu com seus passos velozes, desaparecendo entre as cortinas enormes que dividia o rico ambiente.Naiá que estava próxima de Atena, disse:- Devemos partir, a tarde está caindo, não é aconselhável fazer a descida da serra sem a presença do sol. Desceram como subiram, as quatro mulheres levavam a rede aonde Atena ia deitada. Atena estava preocupada com tudo e pensava: Será que o pessoal abandonou as pesquisas e voltou a São Paulo? Meu Deus que loucura estou vivendo... Atena estava com o corpo todo dolorido, a subida até o templo de Ártemis naquela manhã, havia a deixado super cansada. Até então não conseguia acreditar em tudo que estava vivendo apesar ir reunindo provas a cada momento, de que estava realmente diante das guerreiras amazonas. Ela
sempre fora uma fascinada pela história das mulheres da selva,
mais jamais ficara provado a existência daquela comunidade feminina.
As amazonas dominavam o vale da Vitória Régia. Mulheres poderosas, cavalgando montarias velozes, não raro combatendo homens.Atena havia perdido a conta dos dias que permanecia ali naquela aldeia, mais com o passar do tempo foi se recuperando, voltara a caminhar normalmente e agora precisava encontrar uma forma de retornar ao seu mundo real. Naquela noite as mulheres, iriam receber seus convidados. Estavam preparadas com arco e flechas à mão. No passado as guerreiras esperavam os homens e quando eles chegavam, elas dançavam para eles, tentando os seduzir, aguçando a libido. Então elas os levavam para suas redes e se deitavam com eles, no dia seguinte, os despachavam as suas aldeias de origem. Depois de meses de gestação as mulheres que conseguiam receber a graça de parir uma criança, iriam sofrer a grande prova: Se nascesse menina, a criança seria poupada e criada pela aldeia, já que perpetuaria a valentia e os costumes desse povo constituído unicamente de mulheres, mais se fosse menino, seria naturalmente eliminado. Agora o tempo havia passado e as guerreiras amazonas haviam adotado novos hábitos para melhor preservar a espécie e costumes.A grande festividade estava sendo preparada há dias. Naquela tarde as mulheres desceram em procissão do monte onde viviam e foram para o lago sagrado denominado Espelho da Lua, levavam nos ombros potes cheios de perfumes que iriam derramar na água. Atena fora convidada a participar do grande evento que acontecia somente uma vez no ano, durante a nona lua.Pararam a beira de um maravilhoso lago, era tardinha e o sol estava se pondo lentamente por detrás dos coqueirais.As belas mulheres estavam nuas e se banhavam no lago, faziam gestos e induziam carícias, cantavam com suas vozes sedutoras, sabiam que próximo dali havia uma aldeia e precisavam chamar a atenção dos machos. Titânia estava presenciava o acontecimento, Atena sentiu que havia uma nuvem de tristeza em seu olhar. A mulher olhava para as margens do riacho como se estivesse procurando alguém.Atena olhava para as águas do lago, quando viu surgir uma figura feminina que realmente lhe chamara a atenção, a mulher era bela, possuía os cabelos negros e lisos, o corpo era dourado.Colocou o amuleto no pescoço de Atena e disse: - Você é uma bela mulher! Tenho fé que brevemente a natureza se encarregará de privar nós mulheres de tamanho sacrifício. Eu adoraria ter uma filha com você! Deu um beijo na boca de Atena e saiu correndo pela mata.Atena então se lembrou: Aquela pedra verde que brilhava, era a mesma que tentou apanhar naquele terrível dia que caiu no abismo.Quando a noite chegou e a lua se deitou sobre o espelho d´água, haviam uns dez homens as margens do lago prateado. As amazonas mergulharam nas águas com seus corpos fortes e morenos, os seios belos e firmes, era sinal de que as mulheres estavam prontas para ser mãe. Após o ritual de purificação e limpeza nas águas do Espelho da Lua, as guerreiras amazonas clamavam pela mãe do Muiraquitã. Então a guerreira mais velha colocava em cada pescoço das mulheres um colar que tinha uma pedra verde (jade), denominada de Muiraquitã, onde se encontravam esculpidos estranhos símbolos em formato de: peixes, tartarugas e sapos, os preferidos das mulheres. Cada nativa trazia então em seu pescoço seu talismã propiciatório de proteção material e espiritual. A guerreira velha então serviu o chá aos homens que beberam e ficaram em estado de êxtase. O líquido era alucinógeno o que facilitaria o trabalho das amazonas. As moças despiam os homens, sendo que duas amazonas se ocupavam de cada macho. Faziam carícias em todo o corpo do homem, beijavam cada centímetro de pele, quando viam que eles estavam para atingir o gozo, deitavam os mesmos em esteiras e fazendo movimentos repetitivos em seus pênis, só paravam quando seus falos derramavam a seiva da vida. Rapidamente as guerreiras, recolhiam o sêmen em uma cumbuca de madeira que guardava cuidadosamente.Depois de terminado o ritual, as amazonas empurravam os homens para longe de si, os que cismavam em não obedecer, eram expulsos a tiros e flechadas. Então as mulheres voltaram para a aldeia, cantando e levando consigo, o líquido precioso que iria lhes garantia a vida.Na aldeia a lua coroava o céu cinzento. As mulheres acenderam a fogueira no centro da praça e a dança começou. Atena observava a tudo, não queria perder detalhe, estava ansiosa com os acontecimentos da noite.As mulheres mais jovens dançavam pelo terreiro, seus belos corpos virgens e jovens eram iluminados pelas línguas de fogo que aquecia o lugar. Em um certo momento, apareceram dez mulheres vestidas com suas roupas de couro. As guerreiras foram até as jovens que dançavam e então, cada uma escolheu sua parceira. Atena assistia a tudo sentada no velho tronco de madeira que havia próximo ao local, segurava a pedra verde que trazia presa no pescoço, agora começava a entender que desde sua chegada a floresta, tinha sido realmente seguida e guiada para a cidade das amazonas. Lembrou da bela mulher sorrindo e lhe dizendo: - Eu adoraria ter uma filha com você. As guerreiras amazonas seguravam as jovens pelo braço e as conduziram até a grande casa de pedra, onde havia uma porção de redes que estavam dispostas uma ao lado das outras. As mulheres pareciam possuídas, beijavam e mordiam os corpos das moças novas que gritavam de dor e prazer. Depois de lamber o corpo e permanecer um tempo sugando o sexo da parceira, a velha guerreira auxiliada por outra, distribuiu as guerreiras, um objeto que tinha o formato de órgão genital masculino. As amazonas introduziam então o objeto no sexo das companheiras. O objeto era feito com uma resina vegetal macia e tinha um orifício na ponta, o sêmen dos homens era depositado no interior do objeto, com o objetivo de fecundar as mulheres. Nos meses que se seguia, aquelas mulheres eram observadas para ver se haviam engravidado. As que não haviam conseguido, mesmo assim, recebiam tratamento especial tal como, ter seus seios sugados durante vinte minutos duas vezes ao dia, assim quando chegasse a época dos nascimentos, as mulheres que morressem no parto, seriam substituídas por aquelas que apesar de não terem parido, estariam com os seios fartos de leite. Atena descobriu que era possível amamentar uma criança, mesmo não sendo mãe, para isso era necessário sugar constantemente o seio para estimular as glândulas mamárias que provocaria a produção de leite.Aquelas mulheres dependiam dos homens somente como banco de sêmen. Corria
o boato de que na aldeia havia uma jovem que esperava um filho de uma
outra guerreira, diziam que a moça se recusara a receber o sêmen
durante o último ritual. Corriam boatos que a moça todas
as noites, recolhia a seiva de sua amada e então se lubrificava
com ela. Atena não sabia até que ponto tudo aquilo era
verdade, então pensou: Será que é a magia da natureza
agindo nessa aldeia? As
cortinas tecidas pela névoa escondiam um paraíso... Elas viviam entre as grandes montanhas e eminentes serras, o local próximo às casas era escalvado, faltava mato, possuía grandíssimos penedos e pedrarias inumeráveis.As amazonas eram famosas cavaleiras e criadoras de cavalos, elas vestiam armaduras leves e carregavam escudos, lanças, espadas e arcos, partiam em disparada se perdendo entre as folhagens dos buritis. As guerreiras tinham que descer até a mata mais próxima que ficava ao pé da serra para caçar e colher. As matas eram frondosas, com grandes árvores, que indicavam a fertilidade do terreno, havia grande quantidade de frutos silvestres, entre eles o açaí e a pupunha. A flor da Munguba se mostrava tal como um sol de fogo, era a mais exótica da Amazônia, entre os meses de junho a outubro, atraía com sua beleza, grande quantidade de pássaros que se alimentavam do seu néctar.As mulheres eram temidas pelos indígenas, pois ali o boato corria solto de que as grandes senhoras matavam quem adentrassem em suas terras. Na cidade das amazonas, havia uma praça no centro da aldeia, com uma grande escultura em relevo, onde figurava, sob dois "leões", a imagem da bela mulher. A estátua que ficava no centro da praça era uma espécie de oratório que conservavam em homenagem a Deusa, Ártemis, a governante das amazonas. Ártemis era representada com vestes curtas, com os joelhos descobertos, carregando o arco e a aljava com setas temíveis e certeiras. A arqueira, a "sagitária do arco de ouro", a virgem indomável como era também chamada, vivera na natureza percorrendo campos e florestas no meio dos animais. Era tida como a protetora do Amazonas. Era seguida por um séqüito de ninfas as quais ela ultrapassava em muito em altura e beleza. A estátua era esculpida em ouro, prata, ébano e ônix.A Deusa da terra usava um machado duplo o "labrys" que era utilizado como cetro. Embora estivesse sempre acompanhada de animais, a corça era o seu predileto. Atena certa manhã fora chamada por Naiá que lhe disse:- Atena, devemos partir para o grande templo, a senhora está nos esperando. Atena seguiu Naiá até o centro da aldeia, onde a tropa de cavalos já estava toda arreada e pronta esperando. Naiá então disse: - Vamos subir montadas, você já está curada e assim iremos mais rápido! A VIAGEM Da primeira vez que Atena havia escalado aquela enorme rocha, estava tão cansada e assustada, que não havia reparado nem na metade da magia do lugar. O estreito caminho desenhado na pedra levava a uma terra de sonhos, oculta aos olhos do resto do mundo. O grupo de seis mulheres, todas trajadas de botas de couro marrom, algumas de calças de pele, outras de vestido, traziam sempre presas junto ao peito o arco, nas costas as flechas coloridas. Os cabelos longos e molhados de suor, amolduravam os rostos dourados pelos sol da Amazônia. A grande montanha era visível somente até certo momento, quando de repente, as brumas a envolviam e a juntavam ao céu azul acinzentado. Aquele caminho que passava pelas terras das amazonas era o único ponto de acesso ao templo, o restante era abismo. Jamais alguém conseguia chegar ao templo sem que fosse pela estrada, a grande montanha ficava isolada das demais, era uma grande torre de pedra perdida no meio da floresta, era como uma ilha de rocha única, no verde da Amazônia. O exército feminino seguia em frente, Atena sentia o cheiro de fêmea que pairava no ar, as mulheres eram belas, as coxas firmes seguras dentro das botas de cano longo, presas com fivelas, fincavam as esporas nos animais que relinchavam e partiam em disparada. Elas tinham rapidez e habilidade de galopar entre os seringais e as castanheiras e ir se esgueirando dos galhos e ramos do caminho, que batiam como chicote cortando a pele e a carne de uma inexperiente forasteira como Atena. Naiá então disse:- Vamos mais devagar, ou então nossa visitante não chegará inteira! Atena sorriu e disse:- Meu rosto e meus braços estão riscados tal qual o jogo da velha! Quando fizeram uma curva brusca, deram de encontro a uma pedra grande. Os cavalos então pararam bruscamente bufando. Atena então pensou: - Meu Deus chegamos ao fim, não existe passagem! Atena, olhou para trás e viu o caminho que serpenteava minúsculo e insignificante no meio da vegetação e ao redor, abismo oculto pela névoa branca... Então Naiá botou a mão na boca e gritou: - HÁIAAAAAAAAAA! Os animais deram um salto no abismo e mergulharam na bruma, Atena sentiu um frio no estômago diante do mergulho no vazio. Em questão de segundos os animais romperam a cortina que ocultava o belo vale de luz e magia que as esperava depois da fresta mortal que haviam superado num salto. Atena então disse:- Puxa que loucura, da primeira vez eu não vi esse trecho! Naiá então respondeu:- Acontece que você estava muito cansada o suficiente para não perceber que pulamos pelo desfiladeiro com você. A nuvem serve como cortina para ocultar esse paraíso, quem olha jamais imagina que é possível atravessar, daí o mistério de ficarmos isoladas do resto do mundo. O TEMPLO DE ARTEMIS Quando chegaram ao grande templo, encontraram Titânia que as esperava. Ela disse:- Sejam bem-vindas! Fizeram boa viagem? Naiá então disse:- Sim, apenas assustamos um pouquinho nossa visitante! - Atena é melhor entrar para que possamos cuidar do seu rosto e de seus braços, está cheia de ferimentos!Duas belas amazonas vieram cuidar dos machucados de Atena, passaram tintura de tocari que lhe queimou a pele, mais Atena estava tão enfeitiçada pelas mãos das jovens, que desejou estar ferida pelo corpo todo.Serviram refresco de cupuaçu e em seguida, ensopado de bodó (um peixinho pequeno, um tipo de cascudo) com pimenta nativa, acompanhado de tamá (farinha de amendoim). Após o almoço, Titânia chamou todas as companheiras até uma grande sala onde havia uma enorme mesa redonda de madeira. As cadeiras estavam organizadas ao redor e então a senhora disse: - Por favor, sentemos, é chegado o momento!- Atena, temos a sua espera uma grande missão, acreditamos que já está pronta, e que podemos confiar em você. Estamos te avaliando desde que chegaste à aldeia dos ianomâmis. Titânia então com os olhos cheios de lágrimas disse: - O que vou lhe pedir, é algo muito importante e que põe em risco nossa comunidade! Eu sei que muitas de nossas mulheres, não concordam com isso, mais lutei durante todos esses anos e não consigo pensar diferente, tenho que confiar em alguém que possa me ajudar, precisamos estabelecer contato com os nossos antepassados que estão perdidos em algum lugar distante daqui. Escolhemos você devido ao respeito que tens pelas mulheres e pela nossa história. Titânia então continuou:- Há dez anos, deixei de ser feliz, arrancaram o amor dentro do meu peito, levaram para longe aquela que será minha sucessora nesse templo.Foi durante o ritual anual, no oráculo das amazonas, eu estava comandando o evento, quando retornamos a aldeia e Diana havia sumido! Quando cheguei na taba, encontrei somente uma foto do infeliz, olhei e vi que se tratava do pai dela. Ele voltou depois de cinco anos do nascimento da menina e a levou com ele. Desde esse dia, nunca mais tive notícias dela, percorremos todas as aldeias da região, matamos vários homens, travamos uma guerra com quem encontramos pelo caminho, e nada. A única coisa que consegui descobrir é que o desgraçado a levou para o México, lugar de onde ele havia partido. Titânia então secou as lágrimas que caiam pelo rosto e continuou: - Já se foram dez anos e agora que estou preste a preparar minha substituta, não consigo deixar de pensar em minha querida filha Diana, é nossa tradição, o trono deve ser ocupado pela primogênita da guerreira senhora. Diana era linda como a Deusa Ártemis, hoje deve ser uma bela mulher, quero que você a traga de volta, se conseguir isso você ganha a sua liberdade, do contrário ficará presa para sempre nas terras das amazonas! Atena então levantou o rosto, olhou bem dentro dos olhos de Titânia e disse: - Em defesa das mulheres, trarei Diana de volta ao Templo de Ártemis!
NA CIDADE DAS AMAZONAS Atena estava se preparando para partir em busca da filha de Titânia. A aldeia estava em verdadeiro alvoroço, Titânia havia ordenado que Naiá fosse junto com Atena em medida de segurança, assim evitaria que a moça branca fugisse sem ter cumprido sua missão.As amazonas estavam preparando uma festa em homenagem as duas mulheres que partiriam na manhã seguinte. A praça estava toda enfeitada, algumas guerreiras tocavam e cantavam, outras serviam bebidas fermentadas de milho e mandioca que estava depositada em recipientes de cerâmica. Das dez mulheres que haviam sido inseminadas naquela noite do ritual, seis estavam grávidas, Atena ficou olhando as jovens guerreiras, desfilando orgulhosas, os ventres redondos e brilhantes, devido ao óleo de castanhas que usavam para deixar a pele sempre protegida. Naiá então disse:- Estão de sete meses, quando voltarmos da nossa viagem, com certeza já terão parido! Atena então perguntou apontando:- E aquela outra moça que tem o ventre enorme e está separada das outras? - Trata-se de Cíntia, ela afirma que espera um filho de uma guerreira amazona, mais ninguém sabe quem é essa misteriosa mulher. Atena então disse:- Vou falar com ela! A bela moça estava sentada olhando para lua, tinha os olhos perdidos no vazio, Atena então disse:- Cíntia, posso me sentar ao seu lado! - Claro, estou me sentindo tão sozinha! - Gostaria de ouvir sua estória, como você conseguiu ficar grávida? O que realmente aconteceu? - Tenho me sentida isolada da comunidade, ninguém acredita em mim, e o pior, elas pensam que eu me deitei com algum homem, o que não é verdade. - Eu entendo, então me conte tudo, quem sabe eu possa ajudá-la! - Sempre gostei de passear pelo Vale da Vitória Régia e me banhar nas águas do Espelho da Lua. Um certo dia, quando eu lá estava, apareceu uma mulher lindíssima, possuía os cabelos negros e longos, me botou um muiraquitã no pescoço e me beijos os lábios. A pedra verde-azulada era uma bela amazonita que agora era exibida como troféu no belo colo de Cíntia. -Ela começou a fazer carícias no meu corpo, ela tinha as mãos fortes e me pagava com firmeza. Ela me carregou em seus braços e me levou até uma das enormes vitórias-régias que emergiam à tona d´água enfeitando o lago, protegida por pecíolos imensos, armados de poderosos espinhos. Havia várias flores de cores variadas: do rosa, até o púrpura-escuro, tendo no centro uma cor leitosa um tanto amarelada.A bela mulher colheu uma grande flor branca-aveludada, me ofereceu, daí pegou minha mão, colocou junto com a sua em cima do prato foliáceo cheio de nervuras e disse: - Nossa filha será embalada no berço verde do Espelho da Lua, ela será linda, a primeira e pura amazona, depois do seu nascimento, os costumes do novo povo será quebrado, e conseguiremos então nossa verdadeira independência... -A bela mulher me beijou novamente e então ela me levou para um nicho de pedra, primeiro me sentou, sendo que permaneci com os pés dentro do lago. Então a misteriosa mulher me beijou os pés, as pernas e depois se concentrou na fonte de meu prazer. Sua língua era ágil e forte e eu senti que meu interior explodia de desejo. Então a mulher se deitou sobre meu corpo e eu pude sentir que as pétalas de minha flor se abriam para se juntar as dela, nós fazíamos movimentos e nos beijávamos, enquanto nossos seios se encontravam. Eu sentia que alguma coisa muito forte estava acontecendo e percebi que uma energia imensa nos unia naquele momento, era como se fossemos um mesmo corpo. Então eu senti que minha flor era rompida e que a mesma recebia um jorro quente que percorreu minhas entranhas. Daí quando eu abri meus olhos e olhei para ela, eu vi a beleza e leveza em seu rosto de fêmea, que me sorriu e disse: - Plantei em você a semente do amor, ela nascerá no primeiro dia da primavera, se chamará Tauarí e será tão bela quanto suas flores que alegram e enchem de cor da mesma forma que se contrastam em meio ao verde matizado da floresta. A mulher entrou na mata, eu fiquei sorrindo para o sol! Capítulo 6 Desde criança aquele impulso a acompanhava, precisa ir, ir, ir... O calor era insuportável, a terra cuspia o bafo de fogo de suas entranhas. As aleluias voavam afoitas como um véu branco que cobria a aldeia das amazonas. O trovão quebrou o silêncio da cidade, a chuva começou a cair de mansinho, o cheiro de terra molhada misturada com o estrume dos cavalos, inundava o ar com o aroma do campo. Atena estava preparada para a longa viagem, vestia sua velha calça jeans desbotada e uma camisa de mangas compridas de algodão cru, o velho e companheiro chapéu de couro e as botas de cano longo. Naiá vestia seu traje todo em couro marrom, carregava seu arco e flecha, fora instruída por Titânia a levar o equipamento, para se proteger dos perigos no caminho. Titânia estava com a fisionomia preocupada e ansiosa, chegou até Naiá e disse:- Confio em você irmã, vá a busca de sua sobrinha, não meça esforços para encontrá-la. Lembre-se que nada poderá dete-la, use todas suas armas para atingir nosso objetivo, não deixe que nada amoleça seu coração de guerreira, nunca se esqueça que o sangue da grande Deusa corre em suas veias de mulher. Então Naiá olhou para a irmã e disse:- Irmã, algum dia eu já te decepcionei? - Se digo isso mana é porque sei que serás submetida a muitas provas, estarás entrando em um mundo totalmente estranho para uma amazona como você. - Pois fique tranqüila, não vou te decepcionar. Ai daquele que cruzar o meu caminho! Titânia então beijou as duas faces de Naiá e disse:- Que Ártemis esteja sempre contigo! Então Titânia caminhou até Atena, tirou um colar que trazia dentro do embornal de couro que estava preso em sua cintura, colocou no pescoço da moça e disse:- Ele pertence a minha filha Diana, aconteça o que acontecer, só tire-o do pescoço quando encontrar com ela. É uma jóia antiga, minha avó disse que pertenceu a Ártemis. A corrente era tecida com ouro amarelo e possuía um pingente que consistia em uma única e bela pedra azul.As duas mulheres montaram em seus cavalos e foram seguidas por mais seis amazonas que foram encarregadas de levá-las até a aldeia da borracha onde procurariam encontrar um meio de transporte que as levassem ao México. As guerreiras entraram pela floresta. Era incrível como conheciam aquele mundo verde como a palma de suas mãos. A tropa seguia ligeira e Atena sempre ao lado de Naiá, montava um cavalo cor de mel que tinha as patas fortes e firmes e galopava com velocidade e segurança, abrindo a vegetação fechada. Ali não havia estradas ou trânsito de veículos motorizados por terra. Ali só havia a trilha perdida na floresta. Ayar uma amazona de quarenta e cinco anos era a chefe da equipe, ia sempre a frente muito concentrada e abrindo a foice os galhos que teimosos cismavam em permanecer no caminho. Em certo momento, Ayar parou e deu sinal para as companheiras para que fizessem silêncio. Atena sentir o clima pesado e os olhos de susto nos rostos das mulheres. Foi questão de segundos para que fossem abordadas. Estavam em cinco, homens que cheiravam a suor e a vinho que eles mesmos produziam: com os frutos das palmeiras, açaí, patoá e abacaba, tinham a cara de caboclos seringueiros. O mais forte e mais alto foi logo dizendo:- Onde pensam que vão donas?- Ayar então respondeu: - Iremos onde nossos corações nos quiserem levar, a floresta não tem dono e somos livres e donas de nossos narizes para passar ou ir onde quisermos. - Ainda mais é atrevida, sua dona de merda! Atena sentiu o coração gelar, sabia que aquilo não acabaria bem, o grupo de machos tinha cara de poucos amigos, e Ayar ainda ousava enfrentá-los.Os homens tinham as vestes sujas de barro vermelho, traziam presa a cintura a capanga e na cabeça a "poronga", uma espécie de lamparina que não se apaga com o vento e serve para iluminar o caminho, já que o dia daqueles homens começa cedo. O homem que discutia com Ayar tinha uma espingarda nas mãos e então disse: - A dona não sabe que esse território é nosso? Ayar olhou bem dentro dos olhos do sujeito e respondeu: - Já disse para o senhor que para nós não existe esse negócio de dono de terra, a terra é de todos e de quem a respeita, sigam seus caminhos que seguiremos os nossos. Então o homem fez um movimento brusco e tentou puxar as rédeas do cavalo de Ayar, esta fincou esporas nas ancas do animal que deu um salto sobre o homem e partiu em disparada entre a nuvem de mosquitos que pairava no ar. A amazona tinha os cabelos lisos e negros, grudados a cabeça devido ao calor úmido, ela ia rasgando no peito, as trilhas incompreensíveis da mata. As outras seguiram Ayar, o homem ficou estrebuchando no chão, enquanto outro pegou a espingarda e deu um tiro para o alto, as amazonas então responderam atirando flechas certeiras que serpentearam e coloriram o caminho. Atena olhou para trás á tempo de ver um deles caindo atravessado pela seta e derramando um filete de sangue.Elas estavam no território do ouro vegetal, Atena olhou e viu que as árvores possuíam cortes diagonais no tronco e que haviam amarrados neles, potes para colher o látex, eram assim que eles sangravam as seringas. Naiá então disse a Atena:-As amazonas são mulheres de paz, desde que não atravessem em seu caminho, são mulheres que trazem no sangue a revolta pelo domínio machista. Elas não permitem que lhe tirem a liberdade. Continuaram à viagem pela mata, Ayar silenciosa dessa vez ia trotando e ganhando velocidade, as amoreiras-da-mata, cresciam naquele ponto do caminho, uma família de maritacas passou por elas fazendo um grande alvoroço... Avistaram a aldeia da borracha a poucos metros abaixo da montanha, então Ayar disse a Naiá: - Companheira, aqui lhe deixamos, siga seu caminho e traga para nossa cidade aquela que deverá ser nossa líder! Naiá então respondeu:- Cumprirei minha missão, que assim seja! A tropa
partiu, deixando um rastro de poeira no ar, Ayar ia gritando e as mulheres
a acompanhavam com o arsenal de guerreiras, tendo a fúria estampadas
em seus rostos de fêmeas selvagens. A aldeia estava tranqüila quando as duas mulheres chegaram, Naiá disse a Atena: - Daqui para frente você terá que fazer tudo que eu lhe mandar, nem ouse a me desobedecer ou tentar fugir, nós amazonas temos os sentidos aguçados e qualquer deslize serei obrigada a te matar. Atena então ficou muito perturbada diante daquelas palavras e disse: - Não se preocupe Naiá, assim como você eu também assumi o compromisso de trazer Diana de volta a cidade das amazonas, tenho a lhe dizer que também sou mulher de palavra. Amarraram os animais na sombra do grande angico e entraram no boteco do Sr. João Xaraés, o lugar cheirava a mofo e tinha as paredes de tábuas cobertas com peles e cabeças de animais da região, uma grande sucuri era exibida como troféu em cima de uma mesa feita com toras de madeira. Então Naiá perguntou ao homem que atendia do outro lado do balcão: - Alguém conhece algum dono de balsa por aqui?Para surpresa de Atena, Mestre Zito apareceu dos fundos do pequeno bar e disse: - Pois não dona!- O senhor conhece alguma embarcação para nos levar até Manaus? - Claro dona! Eu mesmo possuo a minha "Companheira" que está sempre aprumadinha! Atena então pensou: - Puxa, será que ele não me reconheceu? É verdade que se passaram alguns meses, eu estou bem mais queimada de sol... Mas pensando bem, é melhor assim. Dormiram em redes que amarraram ali mesmo próximas aos cavalos, partiram na madrugadinha daquele dia maravilhoso de verão. Lá estava o Madeira, que as levariam até Castanheira do Norte, os caminhos confusos dos igarapés coloriam a estrada líquida, bordando ora ou outra com flores azuis o manto maravilhoso do rio. Em certo momento Atena disse a Naiá: - Por onde começaremos a procurar Diana? Da última vez que você a viu ela ainda era uma garota. - Acontece que Diana é diferente de todas as mulheres numa coisa: Ela traz no ombro esquerdo um sinal que a distingue de todas as outras. Uma lua azul da cor de seus olhos. - Bem diante disso penso que ficará mais fácil! Mestre Zito que estava por ali disse:- Engraçado, conheci uma menina que tinha esse nome e também essa tal marca estranha a uns dez anos atrás. Me lembro como se fosse hoje, ela chorava muito aqui nesse barco naquela noite de tempestade. Naiá deu um salto diante das palavras de Mestre Zito, não mediu forças quando pegou o velho pelo colarinho e disse: - Diga tudo que sabe velho! Mestre Zito levou um susto, não imaginara que aquela bela mulher de aspecto frágil fosse capaz de tamanha brutalidade e atrevimento. - Olha aqui dona, eu não estou acostumado a receber ordem de muié. - Pois trate de ir se acostumando, vai falando ou terei que cortar sua língua para dar de comer aos jacarés! - Que estória é essa dona, eu sou um homem de paz, não quero saber de encrenca com amazonas, não é isso dona? - Isso mesmo, pois então trate de ir contando tudinho sobre essa tal de menina Diana. Então Mestre Zito começou:- Jamais esquecerei aquela tarde...Estávamos no boteco do Xaráes na aldeia da borracha quando ouvimos o trotar do animal. O cavalo era negro que chegava a doer nas vista, o homem tinha a cara feia de morte. Eu e meus companheiros achamos muito estranho um homem trazendo uma linda menina nos braços. A criança chorava e chamava:- Mamãe, mamãe.O homem deu um safanão na garota e disse:- Eu não já falei que sua mãe morreu, Diana. Fique quieta agora ou então não te dou o que comer.Ele ofereceu leite a garota e depois se dirigiu a mim: - Preciso chegar a Castanheira do Norte, gostaria de alguém que me levasse. - Pois não podemos partir amanhã cedo. - Não senhor, tem que ser agora, não temos tempo a perder. - Mas patrão , vai cair à noite e pelo tempo, teremos uma tempestade! - Não me importo, temos que ir, tempestade maior enfrentaremos se permanecermos aqui. Pegou uma garrafa com leite, bolo de macaxeira, deu um murro no balcão e gritou: - Vamos embora velho, é agora ou nunca! Eu percebi pela minha experiência que se eu não fosse, seria homem morto, diante disso, partimos pelas águas do rio Madeira. Me contaram depois que logo que deixamos o boteco, chegou um grupo de mulheres na aldeia e que houve tiros e mortes. Elas tentaram nos alcançar, mais a tempestade estava tão forte que todos os barcos que foram lançados nas águas, viraram, várias delas morreram. Dizem que foram semanas de luta.A tempestade nos pegou no meio do rio, a criança chorava muito e o pai lhe dizia:- Diana que espécie de menina é você? Cadê sua coragem? Será que não puxou o sangue de sua mãe ou o meu? Naiá então que estava ansiosa e tinha um nó na garganta, perguntou:- E o senhor os levou até Castanheira do Norte? - Sim, o homem disse que depois seguiriam imediatamente para o Peru. Naiá então surpresa, novamente perguntou: - Mais quer dizer então que ele não foi para o México? - Não sei não dona, será que minha cabeça de véio se enganou? Lembro que ele me contou que ia atrás de um rabo de saia que estava a sua espera e que lhe ajudaria a cuidar da criança. EM BUSCA DE DIANA Depois
da conversa com Mestre Zito, Naiá resolveu que tomaria o caminho
que sua boa intuição lhe indicava: O Peru. Estavam
procurando por uma menina que agora era quase uma mulher, que nem sabiam
como era e onde sequer vivia. Mas para Naiá isso não se
mostrava como um empecilho. Naiá então disse:- É para lá que vamos! O PERCURSO O caminho poderia ser feito pela estrada de ferro, mais Naiá decidiu que fariam a pé. Atena falou a amiga: - Naiá fico admirada com a sua rapidez em decidir as coisas, me explica, o que te levou a decidir por começarmos pela cidade inca? - Acontece amiga que alguma coisa me diz que lá encontraremos pistas de Diana, vejamos bem, nós guerreiras amazonas, temos ligação com as mulheres incas, se Diana é uma das nossas, com certeza carrega no sangue a força dessa civilização, é por lá que devemos começar. Atena
se lembrou que durante aquela noite no hotel em Lima, por várias
vezes teve a vontade de ligar para Anália, havia partido para
aquela viagem há meses, imaginava que a equipe de estudiosos
retornara a São Paulo e contaram do acidente acontecido com ela
no Amazonas. Certamente todos pensavam que ela havia morrido. Será
que era justo deixá-los na ignorância? Mas novamente, aquela
sensação forte tomou conta de sua alma, aquela vontade
de buscar algo que não sabia o que era nem onde ficava, era impossível
explicar para Anália que o que naquele momento tomava conta de
sua alma, era muito mais forte do que o amor que sentia por ela. Cada
uma delas carregava uma mochila presa as costas. Ali havia comida, cobertor
e água. Deveriam percorrer 48 quilômetros para chegar à
cidade inca de Machu Picchu, por caminhos que cortam a cordilheira e
atravessam maravilhosos vales tropicais. MACHU PICCHU Um dos
vales de maior riqueza paisagística e cultural do Peru. Formado
há milhares de anos pelas correntezas do rio Sagrado. Adoro
o mistério da vida, seqüência de momentos perdidos
no tempo... Willcabamba
a cidade sagrada ficava próxima ao Pico Velho, permanecia intocada,
encoberta pela vasta vegetação da selva amazônica.
As habitantes permaneciam isoladas do resto do mundo, tinham acesso
ao local que os homens nunca conseguiram profanar nem encontrar. O pesquisador
Hiram Bingham em 1911, levado por camponeses havia trazido a luz parte
do enigmático local, mas o Vale Sagrado dos Incas ainda permanecia
oculto e protegido da humanidade, hoje ele era preservado e guardado
pela comunidade feminina. OKkoricancha
possuía uma enorme estrutura de pedra, a mais esplendorosa de
todo o Império Inca. O templo de exterior austero tinha todo
o interior resplandecendo em ouro e prata. Havia uma parede virada a
leste, que ficava no fundo do local, lá havia uma efígie
do sol, assim quando todas as manhãs surgia o astro-rei, a efígie
resplandecia com a luz reflexa, iluminando o templo.
Existem
pessoas que adorariam serem dadas por mortas, assim teriam a oportunidade
de construírem uma nova vida... Atena
parou diante da estátua da guerreira, sentindo o coração
apertado e tendo um nó preso na garganta. Procurou pelo velho
tronco de samaumeira que tantas vezes havia servido como seu local de
descanso nas longas e solitárias noites de outrora...
FIM |
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