O Mistério das Amazonas
Por LAISA MACKENNA
laisamackenna6@yahoo.com.br

 


"O desconhecido assusta, mexe com os nervos, excita, é adrenalina pura"

O grupo de estudiosos havia partido da grande metrópole logo pela manhã. Seriam várias horas de vôo até a capital da grande floresta.

Atena e Cícero eram arqueólogos e Mike fotógrafo. O destino era a vasta floresta amazônica. Haviam marcado a data da ida sem previsão de retorno, sendo que o grande objetivo era a pesquisa de antigas civilizações.

Pretendiam ser hóspedes temporários em uma aldeia dali, onde um integrante da turma já os esperava.

Pousaram em Castanheira do Norte ao entardecer. O clima quente e úmido provocava um calor infernal e a nuvem de mosquitos cobriu a cabeça dos três amigos como um véu.

A região era um santuário ecológico, possuía sua flora e fauna diversificada e rica beleza natural.

Passariam a noite ali para descansar, na manhã seguinte fariam compras, e arranjariam um barco que os levassem até o local programado.

Cícero era um homem de cinqüenta anos, era professor de Atena, estava encantado com o retorno ao estado do Amazonas. Um apaixonado pelo lugar. Fora ele que convidara Atena, sua predileta e antiga aluna para fazer parte de sua equipe, juntamente com Mike que o acompanharia naquela pesquisa.

No folclórico mercado de Castanheira do Norte, compraram mantimentos que deveriam levar na viagem. Ficaram encantados com a mistura de cores, aromas e sabores de ervas e comidas exóticas.

Havia uma feira livre por onde circulavam diariamente, centenas de pessoas.
Nas inúmeras barracas eram encontradas as saborosas frutas típicas da região, como cupuaçu, uxi, açaí, bacuri e pupunha. Havia várias espécies de peixes e mariscos, carne vermelha, verduras, legumes e, dando o toque místico e mágico, as ervas usadas na chamada "medicina da selva".
Havia remédio para uma simples dor de dente até uma boa "garrafada", feita com plantas e partes de animais, usadas inclusive para "amansar maridos", e com nomes sugestivos: "chora aos meus pés", "pega não me larga", "chega-te-a mim".

AS ÁGUAS DO MADEIRA

O rio naquela manhã cinzenta tinha em suas águas brancas, aparência de tranqüilidade e magia, mais a correnteza era forte e traiçoeira. A neblina do rio envolvia a embarcação que partia firme e silenciosa. A revoada das garças brilhava na neblina.

As árvores davam o tom verde que impregnava todo o universo amazônico. As belíssimas plantas aquáticas, com suas flores de variados tons, coloriam o tapete que cintilava em contraste com os primeiros raios de sol.

Atena era uma mulher de quarenta anos, tinha charme e beleza, apesar de não possuir nenhuma vaidade. A pele era bronzeada naturalmente, devido ao constante exposição ao sol, durante suas aventuras.
Atena era morena clara, possuía os cabelos levemente encaracolados e curtos. O chapéu de couro amarrado no queixo, moldava o rosto quadrado de traços firmes. Atena estava ansiosa para chegarem à famosa aldeia dos ianomâmis, era lá que deveriam encontrar com Richard, o amigo que havia se encarregado de ir à frente e preparar o terreno para que o grupo fosse recebido com hospitalidade pelos índios da aldeia.

Mestre Zito, homem matuto que contrataram em Castanheira do Norte para os levar até o coração da selva, pilotava o barco com mãos pegajosas de suor, agarrava o velho timão carcomido pelo tempo, com o olhar orgulhoso e seguro de bom navegador que era. A embarcação ia deslizando pelo leito caudaloso. O homem tinha a pele muito envelhecida pelo sol, o que lhe aumentava a idade em mais de vinte anos.
Mestre Zito era experiente na arte da navegação, sabia que a natureza exigia respeito, do contrário nem a mais forte reza resolvia. Obedecia as orientações de Deus que lhe enviava mensagens pelo canto dos pássaros, na posição do sol ou da lua. Sabia que quando curicaca cantava era melhor procurar proteção, pois era tempestade na certa!

A refeição era preparada ali mesmo no convés em um pequeno fogareiro de duas bocas. Mike cozinhava arroz e feijão, em uma lata havia carne frita que haviam comprado em Castanheira do Norte. Atena chegou próxima do fotógrafo e disse:

- Nossa, que cheiro maravilhoso é esse?
Então o moço respondeu:

- É sua fome querida, pode ter certeza!

Viajaram o dia todo, os rios da Amazônia eram: brancos, amarelos, alaranjados, castanho-escuro, verdes, negros, transparentes...

A floresta de várzea crescia livre as margens do rio. Havia espécies raras de pássaros, peixes e flores que compunham o cenário mágico.
Quando anoiteceu, foram envolvidos pelos ventos frios trazidos das matas e pelo brilho das estrelas que cintilavam no céu de chumbo.

Cícero era apaixonado pelas noites e logo disse apontando para cima:

- Olhem que maravilha, ali está o cruzeiro do sul. Como ele se mostra de forma nítida...

Depois de dois dias de viagem, avistaram um vilarejo que ficava as margens do grande rio e Mestre Zito sugeriu:

- Que tal pararmos para tomar um traguinho e esticar as pernas?

CONCHAL DAS ÁGUAS

O grupo desembarcou em Conchal das Águas, que era uma vila de ribeirinhos. Aqueles caboclos eram intermediários entre dois mundos: a floresta e a cidade.As águas eram cortadas pelas grandes gaiolas, balsas ou em "popopos", que era uma pequena embarcação usada por aquele povo.

Os ribeirinhos, que chegavam das ilhas, traziam seus pequenos barcos carregados de peixes, frutas e legumes para serem comercializados no pequeno vilarejo. A belíssima vegetação local se destacava por grandes exemplares de árvores como: seringueira, andiroba, palmeiras como o açaizeiro e buritizeiro, e a majestosa samaumeira.

O barulho de milhares de papagaios que levantavam vôo, tingindo o céu em um tom verde-esperança, numa festiva saudação ao sol.

A balsa de Mestre Zito cortava caminho entre os igarapés que levava ao mundo exótico dos caboclos, dominado pelas matas e águas. Às vezes o caminho era tão estreito que se podiam ver muitos animais, como macacos, que pulavam de uma margem a outra, surpresos com o barulho das embarcações.

Foram a um pequeno boteco, que era construído com troncos e folhas de palmeira e que ficava suspenso sobre o rio em um enorme tablado de madeira rústica. O boteco era o único que havia ali, e Mestre Zito disse ao vendedor desdentado que apareceu atrás do velho balcão de madeira:

- Eu quero aquela da boa, Neguinho!

O homem serviu a aguardente e Mestre Zito bebeu em um trago estalou a língua e disse:

- Eta, depois dessa eu vou até o fim do mundo!

O grupo saiu caminhando pela passarela que levava até Conchal das Águas, deixando para trás a aconchegante palafita com cheiro de peixe frito.

Compraram uma galinha do quintal de uma senhora da vila, e levaram o animal que se debatia feito louco, tentando se livrar das garras de Mike.

Mike então disse:

- Quieta sua danada, você será nossa ceia, portanto se comporte. Sua sorte é não termos freezer senão tu morrerias agorinha.

Mestre Zito ligou o motor do velho barco, que rasgou o rio, deixando uma estrada de lama as margens do vilarejo.

Atena ficou observando o dia-a-dia dos ribeirinhos: um velho caboclo que pescava, outro que consertava o barco, um outro costurava uma rede.

O grupo buscava indícios da antiga civilização inca. A selva amazônica fora escolhida devido ter fortes indícios de ter sido o berço das avançadas civilizações andinas. Ali foram encontradas estatuetas e outras obras de arte produzidas por índios primitivos do Brasil que se assemelhavam muito em matéria de confecção e estilo, às estatuetas encavadas nos Andes.

A floresta enfeitiçava pela grandeza e beleza. As árvores gigantes mostravam agora frente a frente toda sua força diante da fragilidade da pequena embarcação.

Quando dobraram a curva do Madeira, Mestre Zito disse:

- Estamos chegando, lá entre aquelas rochas fica a aldeia dos ianomâmis.

Mestre Zito ancorou o barco e seguiu com o grupo conforme combinado, deveria levá-los até o ponto desejado.


A TERRA DOS IANOMÂMIS

Havia uma clareira na floresta tropical úmida, podia se ouvir os gemidos das árvores trazidos pelo vento. A aldeia ficava contornada parte pela floresta e outra pelos altos rochedos. O local era habitado pelas onças, macacos prego, preguiça, tatu...

Ali os pássaros agradeciam a liberdade cantando sinfonias que alegravam a floresta. Tucanos, papagaios, araras, gaviões...
Os beija-flores dançavam em círculos encantando os olhos dos visitantes.

Quando chegaram à aldeia, foram recebidos por Richard que se mostrava bastante à vontade com a comunidade indígena.
A maloca era formada por dez cabanas circulares bem grandes, pois várias famílias viviam sob o mesmo teto. As casas eram escuras e cheias de fumaça, devido cada família possuir o hábito de acender uma fogueira debaixo da rede em que dorme para espantar os mosquitos e esquentar-se nas noites frias.

Os índios não usavam lençol ou cobertor. Os homens se trajavam tangas coloridas enquanto as mulheres vestiam pequenas peças que lhes deixavam o corpo quase que totalmente desnudo.

O grupo ocupou uma maloca coletiva de barro, madeira e palha, o chapono (que significa casa grande), o local era muito confortável.

Richard contou ao grupo que Jurunay, membro da comunidade ianomâmi, é que se encarregaria de recepcioná-los na aldeia.Os ianomâmis era o povo mais violento do mundo.
Os antropólogos acreditavam que eles foram o primeiro povo a alcançar a América do Sul. Possuíam a pele muito clara, e alguns tinham olhos verdes.

Era o maior grupo de índios intocados que restava na floresta amazônica.

Os outros índios morriam de medo deles. Buscavam todo seu sustento na floresta: com a caça, pesca, coleta de frutas, castanhas e favos de mel.

A poligamia acontecia em algumas tribos, ali era comum o marido praticar sexo com a cunhada ou com a prima da esposa.

Atena estava apreciando todo aquele surpreendente cenário. Era a primeira vez que penetrava a fundo em uma selva.
A arqueóloga adorava aventura mas estava em dúvida se tinha agido certo, deixando a namorada em São Paulo e partido para tão longe. Sabia que Anália ficara extremamente triste. Era sempre assim quando ela partia para suas pesquisas.

Mas Atena adorava seu trabalho, a amada com certeza acabaria esquecendo e perdoando, assim que ela chegasse e a envolvesse em seus braços.

Atena despertou olhares dos afoitos índios, apesar de trazer o corpo sempre coberto pelo seu traje costumeiro: camisa de mangas longas, calça folgada de elástico na cintura, botas de cano longo estilo militar e seu velho chapéu de abas que a protegia do sol.

Os dias na aldeia eram movimentados já que necessitavam de uma certa organização para viver. Precisavam produzir o necessário para suprir suas necessidades. As famílias viviam nas ocas ou malocas, em torno da praça principal.

As mulheres cuidavam da roça, faziam cerâmicas, cozinhavam, teciam e preparavam a farinha de mandioca. Os homens eram responsáveis pela pesca e caça que faziam em poder de flechas feitas com lanças com pontas de osso, armadilhas feitas com cestos ou ainda veneno de vegetais.

A aldeia naquele dia estava animada. Todos corriam de um lado para outro com os preparativos. Naquela noite aconteceria um ritual no centro da ocara. Atena estava ansiosa, fazia somente uma semana que se encontrava ali e já se encantara com aquele povo que achava maravilhoso.

As mulheres ianomâmis eram muito sensuais, isso mexia com o instinto selvagem da arqueóloga.A tribo estava com o corpo todo pintado com tinta feita com extratos naturais e que eram preparadas pelas índias.
A praça estava iluminada por uma grande fogueira, o lugar estava envolto em um clima de magia.

As índias desfilavam seus seios: grandes, pequenos, caídos, firmes. Atena observou as maravilhas da natureza feminina: mamilos brotando como flor no peito das garotas índias. Os corpos eram adornados por penas decorativas, miçangas e pequenas hastes que enfeitavam as orelhas.

Atena estava sentada em um tronco conversando com Mike quando viu que uma linda indiazinha chegou até ela e lhe disse:

- Que colar bonito!

Atena estava usando um colorido colar de contas.

A garota então falou:

-Eu quero esse colar!

Atena então respondeu:- Claro. Qual é o seu nome?

- Tika.

Atena então tirou o amarrado de contas do pescoço, entregou o objeto a garota que com um sorriso disse:

- Obrigada!

A festa corria animada, havia música e muito cauim. Atena e Mike já estavam alegres, a bebida era forte e animava. A lua coroava o céu da aldeia e Atena se sentia só naquela noite. Estava com saudades de Anália e pensou:

- O que será que aquela danada está fazendo agora?Atena saiu de mansinho e foi se aconchegar em sua rede, embalada pelas recordações e pelo perfume da mulher amada.

Quando o dia amanheceu, Atena resolveu dar um passeio. Caminhava seguindo o curso do rio quando observou a presença das índias que tomavam banho nas águas claras do riacho. Atena ficou de longe observando a cena divertida das garotas. Atena estava distraída com a brincadeira das meninas que não havia observado que próximo a uma pedra enorme, havia uma jovem índia morena que a observava.

Quando Atena viu, ficou sem jeito e tentou desviar os olhos, pois viu que se tratava de Tika que lubrificava o corpo maravilhoso com óleo de raízes.Atena procurou se afastar do local quando a jovem chamou:

- Atena, me ajude um pouquinho!

Atena então pensou: Meu Deus, o senhor está de prova que sempre estou quieta em meu canto, mais a tentação me chama, a carne é fraca...

Atena então chegando próxima ao barranco, olhou para a garota que lhe disse:

- Pegue e espalhe em meu corpo!

A moça entregou a cumbuca de barro que estava cheia com óleo de odor amadeirado e gostoso.

Atena começou espalhando o líquido pelas costas da garota. Conforme Atena ia massageando a pele dourada, a moça ia fazendo gestos sensuais que começaram a pirar a cabeça de Atena.
A moça que estava sentada se deitou de bruços sobre a pedra, dizendo:

- Agora espalhe em minhas pernas, gosto de deixar tudo lubrificado, assim fica melhor.

Atena agora podia sentir a frescura e a rigidez da pele dourada em suas mãos. O corpo aveludado da garota a enfeitiçava e exalava odores que a deixava em estado de êxtase.

Quando começou a massagear o bumbum perfeito de Tika, Atena estava explodindo em desejos, mas se continha diante daquela ninfeta.

Atena estava de joelhos sobre a pedra grande que servia de leito para aquela criatura do pecado. Quando Atena se curvou para friccionar a pele da diabinha, a moça se virou então e disse segurando os seios com as mãos:

- Passe aqui Atena, os bicos estão meio ásperos você não acha?

Atena sentiu o sangue latejar em suas têmporas. Pegou então o mel e lambuzou os mamilos delicados da menina. A garota então falou:

- Você gosta de mel?

Atena tentou ser forte e disse:

- Claro!-

Experimente esse que é ótimo!

Atena então rezando a todos os deuses da floresta para que lhe dessem força, pegou a cumbuca e levou o dedo para experimentar.

- Experimente esse que é mais gostoso!

A indiazinha segurava os próprios seios próximo a boca de Atena.

Atena então decidiu naquele momento deixar de lutar contra a encrenca que acabaria se metendo. Abocanhou o mamilo com tal fúria que jogou a moça de costas na pedra.

Atena sugava com força, enquanto suas mãos tateavam aquele corpo de fêmea no cio.

A índia então disse:

- Nossa você gosta mesmo de mel, danadinha!

Então Tika se sentou, pegou a cumbuca com o líquido dourado, despejou entre as pernas e disse:

- Venha mulher branca, venha, beba o quanto quiser!

A arqueóloga então abocanhou o sexo da moça e lambeu com voracidade. Atena sentia que estava tendo um orgasmo naquele instante. A moça de debatia de prazer enquanto enfiava as garras na pele de Atena.

Capítulo 2: O espírito da mata velava pela segurança dos índios...

A floresta impunha sua grandeza e fúria naquela manhã. O vento forte trazia para a aldeia a presença marcante dos perfumes: das pimentas nativas, da baunilha, do pau-cravo, da canela, do urucum, do louro-inhamuí, do sassafrás, do cumaru e do imponente pau-rosa.

As castanheiras gigantes, com seus troncos lisos e escuros, abrigavam centenas de aves que festejavam anunciando a chegada da chuva.

Uma nuvem de borboletas coloridas tingiu o céu da mata, formando nuvens em movimento que rapidamente desapareceu como que por encanto mergulhando na cortina verde e viva das árvores.

Ouviu se um som estranho e sinistro e logo em seguida um estrondo partiu o horizonte ao meio.
O risco dourado clareou a manhã escura que se fez noite em questão se segundos.
A chuva caiu pesada, lavando o ar e as folhas das palmeiras se uniram e juntas, tentavam se proteger da tempestade, obedecendo ao curso do vento, se entregando aos seus caprichos e ao seu cansaço.

Agora o cheiro era de poeira, de terra molhada, cheiro de vida, cheiro de verde.

O grupo de pesquisadores, estava no território dos ianomâmis há quase quarenta dias, haviam encontrado dezenas de vestígios como: pedaços de cerâmica, de ferramentas e de fogueiras - que eram preciosas peças do passado.

Atena, Richard e Cícero trabalhavam há dias em um local onde era grande a concentração de pinturas feitas nas rochas. Eles usavam de toda sua habilidade para retirar as camadas espessas de sedimentos formadas com o passar dos anos.

O trabalho dos arqueólogos consistia em retirar essas camadas de terra para tentar encontrar os objetos. As pinturas rupestres cobriam as paredes da caverna, Mike procurava registrar tudo em sua câmara fotográfica.

Os pedaços de carvão encontrados nas escavações e pertencentes a resquícios de fogueiras eram super importantes, pois através do material carvão, era possível saber em que época aquele local fora habitado.

Cícero, Richard e Atena, munidos de pincéis, pinças e pazinhas, recolhiam material arqueológico, que iam guardando em saquinhos transparentes, que deveriam enviar para a datação com carbono 14, que é o elemento químico usado para identificar a idade de fragmentos orgânicos.

O trabalho era duro e lento, as escavações já atingiam o leito de pedra. Todos os padrões estratigráficos observados foram mapeados, desenhados o perfil e fotografados.

O solo conforme ia sendo removido era todo peneirado imediatamente com precisão, sendo que praticamente todos os objetos encontrados, exceto poucas rochas caídas das cavernas, foram conservados.

Remanescentes de flora e fauna foram envolvidos em papel fino sem ácido, depois foram depositadas em caixas que receberam etiquetas.

Atena ia registrando as informações em um Laptop Zenith.Os estudiosos saiam logo cedo da aldeia ianomâmi, passava o dia todo nas escavações e pesquisas e retornavam a tardinha para a maloca.

.A aldeia ficava em um maravilhoso ponto geográfico, o local era isolado devido ao relevo acidentado e aos rios e cachoeiras que dificultavam o acesso às terras dos índios.

Atena estava encantada com aquele mundo mágico e chegou a participar em certas ocasiões do cotidiano dos nativos. Partia de manhãzinha com o objetivo de coletar plantas medicinais como: salsaparrilha, muirapuama, catuaba e o xexuá.

Havia também a busca pelas canas para o preparo de flechas, fibras para cordas, cera, resinas e cal para a pintura corporal. Os índios também cultivavam a arte, sendo que o motivo da mesma, vinha da terra, da floresta e do rio.

Era lá que eles buscavam as matérias-primas para confeccionar: vasos de cerâmica, cestas, máscaras, instrumentos musicais, adornos feitos de cocos, sementes, unhas e ossos de animais, penas de pássaros e conchas.

Atena admirava o respeito que os ianomâmis dispensavam a figura do pajé. Ele era a figura mais influente da aldeia. Ele era o líder espiritual e médico, pois os índios acreditavam que as doenças eram do corpo e da alma. O pajé era o responsável pela interpretação dos sonhos. Era ele que defendia a tribo dos maus espíritos, indicava os melhores lugares para caçar, pescar, facilitava os partos, protegia as pessoas e lugares. Ele era o grande conhecedor das ervas e seus poderes, usava algumas para curar doentes, outra para se comunicar com os mortos, outras com os deuses.

O pajé era o membro mais velho e sábio da tribo.

O REAHU

Atena naquele tarde havia chegado mais cedo do local onde a escavação estava sendo realizada. Estava tão cansada que estava sentada em um tronco de madeira que servia de banco e que ficava próximo à maloca que o grupo estava hospedado.

Atena tinha as mãos sujas de terra, tirara o chapéu e deixava que o vento brincasse com o seu cabelo e lambesse seu rosto, lavando sua alma e carregando seus pensamentos para que fosse se perder nas árvores frondosas da floresta.

Atena estava pensando em Anália, sentia saudades da pele fresca e cheirosa da namorada. Estava esboçando um sorriso quando seus pensamentos foram interrompidos pelos gritos de Tika que chegava correndo toda faceira. Ela logo foi dizendo:

- Atena, você sabia que na próxima semana teremos o Reahu?

Atena então respondeu:- Não, eu não estava sabendo.

- Pois é, é a principal festa para o nosso povo. Dura a semana toda e reúne habitantes de várias aldeias. Teremos banquetes e rituais. Eu adoro esta festa, ela é alegre, bem tirando o momento que os mortos são lembrados...

- Tika, você realmente me surpreende, nem parece uma indiazinha.

- Sabe o que é Atena, eu gosto de alegria, de movimento, não vejo nenhum mal nisso. Eu já estou me preparando, quero estar bem bonita para a festa.

Tika falava com Atena, gesticulando as mãos e movimentando o corpo. Atena pensou: Essa diabinha é bela e o pior é que a danada faz de tudo pra me provocar.

Desde aquele dia no riacho, ela vivia procurando por Atena que disfarçava e procurava evitar qualquer proximidade com a afoita indiazinha.

A aldeia estava toda sendo preparada para receber os visitantes que foram chegando e Mike observou que a maioria dos velhos ianomâmis falava o dialeto Ianoman.

Os índios passavam o dia todo comendo, cantando e dançando. A música era tocada por uma flauta de osso e um tambor.Os convidados estavam todos no centro da aldeia participando da festança, quando os pajés ali presentes, inalaram uma poderosa droga psicoativa, composta de três plantas amazônicas: yakuana, parora e maxahalahanakë.

Segundo diziam, os pajés quando cheiravam a yakuana, começavam a ver luzes que vinham de longe e que então encontravam os espíritos do Sol, da Lua, das estrelas, dos rios, das montanhas.

O grupo estava unido em um canto, onde observavam todos os acontecimentos da festa, estavam ansiosos com tudo e não pretendiam perder detalhe.As índias desfilavam seus corpos untados com óleos vegetais e ornamentados com tintas coloridas.

Richard então disse:- Essas mulheres são super sensuais, você não acha Mike?

Mike respondeu:- Concordo colega, e o melhor: As danadas possuem sangue quente nas veias!

Mike então continuou dizendo:- Ontem mesmo eu fui abordado por uma indiazinha maravilhosa que me espreitou na parede da maloca bem no momento em que eu ia entrando para dormir.A festa corria animada quando o grupo entrou na choupana para dormir, estavam cansados e no dia seguinte teriam muito trabalho pela frente.

O quarto era amplo e as redes ficavam próximas uma das outras, Atena estava quase adormecendo quando ouviu um barulho, olhou assustada e percebeu que um vulto estava próximo a rede de Mike.

Atena olhou e viu que se tratava de Tika que estava em pé ao lado do leito do colega.Atena ficou quieta e não pode deixar de ver a silhueta da bela indiazinha.

Mike acordou e então observou a mulher nua que se encontrava diante de si. Mike usava pouca roupa, devido ao calor que fazia. Atena viu quando Tika enfiou a mão dentro do short do moço e começou a acariciar o membro do amigo.

Mike começou a gemer baixinho e Tika não se contentando, puxou a roupa de Mike, então começou a passar a língua no enorme bastão que se mostrava ereto apesar da pouca luminosidade. Tika lambia com vontade, passando a língua devagarzinho, começando na base seguindo até a ponta, onde permanecia por segundos sugando e acariciando com os lábios o objeto de prazer.

Então Mike puxou Tika pela mão e a garota se acomodou sobre o falo, deixando cada uma das pernas cair em uma das extremidades da rede. Tika então deu as mãos a Mike e começou a viagem, Atena olhou mais uma vez e era como se a rede de Mike fosse um barco e a bela Tika estivesse no meio de uma tempestade e remasse com agilidade e buscasse a margem em busca da salvação.
Depois de alguns minutos, Atena viu que Tika havia alcançado o que queria, a bela índia gritava e gemia enquanto o barco de tecido ia perdendo a velocidade. Atena estava super excitada diante de tudo que havia visto, não conseguia dormir sentindo o cheiro de sexo que exalava no aposento.Levantou-se devagarzinho, e foi para o terreiro em busca de um pouco de ar.

Precisava aliviar os pensamentos e jogar água fria na cabeça. Estava sentindo a brisa da madrugada no rosto, e tomava uma tequila que havia levado consigo. Estava quase adormecendo embalada pelo canto de alguns índios que ainda se encontravam próximos a fogueira que ainda se encontrava acesa no centro da maloca quando Tika apareceu.

Ela disse a Atena:- Sabe que hoje estou louquinha por você!

Atena então respondeu:- Imagino.- Sabe que eu fui até o chapono te procurando e acabei encontrando seu amigo?

- Verdade? E daí?

- Bem, acabei ficando com ele, mais sabe que continuo louca por você?

- Tika trate de ir dormir e me deixar em paz.

- Nossa como você é brava, não precisa ficar nervosa eu só quero ficar com você.

Atena então disse:

- Eu não sabia que você gostava de ser penetrada.

- Pois é eu não sabia é que eu gostava de ser possuída por uma mulher até aquele dia na beira do riacho.

Tika estava com os seios soltos ao vento e os mamilos estavam rígidos diante do frio da noite. Ela então se sentou no colo de Atena, ficando cara a cara com a arqueóloga. Tika então beijou a boca de Atena que correspondeu o beijo com fúria.

Então Atena com um movimento brusco e repentino, segurou Tika em seu colo com o bumbum voltado para cima. A garota se debatia enquanto Atena lhe dava palmadas no traseiro.

Capítulo 3:

Guerreira é aquela que sangra, não lamenta, busca seu objetivo

A manhã estava luminosa, as gotas do sereno da madrugada, brilhava como contas de cristal nos ramos floridos que abrigava o caminho de terra, coroado pela copa das árvores frondosas.

O grupo saiu logo nos primeiros raios do sol. Haviam combinado que dessa vez iriam mais longe, precisavam atingir o ponto sugerido por Richard.Para chegar até a aldeia da borracha, sacolejaram pelos 85 km de estrada mal conservada, onde combinaram que encontraria Mestre Zito, que os levariam rio abaixo até o pico de cristal.

Mike reclamava a cada solavanco no velho Jeep cor de azeitona.
O lugarejo era povoado pelos exploradores da borracha. Quando chegaram na currutela, Mestre Zito veio correndo ao encontro do veículo empoeirado.

O velho segurava um copo com um líquido amarelado que pelo cheiro não era difícil identificar se tratar de aguardente.

Foi logo falando para Cícero:- E aí gente, comé que foi a viagi?

Cícero então respondeu:- Excelente, o barco já está pronto para continuarmos?

O velho abriu um sorriso deixando a mostra à arcada encardida e cariada, e disse:

- E Mestre Zito é de faiá? Vamo lá moçada a velha companheira tá nos esperando.

O barco de Mestre Zito era coberto com palha de ourucurí, o vento batia de um lado para outro, e ajudava a levar a velha embarcação, que ganhava velocidade a cada rajada.

Navegaram durante cinco horas, margeando pelo majestoso rio Negro, o mais bonito da Amazônia pela cor, vastidão e serenidade impressionantes, que parecia uma fita metálica perdida no horizonte verde.Mestre Zito parou "a companheira", amarrando-a em um velho embarcadouro que encontraram.

O grupo então começou a escalada pela trilha que levava ao pico de cristal.

Teriam que dormir quatro noites na floresta. O início da caminhada requeria muita ginga. Era preciso ir driblando o amaranhado de cipós e árvores da mata inundada até ela ceder lugar á floresta densa, que era enfeitada de bromélias e orquídeas. Os macacos e as araras faziam algazarra.

No chão irregular, galhos, pedras, raízes, lama negra e grudenta. Mestre Zito passou o facão no cipó d´água, que enchia copos e mais copos quando cortado. Conheceram o breueiro e o pau-de-gasolina, duas árvores que têm seiva inflamável e acendiam qualquer fogueira, mesmo debaixo de chuva.

Depois da escalada por um longo caminho íngreme, começava a verdadeira subida, o caminho era frio e úmido. Musgo e vegetação rala tomavam o lugar da mata. O topo íngreme da montanha se escondia na névoa gelada. De um lado o exuberante verde da selva a perder de vista. Do outro, as serras com rochas de formas estranhas que dominavam a região de fronteira.

As nuvens do pico eram grandes e densas como a mata, possuíam a forma de véu de noiva. Começaram a subida do morro, painéis de rochas de várias cores. Ao lado, duas pedras gigantescas se equilibravam em outras menores.

As montanhas desenhavam o perfil de uma deusa, seus seios fartos e cabelos escorridos, que adormecia no coração da floresta. Era maravilhoso apreciá-la da fortaleza.

Na escalada ao pico, do alto não se via nada. Era como se tudo estivesse nas nuvens e que, lá embaixo, só houvesse um abismo, indefinível, atroz. Chegar ao topo exigia espírito de aventura, paciência e obstinação.

Em certo momento, a paisagem de montanhas formava um rico desenho que contrastava com a pobreza da aldeia da borracha que agora podia ser vista como um pequeno ponto perdido lá embaixo.Em um certo trecho do percurso, Atena avistou alguma coisa que brilhava ao longe, correu para ver do que se tratava. Observou que a luz que ofuscava seus olhos, possuía reflexos furta-cores.

O objeto estava em cima de uma rocha um pouquinho abaixo da que o grupo estava. Atena olhou e viu que para apanhar o objeto, ela deveria saltar e atingir o nível inferior. O vão que havia entre uma pedra e outra era relativamente grandes, mesmo assim a arqueóloga resolveu arriscar, as pedras eram escorregadias e o movimento exigia precisão e habilidade.

A arqueóloga primeiro mirou bem o ponto, depois deu um salto tentando alcançar o topo da rocha. O grupo atônito presenciou a queda da companheira que desapareceu no penhasco.

AS GUERREIRAS AMAZONAS

As Guerreiras Amazonas eram mulheres incas, conhecidas como: as "virgens do sol" que foram raptadas pelos espanhóis quando estes estiveram na Terra do Sol. Elas foram obrigadas a viajar com eles. Os espanhóis na época desciam o rio Amazonas, depois de dias se fartando da companhia das mulheres incas, e em certo momento, abandonavam-nas na selva. Um certo dia um grupo de mulheres revoltadas se juntaram, formando uma comunidade feminina.

Muitas delas já chegavam na selva com o ventre cheio. Essas mulheres "guerreiras amazonas", geravam filhos mestiços de incas com os espanhóis, e foi aí então que nasceu o povo ianomâmi.

No passado elas amputavam ou queimavam o seio direito, de tal forma engenhosa que pudessem melhor manejar graciosamente o arco, de onde disparavam flechadas letais, em suas lutas permanentes (daí o nome Amazonas, que em grego significa "sem seios" ).

Elas habitavam grandes e numerosas aldeias, viviam sem a presença dos homens, dos quais nada dependiam, a eles recorriam somente em curtos períodos, apenas para saciar seus desejos e manter a continuidade de suas existências.

Libertárias e valentes, esse contato se fazia em dois ou três momentos durante o ano, ocasião em que eram recebidos e desfrutados.

A CIDADE DAS AMAZONAS

Atena acordou em uma aconchegante casa de pedra, estava deitada em uma cama toda de madeira, nas janelas haviam cortinas tecidas com bambu coloridos. Atena tentou se levantar, sentindo uma dor terrível na perna, percebeu então que seria impossível caminhar.

Então gritou:- Hei, tem alguém aí?

Apareceu na única porta da taba uma mulher linda: corpo bem torneado, cabelo longos, lisos e negros, olhos escuros. A nativa usava apenas uma minúscula tanga de pele marrom.A mulher caminhou até Atena e disse:

- Você deve permanecer quieta, sofreu um acidente e por um bom tempo não será capaz de caminhar.

Então Atena disse:- Quem é você? E onde estou?

- Sou Naiá, e você está na cidade das amazonas.

Atena então pensou estar sonhando. Já lera muito sobre as antigas amazonas, e segundo diziam elas haviam existido há muito tempo e mesmo assim, sempre deixavam em dúvida sua existência já que existiam muitas controvérsias a respeito do assunto. Então disse:

- Como isso é possível?

- Nossa aldeia fica aqui no alto da montanha, no coração da floresta, cultuamos até hoje alguns costumes do nosso antepassado. Somos filhas das guerreiras amazonas, as filhas do sol.

Venha vou lhe mostrar:

E dizendo isso à bela e jovem mulher, pegou Atena nos braços. Apesar da aparência frágil a mulher possuía uma força esplendorosa.

Levou Atena para fora da cabana, deitando a moça em uma rede artesanal que ficava em uma varanda.Nesse momento surgiram de todos os cantos várias mulheres com o semblante fechado. Atena observou que ali havia uma aldeia muito bem cuidada e organizada, e com um forte esquema de segurança.

Naiá então disse:-Vamos levá-la ao templo da deusa.

As mulheres Atena e a colocaram em uma outra rede que era fixa em uma vara de bambu, depois duas índias em uma ponta e duas na outra, começaram a caminhada.

O TEMPLO DE ARTEMIS

As guerreiras atravessaram a aldeia, subindo pelo caminho que levava a uma enorme rocha, caminharam por horas e então Atena pode contemplar um fabuloso jardim. Uma passarela de pedras uniformemente colocadas, que acompanhavam até uma curta e larga escadaria que levava ao grande templo.

Parte da passarela era coberta pela sombra de uma árvore gigantesca, seu tronco forte e grosso, a copa vasta que formava quase que uma cúpula por cima das cabeças dos visitantes. Havia a esquerda um lago de águas calmas onde se avistava flores em formato de pratos gigantes. Ao redor os campos de flores multicoloridas, e tão cheirosas que quando a brisa às atingia, inundava o ar de perfume.Mais adiante havia um lago cristalino como um espelho no meio da grama.

O local era silencioso e tranqüilo, então Naiá disse:

- Chegamos ao Santuário de Ártemis.

Quando pararam estavam ao pé de uma grande escadaria, os degraus eram de pedra, as paredes do lado de fora, possuíam nelas figuras esculpidas de guerreiras e de alguns cervos. As portas eram de madeira e talhadas com desenhos de ninfas.

As portas estavam abertas. As mulheres entraram pelo grande templo, carregando Atena. Percorreram um amplo salão, quando chegaram em um corredor longo. As paredes eram adornadas com pedras coloridas que formavam mosaicos de cenas campestres.

Quando chegaram ao fim do corredor, em frente às portas de cedro do salão. A jovem Naiá então disse:

- Eis a nossa grande senhora.

A mulher estava sentada no fundo do salão em uma cadeira de cipós trançados.

A mulher aparentava possuir 50 anos, tinha os cabelos ondulados e avermelhados, trajava um vestido todo em couro, os pés cobertos por botas de cano longo de um marron quase preto e um corsário de couro. Possuía uma grande tiara dourada em sua cabeça e um cinturão também em couro, cingia sua cintura.

A mulher então se apresentou:- Meu nome é Titânia. Sou líder da cidade das Amazonas. É uma honra para nós tê-la em nossa cidade, Atena.

Atena então respondeu:- Muito obrigada, estou um pouco confusa, não consigo entender tudo o que estou vivendo.

- Entendo o que você está sentido. A cidade das Amazonas esteve sempre oculta do resto do mundo. Creio que estar aqui é realmente algo difícil para você, não é mesmo?

- Sim. Mais juro que tudo isso está me causando um enorme fascínio. Agora me diga uma coisa: Como é que vocês conseguem viver escondidas do resto do mundo?

- Isso é um segredo que somente nós as amazonas sabemos, e infelizmente no momento não poderemos lhe revelar.

Atena então disse:- O que vocês fazem perdidas nessa grande floresta? E porque me trouxeram para cá?

- Calma Atena, uma pergunta de cada vez!- Primeiro: vivemos aqui porque amamos e cultuamos os nossos antepassados, mais também temos um objetivo que você em breve saberá. Segundo: escolhemos você não foi por acaso, já estávamos de olho a tempo em alguém que pudesse nos ajudar em nossa grande missão.

- Como assim?

- Calma, já explico: Precisamos de alguém que possua alguns conhecimentos em matéria de civilizações antigas e também que não seja de nossa tribo. E antes que você faça mais perguntas gostaria de lhe dizer que no momento é o que eu tenho para lhe dizer, mais pode ficar tranqüila que cuidaremos de você e que você ficará ótima

.- Quer dizer que vocês já me conheciam? Como foi possível?

- Esqueceu que você está há dias vivendo nessa floresta?

Atena então abriu um sorriso e disse:- É realmente as mulheres sempre me surpreendem!

Capítulo 4:

O milagre da vida era embalado e conduzido pelos lábios das amazonas...

O grande salão acomodava as guerreiras, Atena olhava para Titânia que então disse:

- Vou lhe contar um pouco da nossa estória, assim você começa a entender e a tomar melhor conhecimento dos fatos.

A senhora então se sentou e pediu que as mulheres que acompanhavam Atena a colocassem sentada na cadeira ao lado. Então começou a narrar:

- Minha bisavó mandou construir esse templo em homenagem a Deusa Ártemis, dizem os nossos ancestrais que Ártemis quando jovem viveu por um grande período em nossa floresta amazônica, na época já existia aqui as guerreiras amazonas, Ártemis se juntou a elas, se tornando a grande Deusa da caça e protetora dos animais selvagens. Ela era apaixonada pelo lugar e aqui onde foi construída a cidade das amazonas, foi exatamente o local onde nossas parentas acreditam que viveu a guerreira Ártemis.Dizia minha bisavó, que Ártemis resolveu viver aqui na floresta sem vínculo nenhum com qualquer homem, depois que presenciou a dor de sua mãe no parto do irmão Apolo que era filho de Zeus e marido de Hera.

Ártemis nasceu antes de Apolo, sendo assim, teve a missão de ajudar a mãe que se chamava Leto no parto do irmão. Ártemis sentiu muita revolta ao ver o sofrimento da mãe e resolveu então viver distante da companhia dos homens.Segundo minha bisa me disse, Ártemis foi embora da cidade das amazonas, quando chamada pelo irmão para retornar a cidade grega de Éfeso (Turquia) onde sua mãe se encontrava a beira da morte.


Chegando lá e mostrando sua valentia de guerreira, o rei Creso da Lídia encantado com sua beleza e rebeldia, mandou construir o magnífico templo em homenagem a ela. Minha bisavó sempre dizia que mesmo depois de ter partido, ela governava as guerreira amazonas.

Ela havia deixado seu coração aqui na cidade perdida, as mulheres então decidiram construir esse templo já que o de Éfeso fora destruído com o passar dos anos e hoje só resta dele uma única das cento e vinte e sete colunas de mármore.
O templo construído ali na cidade das amazonas, não possuía a arquitetura clássica grega nem o estilo jônico. Mas as 30 colunas do templo amazônico foram esculpidas cuidadosamente como as de Éfeso. Cada coluna era feita de cerca de doze blocos de pedra cilíndricos, colocados cuidadosamente em cima dos outros. A base de cada coluna era esculpida antes de ser colocada na posição onde iria ficar, mas o resto da decoração era feito depois.

Quando Titânia terminou a estória, seus olhos estavam mergulhados em lágrimas e então ela disse:- Bem por hoje paramos por aqui, depois continuo a lhe botar a par de tudo.

Dizendo isso Titânia saiu com seus passos velozes, desaparecendo entre as cortinas enormes que dividia o rico ambiente.Naiá que estava próxima de Atena, disse:- Devemos partir, a tarde está caindo, não é aconselhável fazer a descida da serra sem a presença do sol.

Desceram como subiram, as quatro mulheres levavam a rede aonde Atena ia deitada. Atena estava preocupada com tudo e pensava: Será que o pessoal abandonou as pesquisas e voltou a São Paulo? Meu Deus que loucura estou vivendo...

Atena estava com o corpo todo dolorido, a subida até o templo de Ártemis naquela manhã, havia a deixado super cansada. Até então não conseguia acreditar em tudo que estava vivendo apesar ir reunindo provas a cada momento, de que estava realmente diante das guerreiras amazonas.

Ela sempre fora uma fascinada pela história das mulheres da selva, mais jamais ficara provado a existência daquela comunidade feminina.


O ORÁCULO DAS AMAZONAS

O Rio Negro era banhado pelo Amazonas, rio lendário, berço das belas guerreiras que encantavam todo o vale da maior floresta tropical do mundo. A magia das mulheres se perdia na noite. Elas eram lindas, possuíam os cabelos negros, olhos escuros como uma noite de tempestade, corpos e curvas capazes de fazer perder as mais sólidas convicções religiosas.

As amazonas dominavam o vale da Vitória Régia. Mulheres poderosas, cavalgando montarias velozes, não raro combatendo homens.Atena havia perdido a conta dos dias que permanecia ali naquela aldeia, mais com o passar do tempo foi se recuperando, voltara a caminhar normalmente e agora precisava encontrar uma forma de retornar ao seu mundo real.

Naquela noite as mulheres, iriam receber seus convidados. Estavam preparadas com arco e flechas à mão. No passado as guerreiras esperavam os homens e quando eles chegavam, elas dançavam para eles, tentando os seduzir, aguçando a libido. Então elas os levavam para suas redes e se deitavam com eles, no dia seguinte, os despachavam as suas aldeias de origem.

Depois de meses de gestação as mulheres que conseguiam receber a graça de parir uma criança, iriam sofrer a grande prova: Se nascesse menina, a criança seria poupada e criada pela aldeia, já que perpetuaria a valentia e os costumes desse povo constituído unicamente de mulheres, mais se fosse menino, seria naturalmente eliminado.

Agora o tempo havia passado e as guerreiras amazonas haviam adotado novos hábitos para melhor preservar a espécie e costumes.A grande festividade estava sendo preparada há dias. Naquela tarde as mulheres desceram em procissão do monte onde viviam e foram para o lago sagrado denominado Espelho da Lua, levavam nos ombros potes cheios de perfumes que iriam derramar na água.

Atena fora convidada a participar do grande evento que acontecia somente uma vez no ano, durante a nona lua.Pararam a beira de um maravilhoso lago, era tardinha e o sol estava se pondo lentamente por detrás dos coqueirais.As belas mulheres estavam nuas e se banhavam no lago, faziam gestos e induziam carícias, cantavam com suas vozes sedutoras, sabiam que próximo dali havia uma aldeia e precisavam chamar a atenção dos machos.

Titânia estava presenciava o acontecimento, Atena sentiu que havia uma nuvem de tristeza em seu olhar. A mulher olhava para as margens do riacho como se estivesse procurando alguém.Atena olhava para as águas do lago, quando viu surgir uma figura feminina que realmente lhe chamara a atenção, a mulher era bela, possuía os cabelos negros e lisos, o corpo era dourado.Colocou o amuleto no pescoço de Atena e disse:

- Você é uma bela mulher! Tenho fé que brevemente a natureza se encarregará de privar nós mulheres de tamanho sacrifício. Eu adoraria ter uma filha com você!

Deu um beijo na boca de Atena e saiu correndo pela mata.Atena então se lembrou: Aquela pedra verde que brilhava, era a mesma que tentou apanhar naquele terrível dia que caiu no abismo.Quando a noite chegou e a lua se deitou sobre o espelho d´água, haviam uns dez homens as margens do lago prateado.

As amazonas mergulharam nas águas com seus corpos fortes e morenos, os seios belos e firmes, era sinal de que as mulheres estavam prontas para ser mãe.

Após o ritual de purificação e limpeza nas águas do Espelho da Lua, as guerreiras amazonas clamavam pela mãe do Muiraquitã. Então a guerreira mais velha colocava em cada pescoço das mulheres um colar que tinha uma pedra verde (jade), denominada de Muiraquitã, onde se encontravam esculpidos estranhos símbolos em formato de: peixes, tartarugas e sapos, os preferidos das mulheres.

Cada nativa trazia então em seu pescoço seu talismã propiciatório de proteção material e espiritual. A guerreira velha então serviu o chá aos homens que beberam e ficaram em estado de êxtase. O líquido era alucinógeno o que facilitaria o trabalho das amazonas.

As moças despiam os homens, sendo que duas amazonas se ocupavam de cada macho. Faziam carícias em todo o corpo do homem, beijavam cada centímetro de pele, quando viam que eles estavam para atingir o gozo, deitavam os mesmos em esteiras e fazendo movimentos repetitivos em seus pênis, só paravam quando seus falos derramavam a seiva da vida.

Rapidamente as guerreiras, recolhiam o sêmen em uma cumbuca de madeira que guardava cuidadosamente.Depois de terminado o ritual, as amazonas empurravam os homens para longe de si, os que cismavam em não obedecer, eram expulsos a tiros e flechadas.

Então as mulheres voltaram para a aldeia, cantando e levando consigo, o líquido precioso que iria lhes garantia a vida.Na aldeia a lua coroava o céu cinzento. As mulheres acenderam a fogueira no centro da praça e a dança começou. Atena observava a tudo, não queria perder detalhe, estava ansiosa com os acontecimentos da noite.As mulheres mais jovens dançavam pelo terreiro, seus belos corpos virgens e jovens eram iluminados pelas línguas de fogo que aquecia o lugar. Em um certo momento, apareceram dez mulheres vestidas com suas roupas de couro. As guerreiras foram até as jovens que dançavam e então, cada uma escolheu sua parceira.

Atena assistia a tudo sentada no velho tronco de madeira que havia próximo ao local, segurava a pedra verde que trazia presa no pescoço, agora começava a entender que desde sua chegada a floresta, tinha sido realmente seguida e guiada para a cidade das amazonas.

Lembrou da bela mulher sorrindo e lhe dizendo: - Eu adoraria ter uma filha com você.

As guerreiras amazonas seguravam as jovens pelo braço e as conduziram até a grande casa de pedra, onde havia uma porção de redes que estavam dispostas uma ao lado das outras.

As mulheres pareciam possuídas, beijavam e mordiam os corpos das moças novas que gritavam de dor e prazer. Depois de lamber o corpo e permanecer um tempo sugando o sexo da parceira, a velha guerreira auxiliada por outra, distribuiu as guerreiras, um objeto que tinha o formato de órgão genital masculino.

As amazonas introduziam então o objeto no sexo das companheiras. O objeto era feito com uma resina vegetal macia e tinha um orifício na ponta, o sêmen dos homens era depositado no interior do objeto, com o objetivo de fecundar as mulheres.

Nos meses que se seguia, aquelas mulheres eram observadas para ver se haviam engravidado. As que não haviam conseguido, mesmo assim, recebiam tratamento especial tal como, ter seus seios sugados durante vinte minutos duas vezes ao dia, assim quando chegasse a época dos nascimentos, as mulheres que morressem no parto, seriam substituídas por aquelas que apesar de não terem parido, estariam com os seios fartos de leite.

Atena descobriu que era possível amamentar uma criança, mesmo não sendo mãe, para isso era necessário sugar constantemente o seio para estimular as glândulas mamárias que provocaria a produção de leite.Aquelas mulheres dependiam dos homens somente como banco de sêmen.

Corria o boato de que na aldeia havia uma jovem que esperava um filho de uma outra guerreira, diziam que a moça se recusara a receber o sêmen durante o último ritual. Corriam boatos que a moça todas as noites, recolhia a seiva de sua amada e então se lubrificava com ela. Atena não sabia até que ponto tudo aquilo era verdade, então pensou: Será que é a magia da natureza agindo nessa aldeia?

As cortinas tecidas pela névoa escondiam um paraíso...

CAPÍTULO V

Elas viviam entre as grandes montanhas e eminentes serras, o local próximo às casas era escalvado, faltava mato, possuía grandíssimos penedos e pedrarias inumeráveis.As amazonas eram famosas cavaleiras e criadoras de cavalos, elas vestiam armaduras leves e carregavam escudos, lanças, espadas e arcos, partiam em disparada se perdendo entre as folhagens dos buritis.

As guerreiras tinham que descer até a mata mais próxima que ficava ao pé da serra para caçar e colher. As matas eram frondosas, com grandes árvores, que indicavam a fertilidade do terreno, havia grande quantidade de frutos silvestres, entre eles o açaí e a pupunha.

A flor da Munguba se mostrava tal como um sol de fogo, era a mais exótica da Amazônia, entre os meses de junho a outubro, atraía com sua beleza, grande quantidade de pássaros que se alimentavam do seu néctar.As mulheres eram temidas pelos indígenas, pois ali o boato corria solto de que as grandes senhoras matavam quem adentrassem em suas terras.

Na cidade das amazonas, havia uma praça no centro da aldeia, com uma grande escultura em relevo, onde figurava, sob dois "leões", a imagem da bela mulher.

A estátua que ficava no centro da praça era uma espécie de oratório que conservavam em homenagem a Deusa, Ártemis, a governante das amazonas. Ártemis era representada com vestes curtas, com os joelhos descobertos, carregando o arco e a aljava com setas temíveis e certeiras.

A arqueira, a "sagitária do arco de ouro", a virgem indomável como era também chamada, vivera na natureza percorrendo campos e florestas no meio dos animais. Era tida como a protetora do Amazonas.

Era seguida por um séqüito de ninfas as quais ela ultrapassava em muito em altura e beleza. A estátua era esculpida em ouro, prata, ébano e ônix.A Deusa da terra usava um machado duplo o "labrys" que era utilizado como cetro.

Embora estivesse sempre acompanhada de animais, a corça era o seu predileto.

Atena certa manhã fora chamada por Naiá que lhe disse:- Atena, devemos partir para o grande templo, a senhora está nos esperando.

Atena seguiu Naiá até o centro da aldeia, onde a tropa de cavalos já estava toda arreada e pronta esperando. Naiá então disse:

- Vamos subir montadas, você já está curada e assim iremos mais rápido!

A VIAGEM

Da primeira vez que Atena havia escalado aquela enorme rocha, estava tão cansada e assustada, que não havia reparado nem na metade da magia do lugar.

O estreito caminho desenhado na pedra levava a uma terra de sonhos, oculta aos olhos do resto do mundo. O grupo de seis mulheres, todas trajadas de botas de couro marrom, algumas de calças de pele, outras de vestido, traziam sempre presas junto ao peito o arco, nas costas as flechas coloridas. Os cabelos longos e molhados de suor, amolduravam os rostos dourados pelos sol da Amazônia.

A grande montanha era visível somente até certo momento, quando de repente, as brumas a envolviam e a juntavam ao céu azul acinzentado. Aquele caminho que passava pelas terras das amazonas era o único ponto de acesso ao templo, o restante era abismo.

Jamais alguém conseguia chegar ao templo sem que fosse pela estrada, a grande montanha ficava isolada das demais, era uma grande torre de pedra perdida no meio da floresta, era como uma ilha de rocha única, no verde da Amazônia.

O exército feminino seguia em frente, Atena sentia o cheiro de fêmea que pairava no ar, as mulheres eram belas, as coxas firmes seguras dentro das botas de cano longo, presas com fivelas, fincavam as esporas nos animais que relinchavam e partiam em disparada.

Elas tinham rapidez e habilidade de galopar entre os seringais e as castanheiras e ir se esgueirando dos galhos e ramos do caminho, que batiam como chicote cortando a pele e a carne de uma inexperiente forasteira como Atena.

Naiá então disse:- Vamos mais devagar, ou então nossa visitante não chegará inteira!

Atena sorriu e disse:- Meu rosto e meus braços estão riscados tal qual o jogo da velha!

Quando fizeram uma curva brusca, deram de encontro a uma pedra grande. Os cavalos então pararam bruscamente bufando.

Atena então pensou: - Meu Deus chegamos ao fim, não existe passagem!

Atena, olhou para trás e viu o caminho que serpenteava minúsculo e insignificante no meio da vegetação e ao redor, abismo oculto pela névoa branca...

Então Naiá botou a mão na boca e gritou: - HÁIAAAAAAAAAA!

Os animais deram um salto no abismo e mergulharam na bruma, Atena sentiu um frio no estômago diante do mergulho no vazio. Em questão de segundos os animais romperam a cortina que ocultava o belo vale de luz e magia que as esperava depois da fresta mortal que haviam superado num salto.

Atena então disse:- Puxa que loucura, da primeira vez eu não vi esse trecho!

Naiá então respondeu:- Acontece que você estava muito cansada o suficiente para não perceber que pulamos pelo desfiladeiro com você. A nuvem serve como cortina para ocultar esse paraíso, quem olha jamais imagina que é possível atravessar, daí o mistério de ficarmos isoladas do resto do mundo.

O TEMPLO DE ARTEMIS

Quando chegaram ao grande templo, encontraram Titânia que as esperava.

Ela disse:- Sejam bem-vindas! Fizeram boa viagem?

Naiá então disse:- Sim, apenas assustamos um pouquinho nossa visitante!

- Atena é melhor entrar para que possamos cuidar do seu rosto e de seus braços, está cheia de ferimentos!Duas belas amazonas vieram cuidar dos machucados de Atena, passaram tintura de tocari que lhe queimou a pele, mais Atena estava tão enfeitiçada pelas mãos das jovens, que desejou estar ferida pelo corpo todo.Serviram refresco de cupuaçu e em seguida, ensopado de bodó (um peixinho pequeno, um tipo de cascudo) com pimenta nativa, acompanhado de tamá (farinha de amendoim).

Após o almoço, Titânia chamou todas as companheiras até uma grande sala onde havia uma enorme mesa redonda de madeira. As cadeiras estavam organizadas ao redor e então a senhora disse:

- Por favor, sentemos, é chegado o momento!- Atena, temos a sua espera uma grande missão, acreditamos que já está pronta, e que podemos confiar em você. Estamos te avaliando desde que chegaste à aldeia dos ianomâmis.

Titânia então com os olhos cheios de lágrimas disse:

- O que vou lhe pedir, é algo muito importante e que põe em risco nossa comunidade! Eu sei que muitas de nossas mulheres, não concordam com isso, mais lutei durante todos esses anos e não consigo pensar diferente, tenho que confiar em alguém que possa me ajudar, precisamos estabelecer contato com os nossos antepassados que estão perdidos em algum lugar distante daqui.

Escolhemos você devido ao respeito que tens pelas mulheres e pela nossa história.

Titânia então continuou:- Há dez anos, deixei de ser feliz, arrancaram o amor dentro do meu peito, levaram para longe aquela que será minha sucessora nesse templo.Foi durante o ritual anual, no oráculo das amazonas, eu estava comandando o evento, quando retornamos a aldeia e Diana havia sumido!

Quando cheguei na taba, encontrei somente uma foto do infeliz, olhei e vi que se tratava do pai dela.

Ele voltou depois de cinco anos do nascimento da menina e a levou com ele.

Desde esse dia, nunca mais tive notícias dela, percorremos todas as aldeias da região, matamos vários homens, travamos uma guerra com quem encontramos pelo caminho, e nada.

A única coisa que consegui descobrir é que o desgraçado a levou para o México, lugar de onde ele havia partido.

Titânia então secou as lágrimas que caiam pelo rosto e continuou:

- Já se foram dez anos e agora que estou preste a preparar minha substituta, não consigo deixar de pensar em minha querida filha Diana, é nossa tradição, o trono deve ser ocupado pela primogênita da guerreira senhora.

Diana era linda como a Deusa Ártemis, hoje deve ser uma bela mulher, quero que você a traga de volta, se conseguir isso você ganha a sua liberdade, do contrário ficará presa para sempre nas terras das amazonas!

Atena então levantou o rosto, olhou bem dentro dos olhos de Titânia e disse:

- Em defesa das mulheres, trarei Diana de volta ao Templo de Ártemis!

 

NA CIDADE DAS AMAZONAS

Atena estava se preparando para partir em busca da filha de Titânia. A aldeia estava em verdadeiro alvoroço, Titânia havia ordenado que Naiá fosse junto com Atena em medida de segurança, assim evitaria que a moça branca fugisse sem ter cumprido sua missão.As amazonas estavam preparando uma festa em homenagem as duas mulheres que partiriam na manhã seguinte.

A praça estava toda enfeitada, algumas guerreiras tocavam e cantavam, outras serviam bebidas fermentadas de milho e mandioca que estava depositada em recipientes de cerâmica.

Das dez mulheres que haviam sido inseminadas naquela noite do ritual, seis estavam grávidas, Atena ficou olhando as jovens guerreiras, desfilando orgulhosas, os ventres redondos e brilhantes, devido ao óleo de castanhas que usavam para deixar a pele sempre protegida.

Naiá então disse:- Estão de sete meses, quando voltarmos da nossa viagem, com certeza já terão parido!

Atena então perguntou apontando:- E aquela outra moça que tem o ventre enorme e está separada das outras?

- Trata-se de Cíntia, ela afirma que espera um filho de uma guerreira amazona, mais ninguém sabe quem é essa misteriosa mulher.

Atena então disse:- Vou falar com ela!

A bela moça estava sentada olhando para lua, tinha os olhos perdidos no vazio,

Atena então disse:- Cíntia, posso me sentar ao seu lado!

- Claro, estou me sentindo tão sozinha!

- Gostaria de ouvir sua estória, como você conseguiu ficar grávida? O que realmente aconteceu?

- Tenho me sentida isolada da comunidade, ninguém acredita em mim, e o pior, elas pensam que eu me deitei com algum homem, o que não é verdade.

- Eu entendo, então me conte tudo, quem sabe eu possa ajudá-la!

- Sempre gostei de passear pelo Vale da Vitória Régia e me banhar nas águas do Espelho da Lua. Um certo dia, quando eu lá estava, apareceu uma mulher lindíssima, possuía os cabelos negros e longos, me botou um muiraquitã no pescoço e me beijos os lábios. A pedra verde-azulada era uma bela amazonita que agora era exibida como troféu no belo colo de Cíntia.

-Ela começou a fazer carícias no meu corpo, ela tinha as mãos fortes e me pagava com firmeza. Ela me carregou em seus braços e me levou até uma das enormes vitórias-régias que emergiam à tona d´água enfeitando o lago, protegida por pecíolos imensos, armados de poderosos espinhos. Havia várias flores de cores variadas: do rosa, até o púrpura-escuro, tendo no centro uma cor leitosa um tanto amarelada.A bela mulher colheu uma grande flor branca-aveludada, me ofereceu, daí pegou minha mão, colocou junto com a sua em cima do prato foliáceo cheio de nervuras e disse:

- Nossa filha será embalada no berço verde do Espelho da Lua, ela será linda, a primeira e pura amazona, depois do seu nascimento, os costumes do novo povo será quebrado, e conseguiremos então nossa verdadeira independência...

-A bela mulher me beijou novamente e então ela me levou para um nicho de pedra, primeiro me sentou, sendo que permaneci com os pés dentro do lago. Então a misteriosa mulher me beijou os pés, as pernas e depois se concentrou na fonte de meu prazer. Sua língua era ágil e forte e eu senti que meu interior explodia de desejo. Então a mulher se deitou sobre meu corpo e eu pude sentir que as pétalas de minha flor se abriam para se juntar as dela, nós fazíamos movimentos e nos beijávamos, enquanto nossos seios se encontravam. Eu sentia que alguma coisa muito forte estava acontecendo e percebi que uma energia imensa nos unia naquele momento, era como se fossemos um mesmo corpo. Então eu senti que minha flor era rompida e que a mesma recebia um jorro quente que percorreu minhas entranhas. Daí quando eu abri meus olhos e olhei para ela, eu vi a beleza e leveza em seu rosto de fêmea, que me sorriu e disse:

- Plantei em você a semente do amor, ela nascerá no primeiro dia da primavera, se chamará Tauarí e será tão bela quanto suas flores que alegram e enchem de cor da mesma forma que se contrastam em meio ao verde matizado da floresta.

A mulher entrou na mata, eu fiquei sorrindo para o sol!

Capítulo 6

Desde criança aquele impulso a acompanhava, precisa ir, ir, ir...

O calor era insuportável, a terra cuspia o bafo de fogo de suas entranhas. As aleluias voavam afoitas como um véu branco que cobria a aldeia das amazonas.

O trovão quebrou o silêncio da cidade, a chuva começou a cair de mansinho, o cheiro de terra molhada misturada com o estrume dos cavalos, inundava o ar com o aroma do campo.

Atena estava preparada para a longa viagem, vestia sua velha calça jeans desbotada e uma camisa de mangas compridas de algodão cru, o velho e companheiro chapéu de couro e as botas de cano longo. Naiá vestia seu traje todo em couro marrom, carregava seu arco e flecha, fora instruída por Titânia a levar o equipamento, para se proteger dos perigos no caminho.

Titânia estava com a fisionomia preocupada e ansiosa, chegou até Naiá e disse:- Confio em você irmã, vá a busca de sua sobrinha, não meça esforços para encontrá-la. Lembre-se que nada poderá dete-la, use todas suas armas para atingir nosso objetivo, não deixe que nada amoleça seu coração de guerreira, nunca se esqueça que o sangue da grande Deusa corre em suas veias de mulher.

Então Naiá olhou para a irmã e disse:- Irmã, algum dia eu já te decepcionei?

- Se digo isso mana é porque sei que serás submetida a muitas provas, estarás entrando em um mundo totalmente estranho para uma amazona como você.

- Pois fique tranqüila, não vou te decepcionar. Ai daquele que cruzar o meu caminho!

Titânia então beijou as duas faces de Naiá e disse:- Que Ártemis esteja sempre contigo!

Então Titânia caminhou até Atena, tirou um colar que trazia dentro do embornal de couro que estava preso em sua cintura, colocou no pescoço da moça e disse:- Ele pertence a minha filha Diana, aconteça o que acontecer, só tire-o do pescoço quando encontrar com ela. É uma jóia antiga, minha avó disse que pertenceu a Ártemis.

A corrente era tecida com ouro amarelo e possuía um pingente que consistia em uma única e bela pedra azul.As duas mulheres montaram em seus cavalos e foram seguidas por mais seis amazonas que foram encarregadas de levá-las até a aldeia da borracha onde procurariam encontrar um meio de transporte que as levassem ao México.

As guerreiras entraram pela floresta. Era incrível como conheciam aquele mundo verde como a palma de suas mãos. A tropa seguia ligeira e Atena sempre ao lado de Naiá, montava um cavalo cor de mel que tinha as patas fortes e firmes e galopava com velocidade e segurança, abrindo a vegetação fechada.

Ali não havia estradas ou trânsito de veículos motorizados por terra. Ali só havia a trilha perdida na floresta.

Ayar uma amazona de quarenta e cinco anos era a chefe da equipe, ia sempre a frente muito concentrada e abrindo a foice os galhos que teimosos cismavam em permanecer no caminho.

Em certo momento, Ayar parou e deu sinal para as companheiras para que fizessem silêncio. Atena sentir o clima pesado e os olhos de susto nos rostos das mulheres. Foi questão de segundos para que fossem abordadas. Estavam em cinco, homens que cheiravam a suor e a vinho que eles mesmos produziam: com os frutos das palmeiras, açaí, patoá e abacaba, tinham a cara de caboclos seringueiros.

O mais forte e mais alto foi logo dizendo:- Onde pensam que vão donas?- Ayar então respondeu:

- Iremos onde nossos corações nos quiserem levar, a floresta não tem dono e somos livres e donas de nossos narizes para passar ou ir onde quisermos.

- Ainda mais é atrevida, sua dona de merda!

Atena sentiu o coração gelar, sabia que aquilo não acabaria bem, o grupo de machos tinha cara de poucos amigos, e Ayar ainda ousava enfrentá-los.Os homens tinham as vestes sujas de barro vermelho, traziam presa a cintura a capanga e na cabeça a "poronga", uma espécie de lamparina que não se apaga com o vento e serve para iluminar o caminho, já que o dia daqueles homens começa cedo.

O homem que discutia com Ayar tinha uma espingarda nas mãos e então disse:

- A dona não sabe que esse território é nosso?

Ayar olhou bem dentro dos olhos do sujeito e respondeu:

- Já disse para o senhor que para nós não existe esse negócio de dono de terra, a terra é de todos e de quem a respeita, sigam seus caminhos que seguiremos os nossos.

Então o homem fez um movimento brusco e tentou puxar as rédeas do cavalo de Ayar, esta fincou esporas nas ancas do animal que deu um salto sobre o homem e partiu em disparada entre a nuvem de mosquitos que pairava no ar.

A amazona tinha os cabelos lisos e negros, grudados a cabeça devido ao calor úmido, ela ia rasgando no peito, as trilhas incompreensíveis da mata. As outras seguiram Ayar, o homem ficou estrebuchando no chão, enquanto outro pegou a espingarda e deu um tiro para o alto, as amazonas então responderam atirando flechas certeiras que serpentearam e coloriram o caminho.

Atena olhou para trás á tempo de ver um deles caindo atravessado pela seta e derramando um filete de sangue.Elas estavam no território do ouro vegetal, Atena olhou e viu que as árvores possuíam cortes diagonais no tronco e que haviam amarrados neles, potes para colher o látex, eram assim que eles sangravam as seringas.

Naiá então disse a Atena:-As amazonas são mulheres de paz, desde que não atravessem em seu caminho, são mulheres que trazem no sangue a revolta pelo domínio machista. Elas não permitem que lhe tirem a liberdade.

Continuaram à viagem pela mata, Ayar silenciosa dessa vez ia trotando e ganhando velocidade, as amoreiras-da-mata, cresciam naquele ponto do caminho, uma família de maritacas passou por elas fazendo um grande alvoroço...

Avistaram a aldeia da borracha a poucos metros abaixo da montanha, então Ayar disse a Naiá:

- Companheira, aqui lhe deixamos, siga seu caminho e traga para nossa cidade aquela que deverá ser nossa líder!

Naiá então respondeu:- Cumprirei minha missão, que assim seja!

A tropa partiu, deixando um rastro de poeira no ar, Ayar ia gritando e as mulheres a acompanhavam com o arsenal de guerreiras, tendo a fúria estampadas em seus rostos de fêmeas selvagens.

NA ALDEIA DA BORRACHA

A aldeia estava tranqüila quando as duas mulheres chegaram, Naiá disse a Atena:

- Daqui para frente você terá que fazer tudo que eu lhe mandar, nem ouse a me desobedecer ou tentar fugir, nós amazonas temos os sentidos aguçados e qualquer deslize serei obrigada a te matar.

Atena então ficou muito perturbada diante daquelas palavras e disse:

- Não se preocupe Naiá, assim como você eu também assumi o compromisso de trazer Diana de volta a cidade das amazonas, tenho a lhe dizer que também sou mulher de palavra.

Amarraram os animais na sombra do grande angico e entraram no boteco do Sr. João Xaraés, o lugar cheirava a mofo e tinha as paredes de tábuas cobertas com peles e cabeças de animais da região, uma grande sucuri era exibida como troféu em cima de uma mesa feita com toras de madeira.

Então Naiá perguntou ao homem que atendia do outro lado do balcão:

- Alguém conhece algum dono de balsa por aqui?Para surpresa de Atena, Mestre Zito apareceu dos fundos do pequeno bar e disse:

- Pois não dona!- O senhor conhece alguma embarcação para nos levar até Manaus?

- Claro dona! Eu mesmo possuo a minha "Companheira" que está sempre aprumadinha!

Atena então pensou:

- Puxa, será que ele não me reconheceu? É verdade que se passaram alguns meses, eu estou bem mais queimada de sol... Mas pensando bem, é melhor assim.

Dormiram em redes que amarraram ali mesmo próximas aos cavalos, partiram na madrugadinha daquele dia maravilhoso de verão.

Lá estava o Madeira, que as levariam até Castanheira do Norte, os caminhos confusos dos igarapés coloriam a estrada líquida, bordando ora ou outra com flores azuis o manto maravilhoso do rio.

Em certo momento Atena disse a Naiá:

- Por onde começaremos a procurar Diana? Da última vez que você a viu ela ainda era uma garota.

- Acontece que Diana é diferente de todas as mulheres numa coisa: Ela traz no ombro esquerdo um sinal que a distingue de todas as outras. Uma lua azul da cor de seus olhos.

- Bem diante disso penso que ficará mais fácil!

Mestre Zito que estava por ali disse:- Engraçado, conheci uma menina que tinha esse nome e também essa tal marca estranha a uns dez anos atrás. Me lembro como se fosse hoje, ela chorava muito aqui nesse barco naquela noite de tempestade.

Naiá deu um salto diante das palavras de Mestre Zito, não mediu forças quando pegou o velho pelo colarinho e disse:

- Diga tudo que sabe velho!

Mestre Zito levou um susto, não imaginara que aquela bela mulher de aspecto frágil fosse capaz de tamanha brutalidade e atrevimento.

- Olha aqui dona, eu não estou acostumado a receber ordem de muié.

- Pois trate de ir se acostumando, vai falando ou terei que cortar sua língua para dar de comer aos jacarés!

- Que estória é essa dona, eu sou um homem de paz, não quero saber de encrenca com amazonas, não é isso dona?

- Isso mesmo, pois então trate de ir contando tudinho sobre essa tal de menina Diana.

Então Mestre Zito começou:- Jamais esquecerei aquela tarde...Estávamos no boteco do Xaráes na aldeia da borracha quando ouvimos o trotar do animal. O cavalo era negro que chegava a doer nas vista, o homem tinha a cara feia de morte. Eu e meus companheiros achamos muito estranho um homem trazendo uma linda menina nos braços. A criança chorava e chamava:- Mamãe, mamãe.O homem deu um safanão na garota e disse:- Eu não já falei que sua mãe morreu, Diana. Fique quieta agora ou então não te dou o que comer.Ele ofereceu leite a garota e depois se dirigiu a mim:

- Preciso chegar a Castanheira do Norte, gostaria de alguém que me levasse.

- Pois não podemos partir amanhã cedo.

- Não senhor, tem que ser agora, não temos tempo a perder.

- Mas patrão , vai cair à noite e pelo tempo, teremos uma tempestade!

- Não me importo, temos que ir, tempestade maior enfrentaremos se permanecermos aqui.

Pegou uma garrafa com leite, bolo de macaxeira, deu um murro no balcão e gritou:

- Vamos embora velho, é agora ou nunca!

Eu percebi pela minha experiência que se eu não fosse, seria homem morto, diante disso, partimos pelas águas do rio Madeira. Me contaram depois que logo que deixamos o boteco, chegou um grupo de mulheres na aldeia e que houve tiros e mortes.

Elas tentaram nos alcançar, mais a tempestade estava tão forte que todos os barcos que foram lançados nas águas, viraram, várias delas morreram. Dizem que foram semanas de luta.A tempestade nos pegou no meio do rio, a criança chorava muito e o pai lhe dizia:- Diana que espécie de menina é você? Cadê sua coragem? Será que não puxou o sangue de sua mãe ou o meu?

Naiá então que estava ansiosa e tinha um nó na garganta, perguntou:- E o senhor os levou até Castanheira do Norte?

- Sim, o homem disse que depois seguiriam imediatamente para o Peru.

Naiá então surpresa, novamente perguntou:

- Mais quer dizer então que ele não foi para o México?

- Não sei não dona, será que minha cabeça de véio se enganou? Lembro que ele me contou que ia atrás de um rabo de saia que estava a sua espera e que lhe ajudaria a cuidar da criança.

EM BUSCA DE DIANA

Depois da conversa com Mestre Zito, Naiá resolveu que tomaria o caminho que sua boa intuição lhe indicava: O Peru.

Depois de horas de viagem e a bordo de vôo cheio de turbulências, chegaram em Lima já era noitinha. Pernoitaram em um hotel barato que ficava no centro da cidade. Atena estava admirada com a segurança que Naía possuía ao tomar uma decisão.

Estavam procurando por uma menina que agora era quase uma mulher, que nem sabiam como era e onde sequer vivia. Mas para Naiá isso não se mostrava como um empecilho.
Saíram na noite quente da capital peruana e Naiá resolveu que iria descobrir qual o melhor caminho a seguir. Foram até uma grande praça e viram um outdoor que mostrava em letras grandes o seguinte:"MACHU PICCHU, OS SEGREDOS QUE ESCONDE A CIDADE INCA".
A arqueóloga naquele momento sentiu uma estranha sensação de Déjà Vu, sentiu o coração pular dentro do peito e uma grande saudade e vontade de sair correndo, correndo, não sabia nem porque, nem para onde, a única coisa que sabia era que aquele impulso que a acompanhava a vida toda, aquela busca constante, agora se mostrava mais forte, algo lhe chamava e agora tinha absoluta certeza, era chegado o momento, nada poderia lhe impedir, queria partir...

Naiá então disse:- É para lá que vamos!

O PERCURSO

O caminho poderia ser feito pela estrada de ferro, mais Naiá decidiu que fariam a pé.

Atena falou a amiga:

- Naiá fico admirada com a sua rapidez em decidir as coisas, me explica, o que te levou a decidir por começarmos pela cidade inca?

- Acontece amiga que alguma coisa me diz que lá encontraremos pistas de Diana, vejamos bem, nós guerreiras amazonas, temos ligação com as mulheres incas, se Diana é uma das nossas, com certeza carrega no sangue a força dessa civilização, é por lá que devemos começar.

Atena se lembrou que durante aquela noite no hotel em Lima, por várias vezes teve a vontade de ligar para Anália, havia partido para aquela viagem há meses, imaginava que a equipe de estudiosos retornara a São Paulo e contaram do acidente acontecido com ela no Amazonas. Certamente todos pensavam que ela havia morrido. Será que era justo deixá-los na ignorância? Mas novamente, aquela sensação forte tomou conta de sua alma, aquela vontade de buscar algo que não sabia o que era nem onde ficava, era impossível explicar para Anália que o que naquele momento tomava conta de sua alma, era muito mais forte do que o amor que sentia por ela.
Decidiu que seguiria em frente, era melhor que todos pensassem mesmo que ela havia morrido, assim nada impediria que ela seguisse o caminho desconhecido que a vida toda a conduzia...

Cada uma delas carregava uma mochila presa as costas. Ali havia comida, cobertor e água. Deveriam percorrer 48 quilômetros para chegar à cidade inca de Machu Picchu, por caminhos que cortam a cordilheira e atravessam maravilhosos vales tropicais.
Durante o trajeto pelo chamado Caminho do Inca, que duram quatro dias e três noites, elas hospedavam-se em aldeias que ficavam no percurso, as pousadas eram simples e aconchegantes.
As pequenas vilas viviam do artesanato. Havia no caminho vários sítios arqueológicos dos Incas.
No último dia do trajeto, elas flanquearam abismos e cruzaram um canyon salpicado por inúmeras variedades de orquídeas e através de uma ponte pênsil, para poderem chegar até o ponto de onde se via, como uma jóia de pedras, os restos de Machu Picchu.

MACHU PICCHU

Um dos vales de maior riqueza paisagística e cultural do Peru. Formado há milhares de anos pelas correntezas do rio Sagrado.
A cidade de Machu Picchu que testemunha a ocupação milenar de uma outra civilização. A cidade se encontra à uma altura média de 2800 metros sobre o nível do mar, o clima é em média de 18° C de temperatura média anual, rica flora e fauna, terra fértil e inumeráveis riachos que, nascendo das cordilheiras nevadas que o rodeiam, se precipitam em cachoeiras por entre os bosques nativos mais altos do mundo, provendo-o de abundante água e alimentando o rio sagrado.Atena estava maravilhada com aquela visão mágica.

Machu Picchu não precisava de grandes apresentações. Era e continuava sendo uma fonte inesgotável de comentários, idéias, teorias e poesias, tudo que possa fazer trabalhar a imaginação e nada melhor que esta para encontrar adjetivos e exaltações em homenagem a esse impressionante conjunto de pedras talhadas.Machu Picchu que significa no dialeto quíchua, o mesmo dos incas "montanha ou pico velho", refere-se ao monte que abriga as ruínas.

Quanto a cidade em si sua identidade, envolta de enigmas e mistérios, é procurada até hoje.A cidade magnificamente construída e localizada como um ninho de condor entre as altas escarpas dos Andes.

O lugar é completamente protegido por baluartes naturais: um canhão estupendo cuja rocha é de granito e cujos precipícios são freqüentemente escarpados de mil pés, com dificuldades que atemorizam o mais ambicioso dos andinistas modernos. Para impedir que inimigos ou visitantes não desejados alcançassem seus santuários e templos, confiaram primeiro as correntezas do rio das mortes, que são perigosas mesmo na época de seca e absolutamente intransponíveis durante pelo menos seis meses do ano.

Pelos três lados, essa era a sua linha de defesa. Pelo quarto lado, o maciço de Machu Picchu é acessível apenas desde a chapada das alturas e somente por uma trilha estreita como um fio de navalha, flanqueada por precipícios.

A vegetação escondia o alvo granito dos muros da cidade, dando-lhe a partir de então a aparência luminosa de uma cidade de mármore.

Capítulo7:

Adoro o mistério da vida, seqüência de momentos perdidos no tempo...

As duas mulheres estavam paradas no mirante de "Intipunku".
Atena estava fascinada com o local, visto lá de cima, as coisas pareciam minúsculas, até mesmo o enorme rio Urubamba que lá em baixo parecia grande, agora não passava de uma linha curva desenhada no solo, a qual, quem não tivesse visto antes, não poderia dizer ser um rio. As coisas lá em baixo desapareciam com a neblina. Os primeiros raios de sol brilhavam sobre as montanhas, provocando um efeito de luz e sombra nas nuvens e vales.

O orvalho escorria pela folhagem, entre ninhos de pássaros e degraus de pedra.

A arqueóloga parou, sentiu-se envolta pela grande energia do lugar, olhou a bela paisagem, deixou o vento bater contra o rosto e reviveu tudo até aquele momento...Santa Cruz de La Sierra, a grande aventura que tinham vivido dentro do trem da morte, o avião até a maravilhosa Ciudad Blanca, o ônibus da década de 50 até La Paz, em Puno o mágico lago Titicaca e enfim, a caminhada de Cusco até Machu Picchu...

Naiá também estava admirada com o lugar, então falou a Atena:- Não imaginava a grandeza disso tudo, a sensação que tenho é de que minha alma está vagando sobre as montanhas diante da leveza que sinto em meu corpo.

Então Atena saiu correndo e deu um salto no ar gritando:- Cheguei, estou de volta!

Naiá então perguntou:- Porque você disse isso?

Atena respondeu:- Não sei, me deu vontade!

Em Machu Picchu, mesmo as construções de grande porte, resistiam a fortes abalos, sendo essa região marcada pela presença de terremotos.As obras de irrigação em direção aos vales desertos, a construção de pontes pênseis, entre grandes precipícios, e de aterros em pântanos atestava altos níveis de conhecimentos técnicos.Para construir estradas em terrenos com grandes declives os Incas usaram do desenho em zigue-zague facilitando a circulação ou, ainda se necessário, escadas foram esculpidas nas pedras. As estradas eram estreitas já que circulavam nelas apenas homens e lhamas com carregamentos.

Erguiam-se muros de arrimo em lugares mais perigosos para evitar desabamentos.Os edifícios Incas, templos e palácios especialmente, caracterizavam-se por uma aparência pesada. As aberturas em forma trapezoidal garantiam a majestade, mas não amenizavam o volume. Utilizavam grandes blocos de pedra, sendo que os ajustes entre as mesmas eram perfeitos. Uma das provas da habilidade dos construtores reside no fato que essas paredes monumentais resistem até hoje aos terremotos.As duas mulheres caminharam e perceberam que o número de turistas que visitavam o local era grande, resolveram que permaneceriam isoladas, já que elas mesmas partiriam em busca de uma nova trilha inca...

Resolveram aainda que iriam tomar o caminho que levava a montanha Putukusi, o caminho era todo esculpido na pedra, a vegetação era fechada naquele local: cedro, palmeiras, samambaias e inúmeras espécies de orquídeas, cresciam viçosas abrigadas pelas rochas da cidade misteriosa.

Atena e Naiá conforme iam ganhando a estrada, avistaram ursos, galos de rochas, raposas... Havia uma impressionante variedade de aves, borboletas que mais pareciam flores voadoras e também insetos próprios da região. A configuração geográfica, o meio ambiente natural e a estratégica localização da cidade perdida dos Incas faziam do lugar uma fusão de beleza, harmonia e equilíbrio entre a obra do antigo peruano e o capricho da natureza.O caminho era moldado em pedra, as duas mulheres pararam várias vezes para tomar chá de coca que levavam nas mochilas.

Atena e Naiá chegaram em um determinado momento próximo de uma montanha gigante, elas então ouviram o som estranho de um pássaro que de repente deu um vôo rasante sobre suas cabeças. Atena diante do susto inesperado deu um salto, pulando para trás.
Havia uma águia que voava sobre suas cabeças, e então as duas mulheres observaram que estavam encurraladas.De um lado a montanha inatingível, do outro o abismo profundo. Naiá então pegou a flecha e saltou na neblina do precipício.
Atena mesmo assustada pulou atrás, não poderia abandonar sua missão...

Caíram em um platô de rocha, estavam assustadas e ainda ouviam o som agudo do canto da ave. Atena então disse:- Caímos em um local completamente oculto pela neblina e contornado por paredes de pedra, precisamos encontrar uma maneira de sair daqui.
Então Naiá disse:- O pássaro está nos guiando, sinto isso!

As duas mulheres olharam para trás e viram que havia uma enorme pedra monolítica que ficava sobre um pedestal que se assemelhava a um felino, então Atena correu e botou as duas mãos na Rocha Sagrada, que como num passe de mágica, se moveu abrindo como se fosse um portal.

O VALE SAGRADO DOS INCAS

Willcabamba a cidade sagrada ficava próxima ao Pico Velho, permanecia intocada, encoberta pela vasta vegetação da selva amazônica. As habitantes permaneciam isoladas do resto do mundo, tinham acesso ao local que os homens nunca conseguiram profanar nem encontrar. O pesquisador Hiram Bingham em 1911, levado por camponeses havia trazido a luz parte do enigmático local, mas o Vale Sagrado dos Incas ainda permanecia oculto e protegido da humanidade, hoje ele era preservado e guardado pela comunidade feminina.

As filhas do sol eram fisicamente de pequena estatura, pele morena, variando do moreno claro ao escuro, cabelos pretos e lisos quase sem pêlos.

Atena e Naiá assim que atravessaram o portal, não sabiam em que terreno e o que as esperavam do outro lado. Por isso quando viram seis índias caminhando em sua direção, Naiá rapidamente botou a mão no arco que trazia próximo do peito.

A velha inca então disse:
- Deixa disse mulher, não vê que vocês foram guiadas até o Vale!

A guerreira amazona então perguntou:- Quem é você? E o que estamos fazendo aqui?

- Sou Cauillaca, pensei que vocês soubessem, ou será que esqueceram o objetivo da vossa viagem?

Então Atena disse:- Não me diga que vocês lêem pensamentos, como é que podem saber o que nos traz até Machu Picchu?

- Acontece moça que o mundo desconhece a nossa existência o que não significa que desconhecemos a humanidade. O ser humano se julga muito esperto procurando descobrir coisas grandiosas, se esquece de observar os pequenos detalhes, isso realmente é lamentável, é por isso que sua ignorância está levando a humanidade à extinção. Gastam bilhões tentando ir a lua enquanto poderiam preservar a natureza e viver em paz pelo resto de seus dias, para eles é muito mais fácil inventar a bomba atômica a ter que admitir que um simples efeito da natureza é capaz de destruir todo o planeta.

- Como assim?

- Willcabamba é a cidade refúgio do Deus Sol, foi e continua sendo um centro religioso em meio à selva amazônica onde moram xamãs, bruxas e adivinhos. Até hoje recebemos algumas mulheres que em vidas passadas foram sacerdotisas, virgens do Sol, que voltam a Machu Picchu para lembrarem-se dos ensinamentos.

Então Cauillaca continuou:- Habitamos o Vale Sagrado mas mantemos contato com o mundo exterior, é questão de segurança e sobrevivência. Até hoje mantemos aqui, uma complexa rede de caminhos e um corpo permanente de mensageiras (Tiasques), encarregadas de transmitirem as notícias.

Atena então perguntou:- Quer dizer que aqui é uma civilização somente de mulheres?

- Atualmente sim, os últimos homens morreram há séculos, segundo dizem, foi desencadeada uma guerra aqui no Vale dos Incas, liderada pela filha do grande Imperador Inca que se apaixonou por uma Virgem do Sol e que a mesma se atirou do precipício julgando ter sido abandonada pela amada. A Deusa filha do grande imperador jurou vingança e armou uma grande rebelião, todos os homens foram mortos e a comunidade passou a pertencer somente às mulheres.

A CIDADE DE WILLCABAMBA


As aldeias indígenas eram separadas umas das outras pelo próprio relevo cujos vales favoreciam o isolamento. Cada grupo de mulheres, representava uma unidade de produção. A comunidade cultivava o milho, feijão, batata, algodão, tabaco e domesticavam a lhama para o transporte.
Devido às condições climáticas, as mulheres andinas desenvolviam há anos, processos para desidratar os tubérculos e, assim poderem conservá-los.

O milho não se adaptava à região andina. A sua cultura, portanto, vinculou-se mais a um ritual seja sob a forma de cerveja ou como farinha utilizada nos sacrifícios.Seu plantio era feito geralmente em terraços sustentados por muros e acompanhando as curvas de nível. A água vinha das montanhas proveniente de descongelamento das geleiras sendo necessários, para conduzi-las ao local desejado, longos canais de irrigação.A comunidade também vivia da tecelagem, os tecidos eram produzidos na área andina antes mesmo da cerâmica.

Cultivavam o algodão, a alpaca e a vicunha produzida nas terras altas. Os fios eram tingidos de diversas cores e em seguida através do uso de teares bastante primitivos, as mulheres teciam.Elas também continuavam a arte da metalurgia deixada pelos homens andinos, martelavam ouro para fazerem placas onde incrustavam pedras e conchas. Essas placas recobriam as paredes dos templos.Em meio às cordilheiras era necessário construir pontes. Elas eram feitas de cordas e exigiam uma cuidadosa manutenção já que os cabos deviam ser substituídos todos os anos.

As casas eram circulares, cobertas de palha ou com uma espécie de abóbada de pedra. A porta de entrada era única, sendo apenas coberta por uma pele ou palha. Atena e Naiá depois de observarem tudo olharam para Cauillaca que disse:

- Venham vou lhes apresentar a nossa comunidade.

O TEMPLO DO SOL

OKkoricancha possuía uma enorme estrutura de pedra, a mais esplendorosa de todo o Império Inca. O templo de exterior austero tinha todo o interior resplandecendo em ouro e prata. Havia uma parede virada a leste, que ficava no fundo do local, lá havia uma efígie do sol, assim quando todas as manhãs surgia o astro-rei, a efígie resplandecia com a luz reflexa, iluminando o templo.

Ao cair da tarde, quando o Deus, cansado, mergulhava no mar, eram acesas lamparinas aromáticas num templo lateral de prata dedicado à Lua, esposa do Sol.Assim que as duas visitantes entraram, as virgens do Sol, começaram a cantar no dialeto quíchua, Atena sentiu o coração pular no peito e a estranha sensação de Déjà Vu a inundou outra vez.Depois da homenagem que Atena e Naiá receberam, Cauillaca falou:

- Meu povo, hoje temos a honra de receber aqui no Vale Sagrado, duas mulheres que fazem parte da nossa família, que trazem no sangue a força e a bravura dos nossos antepassados. São elas que ainda hoje guardam como nós a herança e os princípios andinos, não importando como nem quanto isso tenha que lhes custado. Diante disso nada mais justo do que convidá-las a juntar-se a nós e devolver a elas parte da sua família que se encontra conosco.

Os tambores foram tocados com força, seguidos pelos chocalhos e depois pela flauta e surgir então do fundo do templo a imagem dourada de Diana.Ela era maravilhosa, pele morena, cabelos lisos e longos, boca grande e contornada por lábios fartos, tinha o corpo esguio, porém forte como de toda guerreira amazona e trazia bordada no ombro esquerdo a lua azul de Artemis.

Naiá então correu até a sobrinha, abriu os braços e enlaçou a moça dizendo:- Minha criança, até que enfim encontrei você, a Cidade das Amazonas está a sua espera há anos, meu coração está a espera desse milagre.

Atena sentiu o coração pular dentro do peito diante daquela deusa de luz, caminhou até a moça, e sem conseguir desviar o olhar das duas contas azuis que brilhavam no rosto de Diana, então disse:- Sou Atena, vim a sua procura.Tirou a jóia da mochila, e ofereceu a jovem dizendo:

- Sua mãe pediu que eu lhe entregasse.Diana olhou então para Atena e a arqueóloga sentiu um frio no peito, era como se ela estivesse correndo por entre as flores, era como se sentisse uma sensação de paz invadindo seu corpo e como se sua alma agora já não estivesse mais pela metade...

Então Diana disse olhando para Atena:- Eu te esperava há anos porque demoraste tanto?

Atena sem entender nada respondeu.

- Desde o dia que nasci estou a tua procura, te busquei por todos os momentos de minha vida, por todos os lugares que passei... Porque você sempre permaneceu tão distante e tão presente? Porque você que eu nunca tinha visto, já conhecia há tanto tempo? Porque meu coração sempre tão sozinho agora pula em meu peito diante do encontro com sua metade?

Foram para o centro do Vale onde a comunidade estava toda reunida. A melodia andina inundava a noite enquanto a lua cheia brilhava no céu de Machu Picchu.As acclas, ou virgens do Sol, tocavam e cantavam, usavam túnicas e chalés com motivos geométricos, geralmente em três cores, da mesma forma que os desenhos da cerâmica que fabricavam.

Atena estava sentada ao lado de Naiá e de Cauillaca, o grupo de mulheres tomavam chicha (uma bebida feita da fermentação do milho), as mulheres andinas dançavam soltas ao vento e Cauillaca disse:Sentiremos muita falta de Diana, ela veio para nós como um presente do Deus Sol.

Então Naiá disse:- Como ela chegou até o Vale?

- Foi um milagre. Ela foi descoberta por uma de nossas mensageiras, quando estava passeando por um local próximo daqui, há tempos sabíamos do sumiço de sua sobrinha da Cidade das Amazonas.

- Quer dizer que vocês sabem da nossa comunidade?

- Claro que sim, já disse que temos informantes espalhadas por aí, desde nossos ancestrais sabemos que mulheres nossas foram levadas para a floresta amazônica e que de lá nunca mais voltaram, por isso fui avisada e então providenciamos para que a menina Diana fosse resgatada das mãos da madrasta que tanto a maltratava já que o pai havia morrido em um acidente.

Atena estava deitada em uma esteira, o vento gelado dos Andes corria pelo aposento, a arqueóloga não conseguia tirar Diana da cabeça, saiu para caminhar pelo vale na esperança de encontrar o sono perdido.Atena estava sentada em uma pedra, olhava as estrelas que brilhavam no céu azul escuro, ouviu uma voz que lhe dizia:

- Você gosta das estrelas?Atena virou e deu de cara com Diana.A moça estava linda, vestia uma túnica azul bordada com fios prateados, o tecido transparente mostrava a beleza do corpo de amazona. Os cabelos longos caiam em forma de trança, nas costas nua e perfeita.Atena então respondeu:

- Sim eu adoro as estrelas, elas são energéticas e mágicas!

Diana então disse:- As estrelas para nós são consideradas moradas dos espíritos e objeto de verdadeira veneração. Tenho o hábito de vagar pelas noites buscando força nos astros que enfeitam a noite.

Atena novamente sentiu uma tristeza profunda e como num filme reviveu tudo, as cenas foram voltando em sua mente em flahes rápidos... Estava feliz ao lado da bela sacerdotisa, ela estava entre seus braços e as duas se beijavam com fúria, a bela Huayra lhe dizia:Minha amada Cusy-Coyllur sei que tu és uma deusa, que é filha do grande Inca, que sua família é considerada sagrada, que tanto eu quanto você, fomos escolhidas para servirmos ao nosso grande e poderoso Deus Sol, mas não consigo disfarçar meus sentimentos, precisamos ficar juntas, eu amo você, sei que devemos obedecer as leis do nosso povo, mais não consigo deixar de te ver com o meu coração cheio de desejo e amor.

Então a mulher que trazia a lua azul esculpida no ombro esquerdo, deixou a túnica azul cair pelas areias geladas do Templo das Virgens do Sol e Cusy, a filha do grande Inca, deixou um suspiro escapar da garganta diante da beleza daquele corpo feminino que estava na sua frente sendo oferecida a ela como um presente do Deus Sol.Cusy que era mais velha e mais forte que Huayra, pegou a ninfa em seus braços, abrigou cuidadosamente a fêmea em um dos muitos puipatamarca que havia entre as rochas do esconderijo, então a Deusa Cusy não resistiu e explorou o corpo aveludado da virgem. Beijou os seios como se fossem begônias maduras, permanecendo com os lábios por minutos sugando os mamilos da menina que gemia em seus braços.Cusy lambeu o corpo de Huayra, marcando com sua saliva a pele fresca da virgem e lhe deixando o sexo queimando, pulsando de prazer.

Então Huayra pediu:- Por favor Cusy me livre dessa angústia. Me leve para junto do jardim do prazer. Então Cusy sugou o néctar do desejo que agora estava entregue aos seus lábios de mulher, penetrou as pétalas da flor em busca do fruto que saboreou com volúpia, sentiu a língua queimar diante do fogo do pecado que sabia estar cometendo, o veneno do amor escorreu pelos lábios de Cusy e esta sentiu que a partir daquele momento sua vida nunca mais seria a mesma. As duas estavam uma nos braços da outra quando ouviram o barulho das guardiãs do templo, o pai de Cusy ordenara seu regresso à corte, para que ela se casasse com Ollantay, um importante partido da época.
Cusy chorava e gritava de ódio, não queria ir, precisava ficar ao lado de Huayra.Os soldados do pai levaram Cusy a força para fora do Templo das Virgens do Sol, na mesma noite Huayra se atirou no precipício das montanhas de Machu Picchu.

Atena então acordou do transe e saiu correndo, não queria viver aquilo de novo, agora sabia o porque daquele vazio que a acompanhava pela vida afora, aquela vontade que desde criança a perseguia, que pedia que ela fosse em busca de algo, aquela procura constante e agora o medo de viver tudo novamente. Ela fora Cusy um dia e Diana fora Huayra, precisava fugir.

Atena correu o quanto pode, agora sabia, aquela mulher já fizera parte de sua vida em algum período perdido no tempo, precisava ir embora, não gostaria jamais de reviver tudo...Atena correu a procura da Rocha Sagrada, queria voltar para seu mundo, queria sua paz de volta, era isso, o amor para ela sempre fora encarado como perigo, encontrara a mulher de sua vida e agora se lembrava de tudo, sentia medo e calafrio, precisava sair dali e rápido.Atena fugiu deixando Huayra, a filha do vento, perdida na escuridão da noite e com o coração dilacerado.

Quando tocou no portal, seu coração foi rasgado pela dor da partida, ainda ouviu a voz de Diana dizendo:- Espere, não me abandone mais uma vez, eu amo você!


CAPÍTULO 8

Existem pessoas que adorariam serem dadas por mortas, assim teriam a oportunidade de construírem uma nova vida...


A floresta exuberante de terra firme estava espalhada sobre uma grande planície, onde as mais variadas, densas e exóticas árvores formavam um desenho amarinhado. Havia os lagos, igarapés e igapós, ligados através de pequenos cursos d'água que surgiam no inverno e desapareciam no verão.

Os rios cavavam seus leitos entre as areias, pedras e barrancos, tudo isso perdido na imensidão e nos mistérios que os Andes escondiam, desafiando a cegueira da humanidade.

É deslumbrante observar que é necessário percorrer centenas de milhas, até aparecer uma ou outra cabana de nativos, pequenos povoados, cidadezinhas... Depois disso continuando a viagem, horas e horas de navegação até que apareçam outros sinais de civilização. É o esplendor da natureza, revelando a sua beleza no vôo dos pássaros, nos saltos dos botos, nos guinchos dos macacos, nos tons viçosos das matas, nas cores do sol poente refletido nas águas dos imensos rios.

Atena estava invadida por uma avalanche de recordações, a viagem apesar de parecer interminável e cansativa, não deixava traços de cansaço no semblante duro e firme da arqueóloga.Atena trazia no rosto a alegria de estar de volta enquanto seus olhos brilhavam diante da espera do momento mágico do reencontro...

A subida a caminho do Pico de Cristal foi rápida, isso graças a Mestre Zito que havia arranjado um competente meio de transporte que marchava com destreza e habilidade nas curvas da montanha mágica que levava a cidade das amazonas.
Atena ia toda equipada no lombo do competente trotador: levava na cintura o 38 comprado em Céu Dourado, companheiro inseparável nos últimos anos.A mulher madura tinha agora os cabelos cortados rente ao queixo e na cabeça o velho chapéu de couro que lhe dava o aspecto de cangaceira.

Tomou o caminho do Espelho da Lua, sentia saudades do frescor da água na pele, se lembrou do momento de amor vivido pôr Cíntia no nicho de pedra onde agora repousavam as viçosas vitórias-régias. Os gigantes nenúfares estavam em flor, causando um espetáculo extravagante e inesquecível aos olhos que tinham o privilégio de vislumbrar e apreciar o veludo verde boiando pelas águas cristalinas e sendo coroados pelo arco-íris que cruzava o horizonte...As matas banhadas pelas águas brancas costumam ser chamadas de florestas de várzea, seus rios eram ricos em peixes, enquanto as florestas de igapós, possuíam rios de água preta que eram chamados de rios da fome.

Atena segurou na pedra verde do Muiraquitã que trazia preso ao pescoço e reviveu por momentos o beijo que ela havia ganhado da bela sereia naquele dia no Vale da Vitória-Régia.

Atena pensou na saudade que sentira daquelas terras, de como o ser humano era capaz de se apegar com tanta facilidade a pessoas e a locais...

Sua vida tinha passado por uma enorme transformação nos últimos tempos, aqueles dias vividos em Machu Picchu havia marcado a ferro e a fogo seu destino...

É bem verdade que tentara de tudo para fugir daquela ciranda maluca, havia viajado quilômetros e desviado de toda e qualquer rota que pudesse a levar de volta a Diana. Aquela dor no peito a queimava por dentro e nada era capaz de amenizar a angústia que sentia.

Atena pegou a câmera para registrar as cenas extraordinárias do percurso. Observou através da lente de aproximação da máquina, imagens ampliadas de insetos que contrastavam com as graciosas silhuetas de borboletas e libélulas, era possível distinguir a diferença: feras em miniatura e animais de rara beleza.
A tarde começou a cair e os pássaros voavam apressados em busca de abrigo nos ninhais construídos nas árvores altas ou nas montanhas. Uma família de araras vermelhas cortou o céu em busca da árvore alta que abrigaria seus filhotes barulhentos.O pôr-do-sol dourado foi dando espaço a cortina de estrelas que desceu deslizando no céu da floresta amazônica.

Ali com certeza era a morada das ninfas, das bruxas, dos duendes, somente um lugar com tamanha energia poderia abrigar e alimentar seres mágicos e de luz. Atena sentiu cheiro de alecrim trazido pelo vento, sentiu saudades do seu tempo de criança, reviveu uma cena de sua vida que ficara perdida no tempo... "Uma mão pousada sobre sua cabeça, uma mulher velha com um lenço de chita amarrado em sua cabeça que segurava um copo de vidro nas mãos, ela ia mergulhando um ramo de erva e dizendo palavras ia rezando e benzendo a fronte dela ainda menina. A mãe cuidadosa e abençoada que a levava a Dona Inácia para que esta lhe curasse dos males do ventre virado e dos quebrantos.

A lembrança da sensação de paz, de carinho de conforto...
O animal começava apresentar sinais de cansaço, Atena se preocupou em encontrar água para que sua montaria se recuperasse um pouco e conseguisse a levar até o destino. Uma galáxia de vaga-lumes tal qual uma miríade de lusinhas verdes que ora acendiam, ora apagavam, era como se parte da floresta estivesse fazendo parte de um cenário natalino. Os seres iluminados vagavam no espaço em rodopios frenéticos. Até onde a vista alcançava, a folhagem estava fosforescente.
A luz esverdeada refletida no espelho negro que era a superfície do riacho, encheu o cenário de mistério e os minúsculos holofotes naturais continuaram brilhando intensamente enquanto a amazona seguia seu destino.Quando chegou na velha praça, a aldeia estava toda iluminada por candeias que ardiam no azeite. As choupanas estavam inundadas de um silêncio profundo, a comunidade já havia adormecido.

Atena parou diante da estátua da guerreira, sentindo o coração apertado e tendo um nó preso na garganta. Procurou pelo velho tronco de samaumeira que tantas vezes havia servido como seu local de descanso nas longas e solitárias noites de outrora...
Atena resolveu que iria adormecer na saudosa rede de bambu que ficava armada na varanda do chapono.A arqueóloga foi despertada, uma enorme cabaça de água de rio fora despejada em sua cabeça. A mulher levantou rapidamente cuspindo fogo pelas ventas diante de tal atrevimento.Mal teve tempo de olhar e ver dois pezinhos encardidos que sumiam por detrás da taba.

Atena então não se conformando com tamanha traquinagem, saiu a caça da pequena diabinha que fugia como um raio no meio das moitas de urucum. Atena então vendo que não seria capaz e nem teria fôlego para alcançar aquele raio em formato de gente, sentou-se quietinha na soleira do chapono e ficou de tocaia, sabia que depois de um tempo a capetinha voltaria a casa.

Depois de hora de espera, Atena viu que a folhagem próxima se movia e que uns risinhos estavam vindo daquela direção. Então Atena rapidamente saltou sobre o arbusto e gritou:- Te peguei sua pestinha!A criaturinha começou a dar chutes e gritar:Sua branca idiota, onde já se viu invadir a cidade das amazonas, você não sabe com quem está brincando, sou Tauari a mais terrível das guerreiras amazonas. E foi assim que Atena se deparou com a proeza da natureza, somente duas sementes femininas seriam capazes de gerar tamanha energia e beleza juntas. Tauari era uma ferinha encantada de criança.

Cinthia então se virando, perguntou a criança:- Que aconteceu filha? - Pela Deusa, Atena, você está de volta?A garota lambuzada de barro e pintada de vermelho respondeu com a voz fina e atrevida:- Mamãe essa intrusa tentou invadir nossa aldeia, e eu como sábia guerreira botei a danada para correr!

- Parada aí dona Tauari, que é que você andou aprontando?

- Nada, eu só coloquei uma porção de carrapatos na rede dela e depois dei um banho de água nela.

Atena ouvindo isso saiu correndo se coçando.- Meu Deus eu tenho que tomar um banho com urgência, essa peste está tentando me exterminar.


A RECEPÇÃO

A aldeia se reuniu para dar as boas vindas a Atena, depois de um determinado tempo apareceu Naiá.

Ela estava com a cara fechada e disse:- O que você veio fazer aqui Atena?

Atena então olhou bem dentro dos olhos da velha conhecida e disse:- Eu tentei esquecer tudo isso, mais foi impossível. Como esquecer o que faz parte de nós mesmas? A vida é um acúmulo de experiências, momentos que ficam registrados no livro da nossa mente. Por mais que viremos as páginas ou que estas sejam apagadas ou arrancadas, não adianta de nada: se são apagadas deixam marcas se são arrancadas ficam-se as arestas, é impossível deixar em branco o que já foi um dia escrito...
Então Naiá disse:- Muita coisa aconteceu nesse período...

- Eu sei disso... A vida não para, infeliz é aquele que não enxerga as mudanças... Elas são primordiais para que a engrenagem da estória não emperre...Eu sinto que decepcionei você e seu povo, mas quero te dizer que na verdade, eu decepcionei primeiramente a mim mesma. Fraco e covarde é aquele que foge do momento que tem para viver, se esquecendo que estará retardando o acontecimento. Eu sofri tudo que um ser humano é capaz de sofrer por temer a dor do amor.

- Como assim?

- O mesmo sentimento que faz seu coração pular no peito de alegria e aquele que faz seu coração parar de tristeza... A mesma boca que esboça um sorriso e dá o beijo é aquela que ofende e arranca sangue com a fúria da mordida...

Naiá então chegou próxima de Atena, abraçou a companheira e falou:

- Você sabe o que aconteceu com Diana?

- Não, mais a metade de minha alma sente que sua outra metade está faltando...

- Depois do seu sumiço em Machu Picchu ela tentou o suicídio pôr várias vezes, ela passou anos sem vontade de viver.
Nos últimos tempos temos sentido que uma espécie de revolta invadiu seu coração e que no momento é isso que tem a mantido de pé.

- Quer dizer que Diana me esqueceu?

- E você queria que ela ficasse chorando pôr você a vida inteira...

Atena então segurou nos ombros de Naiá e gritou:

- Onde está a mulher que amo? Preciso vê-la imediatamente!

A CAMINHO DA MORADA DA DEUSA

Naiá reuniu um grupo de guerreiras e juntas acompanharam Atena no percurso que levaria ao Templo de Diana.A vegetação era um grande mosaico cheio de surpresas: samambaias e flores coloridas brotavam dos mais íngremes lugares. A selva que abrigava uma fauna exótica, a beleza do canto dos pássaros, o miado da onça no cio...As montanhas salpicadas pelas gotas de cristal do orvalho da manhã, que caiam sobre os musgos das pedras, as areias de cores variadas, os exuberantes vales e rios de muitas correntezas que ora sangravam as montanhas rochosas e distantes como se fossem artérias cintilantes encravadas na terra.

A tropa seguia viagem levando mulheres sisudas que cavalgavam carregadas de uma certa energia de preocupação e ansiedade que deixava o ar pesado.

Quando chegaram no templo, o crepúsculo já era visível, o grande monumento estava todo invadido pelo brilho das tochas de fogo que formavam uma rua de luzes que levava até a porta central do castelo. Amarraram os animais embaixo da grande seringueira e tomaram o caminho iluminado. A porta estava fechada e o exército feminino entrou pela alameda das orquídeas.Quando chegaram a porta do palácio, Naiá acenou com a cabeça para as guardiãs sacerdotisas, que abriram o grande ferrolho e então o cheiro de incenso que vinha do salão inundou o ambiente.Naiá e as demais companheiras cheiravam a suor e a crina de cavalo. Atena tinha as faces muito vermelhas, resultado do dia inteiro de cavalgada.

Apareceram duas guerreiras vestidas com gibões e armadas com arco e flecha que disseram?

- Sejam bem-vindas! Titânia as espera para o jantar.Então Titânia apareceu e disse:

- Atena é um prazer tê-la novamente conosco, a que devemos a sua visita?

- Vim para falar com Diana!

Então Titânia se voltou para a irmã e perguntou:

- Ela está sabendo de tudo que aconteceu depois que Diana retornou a nossa comunidade?

Naiá então respondeu:- Não, eu preferi que ela soubesse pela sua boca.

Atena então olhou assustada e disse:

- O que aconteceu que eu não estou sabendo?

- Acontece Atena que não sabemos se foi uma boa idéia você ter vindo em busca de Diana.

- Acho melhor vocês falarem o que está acontecendo, estou ficando desesperada!

- Ultimamente a minha menina não tem sido mais a mesma, parece que foi tomada pôr uma força estranha, é como se ela já não fosse mais Diana. Ela tem feito coisas estranhas e hoje me disse que depois que assumir o comando da cidade, ela pretende se mudar para dentro da selva.

Atena então respondeu:- Será que ela está enlouquecendo?

- Não me parece, ela está muito decidida nos últimos dias, se transformou em uma mulher forte e guerreira como nunca imaginei que um dia pudesse ser.
Então Titânia disse:- Daqui a pouco durante o jantar você estará frente a frente com Diana e então você dirá a ela pôr que veio.

Havia nos fundos do Templo, um terraço construído sobre o precipício do Pico de Cristal. O local estava todo iluminado pôr candelabros que pendiam das árvores que contornavam o elevado, havia um coreto que ficava no canto esquerdo do local, onde seis ninfas tocavam e cantavam uma doce melodia.Quando os tambores tocaram Diana apareceu:Usava um vestido curto de couro marrom que deixava as pernas nuas até os joelhos que eram cobertos pôr uma bota de couro. Quando a mulher apareceu e olhou para Atena, esta ficou fria como pedra. Diana então agiu como se nunca tivesse olhado para ela. Subiu no elevado e foi se juntar a Titânia e a tia Naiá que a beijou e disse:

- Que aconteceu tia? Você sumiu há meses.

- Muito trabalho minha querida, mais você me parece ótima!

- Realmente nunca estive tão bem, principalmente hoje que estou junto de vocês e me preparando para assumir o comando da nossa comunidade.Titânia então disse:- Hoje é um dia especial para a nossa comunidade que está em festa, brevemente deverei estar cumprindo o meu dever de passar o trono e o comando da cidade das amazonas aquela que possui o meu sangue e que deverá ocupar meu lugar.Titânia então pegou uma labris toda esculpida em ouro e entregou a filha dizendo:

- Diana desde o dia do seu nascimento, eu sonho com o momento que você deverá assumir o meu lugar e também continuará a nossa tradição me presenteando com uma neta.Então Diana olhou para a mãe e respondeu:

- A sua vontade será feita e a tradição da nossa civilização preservada, prometo-lhe que vou defender nosso povo de qualquer ameaça, não importa de onde venha, lutarei até o meu último suspiro de vida.E continuou:- Já foi provado que Cintia concebeu uma filha de uma mulher. Eu assim que assumir o comando da cidade das amazonas, proibirei o ritual no Vale da Vitória-Régia.

Penso que as nossas guerreiras deverão se sentir livres para buscar a perpetuação da espécie longe dos atrevidos machos. Tenho fé que a natureza se encarregará de cuidar para que nossas filhas continuem nascendo, eu me nego a parir um filho de um homem, a herdeira de meu trono com certeza será uma fêmea pura.

A comunidade aplaudiu Diana e gritou:- Isso mesmo Diana com certeza Ártemis nesse momento está nos abençoando.

Um tropel de cavalos foi ouvido e a poeira cobriu o ar no Templo de Ártemis, as guerreiras que não se encontravam em estado de alerta, correram assustadas em busca de seus arcos e flechas. Atena tentou em vão barrar a entrada do correto quando dois índios subiram correndo e pegaram Diana.A bela deusa foi levada para selva deixando o caminho de terra marcado pelo casco dos cavalos.

A BUSCA

Titânia estava inconformada com o rapto de Diana, as guerreiras estavam reunidas esperando as primeiras orientações da deusa mãe para começarem as buscas pela sucessora do trono.As mulheres não se conformavam com o descuido, aquele território jamais fora pisado anteriormente pelos homens, a única explicação é de algum deles havia seguido a comitiva de mulheres quando estas subiram o Pico em companhia de Atena.Resolveram partir rapidamente, assim evitariam que os seqüestradores levassem Diana para muito longe.

Resolveram seguir as pegadas deixadas no chão. Cavalgaram pôr horas e quando o dia já estava amanhecendo terminaram em um desfiladeiro. Havia uma mata fechada e as guerreiras resolveram que era mais cauteloso seguir o restante do caminho a pé, pôr isso, apearam dos animais que ficaram amarrados nas árvores próximas. O grandioso rio impedia a passagem para outra margem, Naiá usou sua intuição feminina para sentir que Diana estava próxima dali.Acenou com o braço para que as guerreiras fossem em direção a cachoeira enorme que havia a poucos metros. Naiá então seguiu na frente, enquanto as demais mulheres a acompanharam com arcos e fechas prontos e armados para o ataque.Atena não conseguia entender para onde estavam indo, já que estavam se aproximando da queda d'água e que não havia outra saída. Quando o exército feminino chegou próximo à gigantesca cascata, a visibilidade era quase nula diante da névoa branca que cobria o ar. Naiá então mais uma vez fez sinal para as companheiras e quando chegou próxima a cortina azul transparente, caminhou devagarinho se equilibrando no pequeno degrau de pedra, então entrou, desaparecendo atras do véu líquido da cachoeira...

O DEMÔNIO FEMININO

Havia uma trilha dentro da gruta, as mulheres caminharam e descobriram que estavam dentro do Pico de Cristal.A cavidade subterrânea exercia um fascínio, a caverna ficava oculta, protegida apenas pelo tecido líquido. Havia uma clarabóia bem na entrada que possuía diversos tipos de espeleotemas, os raios de sol invadiam o lugar, inundando de luz aquele amplo ambiente. Havia vários caminhos estreitos que levavam a outros grandes salões. Tomaram a direção que as levou a uma galeria de arquitetura deslumbrante de onde estalactites brilhavam a mil reflexos coloridos, espelhando no lago transparente que se encontrava ao fundo.Romperam em determinado momento, a garganta enorme de rocha, onde então havia um lago verde com peixes de todas as formas e tamanhos que desfilavam numa imensidão de cores, abrigados pela vegetação intacta do fundo do rio.

Havia uma espetacular sucessão de arcos entre os paredões de pedra, uma cascata grandiosa trazia a água que caia de uma altura inacreditável de cima da montanha, deixando próxima uma neblina branca no ar e uma espuma entre as rochas que formavam uma piscina natural.Diana estava sentada sobre um balanço de cipós que era preso a duas grandes arvores do barranco. A mulher estava nua, duas ninfas massageavam os seus pés dentro da água, enquanto outras duas pegavam jarros de água na fonte e despejavam sobre sua cabeça.Um grupo de índios estavam acampados no lugar. Quando as amazonas chegaram surpreendeu o grupo, sendo que dois homens pegaram Diana e segurando-a pêlos cabelos, mencionaram cortar-lhe a garganta com uma faca.

Naiá então parou abruptamente e disse:- O que vocês querem de nós?

-Somos contra uma comunidade feminina, não concordamos com o fato de que mulheres tão belas tenham que viver sozinhas. Sacrificaremos Diana para lavar a honra de todos os índios que morreram flechados pôr suas guerreiras, uma verdadeira afronta aos nossos costumes.

- De nada adiantará matar Diana, continuaremos a cultuar nossos princípios, nem que para isso tenhamos que lutar até que reste a última das amazonas, nossa liberdade não tem preço.Nesse instante Diana que parecia estar em transe, soltou um grito e proferiu algumas palavras na língua das amazonas.

Um estrondo foi ouvido na mata e um grande clarão inundou o lugar. Uma mulher vestida de caçadora chegou acompanhada pôr dois leões que atacaram os homens que seguravam Diana.

As amazonas então aproveitaram o ataque do animal e começaram a atirar fechas que cruzaram o lugar não deixando um homem sequer para contar estória.

Era assim no território das amazonas, quem ousasse invadir ou romper os costumes femininos acabava nas garras de Ártemis.

O ENCONTRO

O mirante era o local preferido de Diana, depois que saíram do ventre do Pico de Cristal ela correu para o alto da montanha para deixar que o ar entrasse e lavasse seus pulmões.

Atena então se aproximou da deusa e disse:- Eu vim para ficar!

Então Diana disse:- Você sabe que a mulher que aceita ser uma amazona tem que ser submetida a um ritual de iniciação e que jamais poderá quebrar nossos princípios sob pena de perder a vida?

- Minha alma faz parte desse mundo mesmo antes do nascimento de meu corpo. Caminhei uma vida inteira procurando meu lar e minha companheira, agora sei que fui covarde pôr temer a dor do amor que me rasgou o peito. Nesses últimos anos tentei esquecer do teu rosto, mais descobri que é impossível apagar a lembrança de uma companheira do passado.

- Lutarei ao seu lado pelos nossos sonhos e também em defesa da cidade das amazonas, hoje provei para mim mesma que sou capaz de matar para preservar nossa comunidade. Hoje eu sei que o mundo não é sensível o suficiente para aceitar ser presenteado com uma comunidade feminina. Reconheço que tem muita gente trabalhando para que isso aconteça, é questão de tempo para que possamos aparecer e mostrar que somos tão guerreiras e auto-suficientes quanto qualquer comunidade masculina, é questão de respeito, de opção, a natureza se encarregará do resto...

As duas mulheres guerreiras: Atena e Diana se abraçaram deixando que suas almas se juntassem e assim então se libertassem de todas as amarguras do passado. Os lábios se juntaram, os corpos se fundiram e os espíritos das duas amazonas nesse momento vagou pela floresta...

O ciclo da vida seguia seu curso, as guerreiras amazonas continuavam preservadas, vivas como sempre estiveram.



São Paulo


Cícero e Mike estavam no corredor barulhento da movimentada Universidade.Mike então disse:- Sabe que não me conformo com aquela nossa viagem ao Amazonas, que final trágico da nossa amiga! É pena Atena não estar mais conosco!
Cícero então respondeu:- Seu espírito ficará sepultado para sempre naquela floresta amazônica.

EPÍLOGO


Nem sempre quando uma pessoa desaparece de um determinado local, significa que a mesma tenha morrido.

Pode ser que ela tenha passado a vida inteira procurando seu caminho e agora tenha encontrado.
Realmente a grande arqueóloga Atena ficaria para sempre perdida na floresta...
Seus companheiros não imaginavam é que ela agora fazia parte do lugar e que estava mais viva do que nunca
.




FIM


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